AC Unity – Um salto para a nova geração?

Se ouviram a Gaming Zone onde participámos e fizemos a antevisão de Assassin’s Creed Unity, sabem que a minha principal preocupação era a história do jogo. E separemos a História onde o jogo se desenrola com a história que envolve a nossa personagem principal Arno Dorian, filho de um Assassin, morto por Shay Patrick Cormac que já conhecem como sendo a personagem principal de AC Rogue. É aqui que toda a questão do jogo se desenvolve, isto porque a premissa até é interessante, somos filho de um Assassin, morto por um Templário que é a personagem principal do jogo para as plataformas da antiga geração, somos no entanto adoptados por um Templário, apaixonamo-nos por uma Templária, Élise De La Serre, e estamos metidos no meio da Revolução Francesa, um dos mais importantes marcos da História da Humanidade. E tudo isto seria bom, se não fosse o facto de a história ser má! Não a ideia, mas toda a história que se desenvolve ao longo do jogo. Apesar de conhecermos e interagirmos com personagens históriacas como o Marquis de Sade, Napoleon Bonaparte ou Maximilien de Robespierre, não há sumo. Não ficamos com “a pulga atrás da orelha” sobre o que é o Helix (agora já não é Animus), voltamos à ideia de viver episódios criados pela Abstergo, conhecemos umas personagens que só vemos uma vez e depois ouvimos durante todo o jogo, sobre o que Abstergo está a tentar fazer que nem percebemos bem e no fundo chegamos ao fim e nem sabemos bem porque raio estamos ali. Há uma parte de mim que fica muito triste com o desenrolar do AC, a componente histórica, mesmo que ficcionada em partes, era o mais importante para mim, a ideia de reviver factos históricos, épocas que retratam a História da Humanidade, mesmo que romanceadas e ficcionadas, como já tinha dito, era o mais aliciante do jogo, isso o outro lado, a ideia da manipulação por parte de uma companhia. A verdade é que este problema já se sentia em Black Flag e agora é simplesmente gritante, aliás desde o fim de Desmond Miles que a série ficou muito mais pobre.

Fora isto, o que dizer de AC Unity, comecemos pela mecânica de jogo que segue a linha dos seus antecessores, vamos explorar a cidade de Paris na maioria do jogo, vamos subir até aos pontos mais altos dos monumentos mais icónicos da cidade, vamos sincronizar o mapa e vamos cumprir objectivos. Nada de inovador neste campo, temo missões secundárias para ganhar dinheiro, desbloquear items, vamos ter propriedades para gerir e baús para abrir. Aqui começam a surgir algumas novidades, os baús estão divididos entre os acessíveis, os apenas acessíveis utilizando um “lockpick”, passando um determinado nível do jogo, ou desbloqueando através da “Companion App”, jogando as missões Nomad. É a tentativa da Ubisoft mais uma vez de trazer algo para os dispositivos móveis agora em integração com o jogo. Mas no fundo apenas serve um mapa com GPS em relação a Arno, e para jogar as tais missões Nomad que ainda por cima nada têm a ver com a história de Unity.

Quanto à mecânica de combate está afinada, é preciso ser mais preciso e rigoroso a defender e contra-atacar, mas os movimentos são limitados, variados consoante a arma que empunhamos, mas deixem-me que vos seja totalmente honesto, comecei com uma arma “Heavy” e acabei com outra arma “Heavy”, nem sequer mudei de classe, a não ser para experimentar e por isso não existe um desafio de adaptação no desenrolar do jogo. Basta escolherem bem. A grande novidade prende-se com a Phantom Blade, uma mini besta incorporada num dos braços de Arno que vos permite ataques a longa distância sem fazer a barulheira de uma pistola, óptima para quem gosta de uma abordagem mais stealth.

Já na mecânica de movimento, aí nota-se uma evolução mais evidente, agora Arno está adaptado com movimentos mais “parkour” a nível de saltar obstáculos, por entre janelas, por debaixo de objectos, mas também na forma como sobre os edifícios, utilizando uma maior variedade de estilos e agarrando-se às telhas por exemplo para conseguir escalar um telhado. Movimentos que o tornam mais realista, mais plausível.

A acompanhar estas duas mecânicas, temos que referir a “Skill Tree“, um conjunto de habilidades que vamos desbloqueando ao logo do jogo, sejam elas em relação ao como manuseamos as nossas armas, ao acesso a determinadas bombas, ao conseguir abrir portas e cadeados, se nos podemos disfarçar ou até o nível de saúde. Eu escolhi desde cedo talvez as 3 mais importantes assim que desbloqueadas, a de manusear a arma “Heavy”, o de me poder disfarçar e de aumentar a destreza a abrir portas e cadeados. A partir daí o jogo tornou-se muito mais fácil e básico, deixem-me que vos diga.

