A monótona anarquia de “Carmageddon: Max Damage”

A Stainless Games volta a trazer até nós mais um jogo da franquia com a qual ganhou maior popularidade. A companhia (que publicou, também, diversos jogos de “Magic: The Gathering”) lança mais um jogo para a nova geração de consolas, desta vez abrangendo também o seu mercado à PlayStation 4, com “Carmageddon: Max Damage”.

Ao contrário do jogo original, que chegou mesmo a ser censurado em determinados países devido á sua violência e, consequentemente, a ser mais desejado pelos compradores, devido á polémica (ou, se analisarmos bem, publicidade) que se instaurava na altura, este novo “Carmageddon” teve pouca divulgação, talvez pelo facto de se tratar mais de um update de “Carmageddon: Reincarnation” do que, propriamente, de um “novo jogo”.

Para quem viu os filmes “Death Race”, a associação é quase automática: uma “corrida” de carros que, podendo ou não estar armados, têm como objectivo destruir-se uns aos outros (já para não falar da existência de um modo de jogo chamado “Death Race”…). Sim, os conceitos são bastante semelhantes, mas o jogo não nos obriga propriamente a destruir os nossos adversários (embora essa seja a maneira mais divertida de se jogar), oferecendo alternativas a jogar “limpo”, tais como chegar a checkpoints ou atropelar violentamente peões… Afinal, esqueçam o “limpo”. O jogo é violento, e ainda bem, pois é aí que reside o seu ponto forte.

O jogo contém um modo carreira bastante longo, estendido ao longo de 16 capítulos, algo que é óptimo para quem procura esmiuçar tudo ao pormenor, garantindo ao jogador uma enorme quantidade de horas de jogo. No entanto, nesse mesmo modo carreira, a monotonia é evidente (visto que andamos, durante 16 capítulos, a fazer o mesmo em pistas diferentes). Existem, em 16 capítulos com vários eventos cada, apenas 6 modos de jogo: “Classic Carma”, que se ganha destruindo todos os adversários, matando todos os peões ou sendo o primeiro a completar 8 voltas à pista; “Death Race”, que se ganha, pura e simplesmente, ganhando a corrida, sendo que destruir um adversário roubará voltas a esse mesmo adversário; “Checkpoint Stampede”, que se ganha sendo o primeiro a passar pelo número pedido de checkpoints; “Ped Chase”, que se ganha sendo o primeiro a atropelar determinados peões; “Fox’N’Hounds”, que se ganha (no papel de “fox”) fugindo do perseguidor até que o tempo expire; “Car Crusher”, que consiste, tal como o próprio nome indica, em destruir e não ser destruído.

Existem mais de 30 veículos (ou, se preferirmos, “armas de destruição”) que podemos utilizar em 5 regiões de pseudo open world, o que faz com que os loads de pré-jogo sejam longos e aborrecidos.

Graficamente, este jogo não é melhor do que um jogo da geração anterior com gráficos medianos. Seja em termos de choque, de explosão, de peões… O grafismo é, definitivamente, um dos pontos mais fracos deste jogo.

Outro desses pontos fracos é a mecânica de condução. É bastante difícil tirar prazer de conduzir neste jogo, centrando-se mais esse mesmo prazer na destruição e anarquia que se pode causar.

Existe também um modo online que, infelizmente, é bastante limitado. Sendo que atropelar peões e causar a máxima carnificina possível é do que fascina mais neste jogo, faria sentido que esses mesmos peões existissem no online… No entanto, não é o que acontece. Apenas carros a lutar entre si, sem interacção com qualquer outro elemento para destruir.

Carmageddon: Max Damage” não ficará nas nossas memórias por ser um excelente jogo, mas sim como aquele jogo que jogaremos quando chegarmos a casa frustrados e com vontade de descarregar alguma raiva e, nesse aspecto, não se pode dizer que o jogo não tenha cumprido.

SimENaoCarmageddon

Author Nuno Ribeiro
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Categories Análises
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