10 anos a afinar o motor, o resultado é Forza 6

Para quem leu o nosso artigo no Jornal Metro sobre o Forza Motorsport 6 já sabe o que vem daqui, isto é, já sabe que a experiência que a Turn 10 trouxe para a celebração dos 10 anos da franquia só pode levar nota 10. Mas como nós não damos notas, apenas damos um ponto de vista e uma análise informada, falemos do que importa.

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Forza Motorsport 6 é o perfeito jogo para quem gosta de conduzir a alta velocidade e não tem carro para isso, nem estradas onde o fazer, ou apenas algum respeito pela sua condição humana. E isso vê-se desde o ponto de partida do jogo, o novíssimo circuito do Rio de Janeiro onde somos desafiados a pegar no novo Ford GT a imagem de marca deste FZ6 e aceleramos sem qualquer moderação ou preocupação, ao ponto de percebemos que estamos a conduzir bem demais… “pois…as ajudas estão todas ligadas!”. Se pensarem bem é uma boa estratégia, o jogador fica aliciado pela velocidade, o Ford Gt é um dos carros mais velozes do jogo, ficam a pensar que o jogo é acessível, ficam babados com os gráficos e pensam: “este jogo tem pinta!”.

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Mas não é apenas fogo de vista, FZ6 é tudo isso e muito mais. Depois da primeira pista são “levados ao colo” pela belíssima voz que nos acompanha, que para quem não sabe é Lorraine McKiniry do programa “What’s my car worth” no canal Velocity, para começar a abraçar as várias corridas e eventos disponíveis. A introdução aos modos e corridas nas suas várias categorias têm sempre uma apresentação emocional, por exemplo, no início escolhemos o nosso primeiro carro, e então o narrador, neste caso Mark Healy, fala-nos de como é ter o nosso primeiro carro, aquele que nunca se esquece, que pode não ser o mais rápido ou mais estiloso, mas que é o carro que fez o primeiro pião. Para mim, a abordagem é a certa, quem joga um jogo de “carros” é porque gosta de carros de toda a maneira e feito e a sua paixão é essa, portanto a abordagem tem que ser emocional e apaixonante, e o FZ6 é!.

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E é porque nos dá um leque de mais de 400 automóveis, fielmente desenhados e trabalhados, devidamente licenciados, com todos os sons e os interiores detalhados. Através do Forza Vista, podemos entrar dentro dos carros e admirar os seus interiores e todos os pormenores, como se estivéssemos num stand real. Para além disso podemos customizar os nossos carros até ao mais infímo detalhe, não tão detalhado como Project CARS, é um facto, mas também muito menos complicado e exaustivo (e até chato), do que o jogo da Slightly Mad Studios. Nessa customização podem aprimorar o vosso primeiro carro para que ele não caia em desuso ao longo do jogo, mas também podem torná-lo mais pessoal com o já conhecido editor de decalques, onde podem não só criar o vosso próprio design e aplicá-lo no vosso carro, como podem importar os decalque criados pela comunidade, com alguns ex-libris como é o nosso KITT, amigão!

Mas é claro que um fã do desporto automóvel quer sentir o seu bólide na pista, a comer asfalto, e é aí que mais uma vez FZ6 é surpreendente. De facto sentimos todas e quaisquer diferenças do nosso carro em relação ao comportamento em pista, seja dos ajustes que fizemos, seja pelas suas próprias características, ou pelo nível de dificuldade ou assistências que temos ligado. Vão rapidamente perceber que nos níveis mais avançados de dificuldade, onde, por exemplo, os danos físicos afectam efectivamente o nosso carro, como será díficil conduzir com o eixo da frente torto, com a asa partida. A frase certa é: vão sentir. É nestes níveis de dificuldade mais avançados que vão sentir o vosso carro e que vão sentir que FZ6 está criado ao mais elevado detalhe nessa condução, mas não se enganem ao ler esta review, os menos ajeitados, podem sempre ligar algumas assistências e vão ter o mesmo prazer na condução, até porque é sempre divertido partir um carro de um milhão de dólares sem que nada nos aconteça, não é?!

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Também a Inteligência Artificial marca presença neste Forza, e mais um vez através do sistema de Drivatar, isto é pessoas reais, nossos amigos ou apenas gamers do outro lado do mundo que jogaram a série e que têm a sua personalidade retratada no jogo enquanto inteligência Artificial. Ao contrário do que tenho ouvido falar, no meu caso, eu gostei de ver alguém à minha frente a travar demasiado tarde numa curva e a rectificar a sua trajectória, não só porque o “papei” logo de seguida e ganhei a curva, mas porque senti genuinamente que havia ali outra pessoa a jogar, e que pode errar como eu, senti por segundos que estava acompanhado, e senti isso em várias ocasiões, e isso é um ponto a favor.

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O Wheel Spin marca mais uma vez presença, depois de Forza Horizon 2, também a série Motorsport recebe esta “Roda da Sorte”, onde ao passarmos de nível de experiência temos a oportunidade de ganhar algo como um milhão de créditos (foi o que me aconteceu), ou o Bugatti Veyron. Eu percebo que para muitos isto possa parecer um pouco…parvo. No fundo para que é que eu ando aqui a tentar ganhar corridas se depois basta ter sorte no Wheel Spin. Eu percebo isso, mas olhando pelo outro lado, é uma forma de atrair os jogadores mais casuais, de forma a poderem ter o carro dos seus sonhos sem ter que jogar uma eternidade.

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Uma das novidades, no entanto deste Forza Motorsport 6, é os packs Modificadores, são basicamente cartas que dão elementos adicionais ao jogo. Podem dar mais 5% de aderência ao piso, como dar mais créditos por vencer a corrida ou por utilizar apenas uma câmera. Se ao início pensei que isso poderia influenciar demasiado o jogo, ao utilizar alguma delas, percebi que eram apenas uma forma de ajudar alguns condutores a jogar em modos mais arrojados e ter uma ajuda extra, para além de trazer um elemento novo ao jogo, necessário ou não, não sei bem, mas facto é que não influencia ao nível do online, até porque não se pode usar nesse mesmo modo.

Forza_Motorsport_6_Mod-SystemDeixei para último, aquilo que mais me deixou perplexo, e digo perplexo sem qualquer exagero, estou a falar da componente gráfica. A Turn 10 não quis deixar os créditos por mãos alheias e então entregou FZ6 a 1080p a 60 frames por segundo, mesmo jogando à noite, mesmo jogando sob chuva intensa. Não assisti a qualquer quebra no frame rate e mais, nunca vi na minha vida chuva tão real, e a sua interpretação num jogo de simulação automóvel. É simplesmente fascinante ver as gotas a propagarem-se nos vidros do nosso carro, nos retrovisores, o não ver “um boi” à frente com a densidade da precipitação que se faz sentir em pista, ou fazer aquaplaning em poças de água que se foram formando.

Forza Motorsport 6 é deslumbrante a nível gráfico, é olhar para a mulher mais bonita do mundo e saber que ela é de um jogador da bola qualquer, mas que desta vez pode ser nossa. Podemos ter os carros mais lindos e potentes do mundo, conduzi-los é não só extremamente divertido, como extremamente desafiante e recompensador, ao ponto de ser uma compra obrigatória. Não só para os possuidores de uma Xbox One, mas também uma obrigatoriedade para quem não tem uma consola da Microsoft, isto é, comprem e vão jogar Forza Motorsport 6, até porque neste momento o único digno rival está na mesma consola e chama-se Forza Horizon 2.

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