A nível do armamento e do “gear” que podem comprar há muito por onde escolher, e vê-se que aqui foi a aposta da Ubisoft em tornar o jogo mais RPG, mas não sei se o conseguiu. Isto porque existe um sistema de microtransações envolvido, vocês podem comprar “créditos” e logo de início comprar a melhor armadura, “hood”, cinto e calças, que vos podem dar mais saúde, “stealth”, ataque ou alcance. Eu não o utilizei, apenas utilizei os pontos do Uplay para adquiri ao início alguns items que desbloquei e depois deixei que o jogo se encarregasse de me dar a armadura que necessitava, sim porque isso vai acontecer.

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Graficamente AC Unity é notável, ok eu sei que existem vário glitchs, que existem uma série de vídeos a relatá-los, mas eu não apanhei assim tantos, sendo para mim o mais grave um problema no aúdio da cutscene do fim. É verdade que por vezes vamos encontrar pessoas a planar em cima de mesas, e sim é mau isso acontecer, mas não podemos descurar o facto da Ubisoft ter levado AC para um patamar diferente, o número de NPC’s existente é abismal, a quantidade e variedade de acções é também notável, especialmente se considerarmos o nível de detalhe e a quantidade de interiores disponíveis no mundo de Unity. A esse nível puramente gráfico, o retrato da época é impecável, a qualidade inegável e a transposição de cutscene para a acção é super smooth. Não há até à data jogo que se assemelhe aquilo que Unity é capaz de explorar graficamente de um jogo. O frame drop ainda é uma realidade, mas o jogo é bonito que se farta, especialmente se forem fãs do retrato paisagístico e artístico, Unity não vos vai deixar mal, vai vos deixar abismados.

A nível sonoro, mais uma vez AC Unity não deixa os créditos por mãos alheias, existe um rol enorme de pessoas que dão vida a todos os NPC’s existentes, muitos deles com verdadeiros diálogos, que nos faz querer ficar a ouvir a sua história durante minutos, e depois há interpretação das personagens principais, com destaque para… Élise De La Serre (Catherine Bérubé), a meu ver a melhor actriz do elenco, onde nos sentimos mesmo próximos e uma realidade quase assustadora. A nível de banda sonora em si, AC é um mimo a recriar os ambiente vividos no século XVIII, especialmente se jogarem de phones onde vão mergulhar com outra intensidade no jogo.

Ora pois bem, o modo co-op para o AC Unity vem rotulado de o próximo grande passo da série, a inovação que todos esperavam. Não sei se será bem assim mas pelo menos veio trazer uma nova adrenalina ao jogo. Não nos podemos esquecer que a componente multiplayer tem sido este ano especialmente a caixa de Pandora, qualquer jogo que não pense nisso parece que tem os seus dias contados, e como tal Unity não foi excepção.

Há duas coisas que podem acontecer nas Co-op Missions, ou tentam ser altamente profissionais, assassinos que vivem nas sombras e atacam com um perfeito sincronismo e aí a estratégia, a comunicação e o timing são fulcrais, ou então vão à bruta porque 4 é muito mais eficaz que um e toca a carregar os inimigos de bombas de fumo e de ataques corpo a corpo a torto e a direito com tudo o que tiverem. É claro que a segunda opção não terá piada nenhuma, na minha modesta opinião, mas é uma alternativa.

Seja de que forma anterior, a Ubisoft Montreal preocupou-se que as missões co-op trouxessem alguma substância ao jogo, não só pela variedade de desafios propostos, mas por também aqui nos ser fornecida alguma informação contextual, que por vezes faltou no single player. Ao início poderá ser algo confuso atinar com a fórmula, mas é recompensador se for bem jogado. Outra das coisas boas deste co-op é podem se juntar aos vossos amigos para procurar coleccionáveis para de uma forma muito mais rápida limparem o mapa e completarem o jogo.

Assassin’s Creed Unity entra finalmente na nova geração com um grafismo de luxo é verdade, mas peca pela falta de sumo na história que o acompanha, e sente-se que é um jogo que não está acabado em vários pormenores, é uma pena de facto, mas não deixa de ser essencial para todo e qualquer fã de Assassin’s Creed. Estranho é o facto de sermos levados a passear no tempo através de um portal, avançando e recuando no tempo, foi algo que apesar de visualmente apelativo, não trouxe nada nem à história nem ao jogo. A recriação de Paris é de facto esplendorosa, o modo co-op trouxe algo de novo à série, mas a narrativa pedia mais trabalho e mais interacção com os títulos anteriores. Hoje chega o terceiro patch de correcção do jogo e espero sinceramente que pelo menos os erros que apanhámos sejam corrigidos. Esta análise baseia-se no jogo antes desta correcção na PS4.

AC_Unity_recomenda

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