A caçada começou, e nós fomos presa e caçador

Bloodborne é difícil, desde que vestimos a capa de caçador pela primeira vez que sabemos que a tarefa não será fácil, mas será isto um motivo para desistir-mos ou devemos persistir e desfrutar de cada morte?

Quando iniciamos o jogo somos abraçados logo com um cenário de vida ou morte, estamos a sofrer e de repente alguém nos diz, precisas de um transplante, apenas isso, e quando acordamos desse sono induzido pelo transplante nada é igual, mas ainda não o sabemos bem.

Isto acontece ao longo de todo o jogo, há muitas altura em que nos perguntamos “que historia estou a seguir?!”, “o que se esta a passar aqui?!“, mas isso é o que já esperávamos, não fosse este um jogo de Hidetaka Miyazaki, conhecido pela série Souls. e este vai buscar toda a sua essência de um jogo Souls, desde a dificuldade elevada, à historia confusa e tantas vezes descrita ao longo de textos e textos de itens, mas isto sem nunca perder a sua identidade como um novo jogo, totalmente independente da famosa série anterior.

Para vos enquadrar um pouco na história e sem criar spoilers, vocês acordam nesta cidade de Yharnam, um pouco desorientados, acabados de acordar após o transplante, e descobrem que as outras pessoas desta cidade ou estão escondidas em casa, ou de alguma forma possessos, tornando-se demónios, os quais nós, recém-nomeados caçadores teremos de eliminar. Ao eliminar cada um dos nossos inimigos ganhamos Blood Echoes, que servem como moeda de câmbio neste jogo permitindo a compra de itens, ou até para melhorar habilidades. Ao longo do jogo podemos ganhar pontos suficientes para evoluir a personagem, no entanto aprendemos rapidamente, que não devemos os guardar muito tempo, pois tal como os ganhamos, também ao morrer, os perdemos e aí torna-se uma saga totalmente nova para chegar ao ponto onde perdemos a vida para que os possamos recuperar. E acreditem vão fazer isto muitas vezes….

Em termos de jogabilidade, esqueçam a defesa, não existe, ou é usada de uma forma diferente, pois não temos propriamente um escudo, ou sequer algo que se assemelhe, temos uma arma de fogo que apesar de quase não causar dano, quando usada no momento correto imobiliza o inimigo e permite um ataque visceral muito mais potente que o normal.

Teremos ao nosso dispor sempre duas armas uma de ataque directo na mão direita, como um machado, por exemplo, e na mão esquerda uma arma de fogo como falei anteriormente, no entanto podemos transformar a nossa arma de ataque para uma muito mais poderosa, que nos ocupa as duas mãos. Tudo isto acontece em tempo real, durante o combate, dando abertura a vários tipos de ataques e combinações. Vamos perder algum tempo nisto de perceber quais as melhores combinações, quais as mais eficazes e quais as que nos favorecem mais o nosso estilo de jogo. E também quais as melhores combinações para derrotar os diferentes tipos de monstros infectados que encontramos ao longo de todo o jogo.

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Graficamente, todo o mundo de Bloodborne é de deslumbre, todos os pormenores foram pensados detalhadamente, desde os inimigos, aos outros caçadores, passando pela, na minha opinião a estrela principal deste jogo, toda a cidade de Yharnam. Todos os cenários são magníficos, são cenários que apesar de infestados de monstros tem uma vida própria levando-nos para uma era vitoriananegra onde monstros reinam as ruas. Se houvesse uma reinterpretação da mítica Transilvânia, podiam ir buscar toda a inspiração a Yharnam. Todos os pormenores desta cidade (e arredores) foram pensados minuciosamente, com todos os pormenores que encontraríamos numa cidade deste género, a forma como cada pedaço da cidade, e da nossa personagem, ficam cobertos com sangue leva-nos a um detalhe, que até ao momento, ainda não se tinha visto.

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Uma aventura de proporções épicas muitas vezes a relembrar outros jogos de acção como Zelda, com masmorras e caminhos alternativos. Um jogo de acção sem precedentes na Playstation, e do melhor feito até ao momento para a Playstation 4.

O épico é uma palavra recorrente para descrever Bloodborne e a nível sonoro sente-se isso mesmo, com uma banda sinfónica e um coro de vozes a interpretar em cada tom, uma obra de arte sombria e complexa.

Não consigo apontar nenhum motivo que me leve a não gostar deste jogo, e se tivesse de apontar alguma coisa, não seria ao jogo mas sim à forma como o mesmo chega ao mercado. Porque sim é verdade, é para mim do melhor que já se fez até ao momento, mas não é um jogo para todos, não é aquele jogo que leve a pessoa comum a comprar uma PS4, pelo que este primeiro impacto ao novo jogador pode ser uma experiência negativa para muitos.

Blood_recomenda

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Categories Análises
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