Vou começar esta análise por vos revelar uma coisa. Desde os tempos das provas de Endurance do Gran Turismo que não ficava tanto tempo a fazer uma pista. É verdade! Em The Crew 2 há uma prova em que andamos a conduzir um super carro durante 40 minutos! Sim senhora, uma prova em que vamos de Costa a Costa percorrendo praticamente todo o mapa deste novo jogo da Ubisoft. E só isto revela muito mais do que podem imaginar em relação a este jogo. Desde logo a imensidão do próprio mapa, basicamente percorremos toda a América neste jogo e mais do que isso, nesta prova de 40 minutos só desbloqueada muito lá para a frente, percebemos o ciclo dia e noite que jogo reflecte tão bem, assim como todas as condições meteorológicas possíveis em The Crew 2. Se ficaram boquiabertos como eu com o novo Forza Horizon 4 e as estações do ano, neste jogo também vão ficar. Não por existirem de facto, mas por termos esse reflexo nas condições meteorológicas, seja chuva intensa e o seu piso escorregadio, como a neve e o nosso carro ficar todo coberto de branco ou até mesmo a lama, ou é claro os dias solarengos com aquele raio de luz a nos encadear por completo a visibilidade da pista. Neste aspecto The Crew 2 está exemplar. No entanto nem tudo são rosas, mas já lá iremos.

Para quem não conhece este jogo, basicamente entramos numa nova era de corridas desportivas onde o que interessa são os views, os seguidores e a reputação. Quantos mais seguidores tivermos, mais oportunidades vão surgir para desbloquearmos novas provas e acedermos a novos veículos. E digo veículos porque aqui andamos por terra, mar e ar das mais variadas formas e feitios.
No início assumimos uma personagem que se mete nesta aventura e quer chegar ao topo, a ser uma celebridade, um ícone. Vamos ter ao nosso dispor vários tipos de estilo de jogo, o Offroad, o Street Racing, o Pro Racing e o Freestyle, cada um com as suas provas e as suas particularidades.

O Offroad inclui o Rally Raid, provas com carros de Rally, do género Buggy ou jipes em que vamos andar pelo matagal a fora, ou por pantanos ou por montanhas acima e abaixo na verdade. Temos também o Moto Cross com as motas a voarem pela pista e a fazermos manobras de toda a maneira e feitio, e ainda o Rally Cross, com os carros de Rally em modo Super Especial.

No Street Race, o modo mais longo, é onde temos as corridas as corridas de rua, com bólides de alto gabarito, depois o Drift onde a ideia é queimar pneus e andar de lado, o Drag Race é tentarmos bater recordes de aceleração onde temos que meter as mudanças no tempo certo e depois os Hyper Car, onde os super carros dominam as estradas norte americanas em longos percursos como já referi no início.

No Freestyle temos corridas acrobáticas de aviões onde temos manobras para executar no ar, tal como em terra temos com os Monster Truck, ainda temos as Jet Sprint com barquinhos de percorrer os pantânos, em corridas pelos rios a fora.

Por fim o Pro Racing é onde temos as corridas mais profissionais, por terra mar e ar, tudo em alta velocidade, seja com os Power Boats, os Touring Car, a recriação em jogo dos Red Bull Air Races e os Alpha GP, com carros Formula 1 ou protóptipos da Mercedes.

Como podem ver não falta nada em que possamos correr e divertir, os modos de jogo são muitos e variados, assim como a Story Line, onde na verdade existe em cada modo um objectivo final, seja o vencer o campeão no Pro Racing e destituir uma herança de família de corredores, seja elevar uma família ao estrelato, seja receber a herança de um piloto de Rally Cross e ser o novo ícone, ou deter as chaves da cidade destronando o rei das ruas dos EUA.

