A verdadeira Lara Croft?!

Quando Rise of the Tomb Raider foi anunciado na já distante E3 do ano passado, a melhor notícia não foi o facto de ser um exclusivo parcial da Xbox One, mas sim o facto da história ser escrita por Rhianna Pratchett, filha do lendário Sir Terry Pratchett, que entretanto morreu.

Muitos dizem que as mecânicas é a parte mais importante de um jogo, mas eu sou mais das narrativas. É possível fazer um excelente jogo baseado na narrativa, as visual novels são um exemplo disso, e este Rise of the Tomb Raider vai comprovar o mesmo.
Seguimos a nossa Lara Croft na sua juventude e pouco depois do término do reboot do último jogo, com vários segredos por descobrir, entre os quais a morte do seu pai e aquilo em que ele estava a trabalhar e o que levou à desgraça e a ver o seu nome na lama. Sentimos a carga emotiva que existe com o seu passado, sentimos que há algo que não bate certo e tantas outras que fazem todo o sentido. Apenas para referir um pequeno pormenor, vão ver a pequena Lara a subir árvores para chegar à janela do escritório do seu pai, dando-nos a ideia, mesmo que subtil, que ela sempre foi uma aventureira. É também neste jogo que vamos perceber a relação de Lara com a sua mãe e o que daí advém.

Sem querer estragar demasiado tenho que falar neste aspecto, se quiserem leiam ou não, fica ao vosso critério: Quando se diz que a narrativa é cliché, é redundante, porque na verdade a narrativa começa de uma forma natural e até algo sentimental para que exista apego, mas depois faz exactamente o contrário para que exista revolta, no fim voltamos a sentir esse apego e revolta na decisão e sua consequência. Ora este pequeno turbilhão de sentimentos não pode ser considerado cliché, muito menos quando já conhecemos partes da história de Lara, seja dos filmes ou jogos e no fundo não podemos defraudar isso. É por isso que acho que é necessário jogar até ao fim para ter uma opinião fundamentada em relação à narrativa, e se ela provoca isso, é porque é boa. Quanto ao facto de nos distanciarmos por vezes da história principal com a introdução das side quests ao longo do jogo, assim como da caça aos túmulos, é um pequeno preço a pagar para aumentar a longevidade do jogo e a sua diferenciação, preço que eu não me importei de pagar, até porque, e nomeadamente na caça ao túmulos as recompensas valem muito a pena, não só porque alteram a jogabilidade, mas porque desbloqueam items, armas ou habilidades que fazem a diferença.

Voltando à história apenas para dar contexto, no fundo vamos andar atrás de um artefacto raro, cuja lenda diz estar ligado com o segredo da imortalidade. Era esse mesmo segredo que o pai de Lara estava a pesquisar antes de morrer, a lenda de Koschei, o Imortal, levando Lara à procura da sua tumba. A partir daí a corrida para chegar ao tão desejado segredo, será lado a lado com a organização conhecida por Trinity, a mesma que no primeiro jogo (reboot) encobriu os acontecimentos sobrenaturais em Yamatai.

Falando em mecânicas, os movimentos de Lara estão mais suaves, mais naturais, mais próximo da realidade, parcial, visto que o atletismo que apresenta é sempre notável, mas pelo menos é credível. É incrível ver Lara a torcer o seu rabo de cavalo quando sai da água, a ficar gelada e a tentar aquecer-se numa fogueira, o seu casaco ficar com marcas da neve, todos eles pormenores que tornam Lara mais próxima de nós. As plataformas já não são tão óbvias e existem alguns desafios verdadeiramente difíceis de puzzles e saltinhos no saque a túmulos, especialmente se estiverem a jogar em dificuldades mais elevadas o que vos tira várias ajudas.

