A melhor Black Friday que podem ter

Por vezes parece que a Capcom só sabe fazer algumas franquias e viver à conta delas, e por vezes parece que se esquece delas e traz novas roupagens um pouco aquém do esperado. Estamos habituados que a Capcom pareça muitas vezes que está um passo atrás na evolução das consolas, mesmo que Dead Rising 3, por exemplo, tenha sido um exclusivo de lançamento da consola da Microsoft, os seus gráficos e as suas mecânicas não estavam de todo afinadas.

Talvez por isso, exista um certo receio dos gamers em relação a Dead Rising 4. No entanto a verdade é que a Capcom voltou atrás no tempo, na personagem que quis destacar para este jogo, o velhinho Frank West, e voltou atrás em outros tantos aspectos que fez com que o jogo fosse extremamente coeso, divertido, diferente, vasto, pecando apenas na qualidade gráfica que poderia estar melhor.

Fazer um jogo de zombies não é tarefa fácil porque o nosso imaginário atira-nos para o Walking Dead ou para um Resident Evil, portanto a jogada de mestre da Capcom foi atirar Dead Rising 4 para o lado mais divertido e cheio de humor da cena. Para quem se recorda de Frank, percebemos rapidamente o porquê da escolha, o herói de Dead Rising (2006), é o mais cínico, o mais mal amado, apesar de ter salvo a humanidade, e o mais charlatão que há. O facto de ser um fotógrafo (parecido com algum da CMTV), e estar sempre à procura de um furo, mesmo que implique tirar fotografias com um zombie a comer um humano, continua-lhe a correr nas veias, e o facto de estar outra vez envolvido numa cena apocalíptica, apenas o faz ver que poderá sacar uns bons trocos disso. Na verdade estamos perante um oportunista, que apenas é acalmado por Vicky a sua sidekick que o acompanha no jogo e lhe mete algum senso na cabeça. Frank está mais velho, mas não pensem que por isso está mais fraco, e mesmo que esteja, tem um arsenal bélico ao seu dispor que vão encontrando pelo caminho. Aliás, vão encontrar de tudo pelo caminho, nada melhor do que abrir cabeças de zombies com uma bela guitarra, ou tornar-se quase num Zord humano e desfazer zombies com lasers e raios e tudo o que possam imaginar.

Este é o ponto fulcral do jogo, a diversão que proporciona com a possibilidade de termos no nosso ecrã até 100 zombies em cima de nós e termos que os desfazer como se tivéssemos a cortar mato. Isso e o a infindável capacidade de criar armas e de usar armas ao longo dos níveis e dos cenários. Podemos pensar que em certa parte o jogo pode tornar-se repetitivo, mas é o facto de existir tanta diversidade nas armas e ataques que nos leva a nunca pensar nisso muito a fundo nas cerca de 13 horas que o jogo leva a acabar sem perder muito tempo nas missões secundárias.

As mecânicas muito simples e muito parecidas com qualquer Third Person Shooter, ajudam a que tudo flua e a combinação de duas teclas para realizar um ataque especial quando fazemos um combo significativo de kills, dá um certo ar nostálgico dos velhinhos Smashers de arcade. É muitas vezes aqui, com uma quantidade enorme de corpos de zombies espalhados pelo chão que vamos querer tirar aquela selfie, ou como bom repórter que somos tirar aquele enquadramento perfeito de corpos empilhados. E melhor é que ganham pontos de experiência e classificações pelas fotografias tiradas, mesmo quase a pedir que o jogador se divirta a reportar o caos e o terror.

Além disso, a cada nível que subimos, vamos ganhar um ponto para gastar em habilidades de combate, na saúde de Frank, na sua habilidade com armas e na sua resistência. A maneira como evoluímos a personagem define exactamente como vamos passar a jogar. O melhor é aumentar as vossas habilidades com armas de curto alcance, porque a grande maioria delas são mais poderosas e acaba por valera pena. Os menus são bem intuitivos e fáceis de se mexer, bem melhores do que os que vimos em Dead Rising 3.

A Capcom pelo menos ouviu as queixas em relação a DR3 e acabou com os tempos que existiam para explorar o mapa. Agora podemos andar a sacar os coleccionáveis todos, e não são poucos, para além disso ao encontrarmos abrigos que estão a ser atacados por zombies, podemos entrar eliminá-los, salvando as pessoas que nos podem vender roupa, acessórios, armas, veículos e mapas para encontrar todos os coleccionáveis.

Uma coisa que pode decepcionar é o facto de não haver coop online no modo de campanha, agora esta opção é válida para um outro modo que funciona como evento paralelo a todos os acontecimentos da aventura de Frank West. Basicamente somos nós e mais 3 sobreviventes que têm que permanecer vivos a qualquer custo ao ataque zombie no Shopping de Willamette. Apesar destes sobreviventes aparecerem no modo história, aqui vamos ficar a saber um pouco mais sobre o passado deles.

Dead Rising 4 é um excelente jogo nesta quadra natalícia. Acreditem que não há nada melhor do que matar zombies de toda a maneira e feitio num ambiente natalício e de Black Friday tal como se tivéssemos nós mesmos a desbravar terreno nos nossos centro comerciais. A Capcom ouviu muitas das queixas dos gamers, tornou o jogo mais fluído, mais dinâmico, quase um Hack and Slash com liberdade de movimentos e com muito por explorar. Peca apenas pela qualidade gráfica que não utiliza todos os recursos da Xbox One, Xbox One S ou Windows 10, e também por não trazer nada de surpreendente ao género. É um jogo super competente e que ganha muito pela história, pela forma e pelo humor que nos traz a esta quadra natalícia.

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