Para isso vão ter de gastar muitas horas para conseguirem chegar a estes objectivos, mas pelo meio vão ter as Extreme Series, na verdade aquilo que dá mote ao jogo, são corridas em que os media vão acompanhar passo a passo a nossa determinação em chegar em primeiro lugar, e onde passamos por 3 tipos de corrida e veículos numa só prova, isto é, vamos andar, por terra, mar e ar durante esta prova acompanhado por helicópteros e por todas as cameras disponíveis que filmam esta prova e que a tornam viral nas redes sociais e nos ajudam a ganhar mais seguidores ainda. Basicamente conforme vamos fazendo provas vamos desbloqueando estas Xtreme Series que por sua vez desbloqueiam mais provas quando as concluímos.

Já falámos das provas e das corridas, temos de falar dos veículos e da sua customização, o catálogo é vasto, vão encontrar de tudo desde da Abarth, BMW, Mercedes, Chevrolet, Ducatti, Ferrari, Porsche, Ford, Harley, bem já perceberam são mais de 250 veículos motorizados disponíveis com várias possibilidades de customização, que vão desde a performance que podemos aumentar consoante as provas que vamos ganhando que nos vão dando kits de performance, quer seja a customização mais cosmética, com várias partes que podemos modificar dos nossos bólides, assim como decorar a nosso belo prazer, criando a nossa arte, ou sacando de outros jogadores que partilharam a sua criação.

Entremos pelas questões técnicas a dentro, na plataforma que jogámos, em não sentimos qualquer tipo de quebra de fluidez ou FPS, com as texturas a estarem muito bem definidas em relação aos veículos, mas não tão brilhantes em relação aos objectos, isto é, para além dos “landmarks” as cidades são um bocado quadradonas para não falar das pessoas que para além de raras, aquelas que aparecem estão muito mal trabalhadas, para além da sua Inteligência Artificial ser menor do que os animais que se atiram para o meio da estrada durante o jogo. Tudo o que está fora do campo de visão não está ao nível dos veículos, vemos bancadas vazias, cidades desertas, até durante aquela mítica viagem de 40 minutos de que vos falava no início, eu diria que passeis por uns 40 carros, vá 50, o que é muito pouco. Os reflexos, as condições metrológicas e o efeito dia/noite esse sim é o ponto alto dos gráficos deste jogo, conseguindo dar a sensação de que estamos a passar por esses ciclos e os efeitos circunstanciais dos mesmos.

A nível de jogabilidade temos que fazer aqui um parêntesis, que é, The Crew 2 não tenta ser um simulador por excelência, tenta dar mais uma ideia de arcade mais próximo de um clássico Scud Race do que simular todos os veículos que estão no catálogo do jogo. Isso é bom por um lado, o lado do divertimento constante e de não sairmos frustrados, permitindo facilmente saltarmos de um veículo para o outro sem precisar de um curso para os conduzir. Por outro lado, temos a sensação que andar com um Ferrari ou com um Mini Cooper ser demasiado idêntico, e só sentirmos a diferença na velocidade a que atingem. Sentimos sim uma maior diferença no tipo de veículos e da sua condução, isso aí sim, a mudança de um carro numa pista citadina, para o offroad, já para não falar de um barco ou avião, são bastante diferentes, mas sempre igualmente fáceis e divertidas o que penso que seja também o objectivo do jogo, uma adrenalina mais pura e constante do que uma simulação fidedigna.

The Crew 2 traz de volta um sentimento de jogo Arcade de corridas em todo o seu esplendor e em todas as suas vertentes, algo que nenhum outro jogo tem, e isso é uma grande virtude, tem conteúdo à brava, e não se vão fartar tão cedo devido à sua jogabilidade bastante arcade. Não é um portento gráfico, mas é um enorme upgrade ao primeiro jogo.

4.0

Sim

  • É o único jogo com todo o tipo de corridas
  • Ciclo dia/noite e condições climatéricas de luxo
  • Jogabilidade Arcade e de fácil adaptação

Não

  • Um mapa vasto mas com pouca "vida"
  • Os gráficos de todos os factores externos são fracos
  • A história é bem conseguida mas mal acompanhada
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