No entanto se jogarem em normal, por exemplo, vão achar que Lara é uma Deusa e pode enfrentar qualquer adversário sem qualquer tipo de medo, portanto escolham a dificuldade mais elevada para levarem mais a sério a componente de survival, que está lá Q.B. e para os combates serem muito mais desafiantes. É verdade que não existe uma grande variedade de inimigos, mas até porque todos eles são humanos, portanto ou têm armas e escudos mais poderosos, tendo nós que aplicar uma ou outra técnica diferente é será apenas abater para seguir em frente. O que melhora essa experiência são as armas, o tradicional arco e flecha que tanto gozo dá, especialmente se abordarem o jogo de uma forma mais stealth (onde ganham mais pontos), o revolver, a semi-automática ou uma metralhadora são alguns dos exemplos que vamos encontrar, sendo todas elas adaptáveis, isto é, podemos evoluir estas armas ao nosso gosto, tendo que procurar por peças para elas e pontos para desbloquearmos as suas habilidades. A própria Lara poderá evoluir em vários sentidos, mais focada no combate corpo a corpo, na sua capacidade de caçadora e de sobrevivente. Cada uma delas com aspectos diferentes, desde Ko’s em stealth mode, gerar mais recursos ou ser capaz de produzir mais peças para as nossas armas e recursos.

O que sentimos ao percorrer os mapas do jogo é que Lara tem liberdade para fazer o que quiser, e isso é dado pelas áreas mais abertas e com mais pontos de descoberta, bem entrelaçados com as visitas a grutas e locais mais fechados. Em oposição a Metal Gear Solid V: Phantom Pain em que o mapa é muito aberto, aqui temos a dose certa, tanto andamos em grutas, como por dentro de edifícios, como em áreas abertas, mesmo que tenham construções para explorarmos. Considero que tem aquela dose certa, como tinha The Last of Us, fazendo-nos sentir claustrofóbicos por vezes, para respirarmos e sentirmos o vasto mapa seguinte.

Graficamente Rise of The Tomb Raider não vos vai deixar mal, vai impressionar sobretudo no modelo físico de Lara, como o próprio ambiente em volta, vão encontrar imperfeições e até alguns glitchs mas nada de significativo, até porque vão estar embrenhados no jogo a certa altura que tal não se vai notar. Raramente senti a sua suavidade fraquejar e até a passagem para as várias cut-scenes são muito consistentes, não havendo aquele sentimento de “agora é uma cutscene porque graficamente está níveis acima”. É coerente e o seu desempenho enquanto jogo é muito bom.

Enquanto jogo, se jogarem no modo normal e não quiserem saber dos túmulos e tudo mais, em 12/14 horas chegam ao fim, mas honestamente, se não andarem a varrer os túmulos todos, num jogo em que tem no título “Tomb Raider” então mais vale ficarem quietos. Se jogarem no modo Hard e forem verdadeiros saqueadores de túmulos, aí vão gastar por volta de umas 20 horas ou mais, sendo que mesmo acabando o jogo existem várias razões para voltar a jogar, sejam as side-quests, conseguir peças para armas ou artefactos. Têm ainda o modo Expedições, um modo que vem substituir o modo multi-jogador em que utilizamos os créditos ganhos durante o modo de história para comprarmos cartas no Marketplace para equiparmos habilidades especiais, vestimentas, ou outras coisas mais ridículas. Basicamente vamos repetir partes da campanha com estas habilidades e até desafiar os nossos amigos para fazerem melhor do que nós. Em parte é giro e uma forma de ter alguns desafios extra, mas facilmente vão passar ao lado desta componente.

Rise of the Tomb Raider poderá muitas vezes ser comparado ao seu predecessor, por várias mecânicas serem idênticas, o que na minha opinião não é mau porque gostei da história que encontrei, para além disso senti-me sempre tentado a buscar todos os items do jogos, assim como os túmulos e as side-quests. Foi um jogo que efectivamente me perdi e perdi várias horas a desbravar terreno para fazer uma review completa. Graficamente era aquilo que procurávamos na nova geração e mergulhamos efectivamente no desenrolar da acção. Terá erros, não é totalmente inovador mas é um jogo obrigatório para quem segue a saga de Lara Croft e tem uma Xbox One.

 2015-11-21

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Categories Análises
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Comments (1)

  • Outubro 19, 2016 at 5:53 pm
    […] Vamos começar pelo mais polémico dos assuntos acerca deste “novo” Tomb Raider, o jogo já saiu há mais de um ano para a Xbox One e para PC, se me perguntarem se vale a pena o investimento tendo já jogado o jogo há um ano a resposta é um redondíssimo não. No entanto, se nunca pegaram nesta sequela do sucesso de 2013 não sabem o que estão a perder. Se quiserem saber mais sobre versão Xbox não deixem de ler a critica do nosso Pedro Moreira Dias aqui . […]

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