Mais um ano, mais um Assassin’s Creed, pelo menos desta vez foi assim e talvez a Ubisoft devesse parar um bocadinho para pensar um pouco melhor a sua estratégia, porque corre o risco de “gastar” a franquia. Talvez por isso a Ubisoft já tenha dito que para o ano não há nenhum AC para ninguém, e eu acho que é o melhor que podem fazer. Não indo diretamente ao jogo, mas ao seu contexto, tenho de expressar a minha modesta opinião em relação à direção da franquia. Custa-me olhar para a história do AC e da sua ligação ao Animus e à Abstergo vir a deteriorar-se de episódio para episódio, o que antes era era uma história cheia de suspense, misticismo e com uma igual importância e substância na saga, tornou-se algo desconexo e muitas vezes sem sentido, já não falo das voltas e reviravoltas que já aconteceram, nomeadamente com a entrada de Black Flag e da sua agência de viagens no Animus e na história do Mundo, mas da desconexão com tudo e com a existência da própria Abstergo. Por isso faz-me confusão que entremos num novo AC, com Layla Hassan, que antes trabalhava para a Abstergo mas agora faz parte da Irmandade dos Assassinos e anda atrás de Atlantis e do bastão de Hermes. Porquê, para quê? São peguntas que ficam ao longo de todo o jogo e algumas até são respondidas no final, mas acho que qualquer fã da saga vai pensar, e então?! Qual é a ligação com o resto? Ou outra vez esta ideia do equilíbrio? Eu não quero desvendar muito mais, mas gostava de deixar esta ideia na análise para que pensem nela quando jogarem o jogo, e até opinarem sobre isso mesmo connosco.

Assassin's Creed Odyssey – Trailer de Lançamento (Dublado)

Feita essa ressalva, e falando da construção do jogo em si, vão ter tudo aquilo que nos últimos anos temos visto em AC, temos um sistema de combate cada vez mais apurado no corpo a corpo, um sistema de RPG mais detalhado e com uma evolução mais demorada e exigente, temos esse mesmo sistema de RPG adaptado ao nosso navio e tripulação, temos as batalhas navais ao estilo de Blackflag, temos que assassinar pessoas da forma mais stealthy possível, e temos ainda uma boa dose de gestão, aliás uma grande dose de gestão, se pensarmos bem no assunto. Temos ainda mais uma miscelânea de coisas que por vezes nos faz pensar se a Ubisoft não está a tentar colocar coisas a mais no jogo e se são assim tão necessárias ou que tenham alguma lógica, mas já lá iremos.

Assassin's Creed Odyssey: Ep. 4 – Grécia Antiga

A nível do segmento da história onde nos encontramos, é fácil perceber que estamos no ano de God Of War, perdão, na Grécia antiga, no meio da Guerra de Peloponeso (de 431 a 404 a.C), Esparta foi a principal inimiga da cidade de Atenas e que ocorreu na região que hoje compõe a maior parte da Turquia. Os espartanos siaram vitoriosos mas a grande custo. É precisamente neste ambiente que vamos jogar esta Odisseia, onde começamos a jogar no meio do caos da épica Batalha das Termópilas, onde apenas 300 espartanos – liderados por Leónidas – enfrentaram o exército persa com mais de 30 mil soldados. Nesse prólogo, controlamos Leónidas e experimentamos todos os combos e habilidades desbloqueada e reproduzir o famoso pontapé na estômagos dos Persas e podem gritar à vontade “This is Sparta!”.

Assassin's Creed Odyssey: Ep. 2 – Personalização de Combate

Depois disso entramos na narrativa da personagem que escolhermos, Alexios ou Kassandra, até porque a Ubisoft já está farta de lidar com a história dos sexismos e nesta altura então seria a primeira bola a sair do saco por parte da crítica e assim ficou a questão resolvida. Não existe diferença no estilo de combate ou nos equipamentos, apenas a narrativa, a sua direcção e compreensão, o que vos poderá a levar a jogar mais do que uma vez o jogo para compreender toda a trama, e no fundo até acho que a personagem da Kassandra acaba por ser mais interessante, até pelo seu papel lá mais para o final.
No nosso caso fomos com Alexios e começamos a nossa aventura em Celofandia, ilha que o acolheu depois dos trágicos eventos que o fez separar da sua família. É aqui que vamos aprender todas as técnicas que precisamos para enfrentar os Persas, Atenas e recuperar a sua família.

Assassin's Creed Odyssey – Kassandra – Gamescom 2018

Há três grandes e interligados arcos de histórias que envolvem Alexios ou Kassandra, o primeiro é este reconhecimento e percepção histórica dos eventos que vos falava, o segundo mais à frente, ainda no arco principal, descobrimos a existência de um culto que nos quer matar a qualquer custo e por fim somos levados a eventos relacionados à linhagem da Primeira Civilização. É neste arco que o protagonista finalmente descobre a verdade sobre sua origem, à existência de Atlantis e do Bastão de Hermes. É também aqui que será feita a ligação com a Primeira Civilização e perceber um pouco mais de tudo, mas parece que foi tudo metido para o fim.

Assassin's Creed Odyssey – Alexios – Gamescom 2018

Seja como for, o jogo está repleto de coisas para fazer e nós logo no início preferimos o Modo de Exploração que nos obriga a falar com os NPC’s para ganhar o conhecimento de algumas missões secundárias e para termos que procurar os nossos objectivos no mapa, o que pode parecer insignificante mas é muito mais gratificante e muito mais RPG. Como dizia vamos ter várias tarefas que vamos ter de executar umas mais obrigatórias do que outras, para definir a personalidade da nossa personagem, para a equipar, ou apenas para nos levar a arcos diferentes. E digo arcos no sentido que as nossas escolhas feitas ao logo do jogo, vão determinar vários aspectos do jogo, seja ganhar aliados ou inimigos, seja praticamente definir o futuro dos aldeões ou da própria civilização.

Assassin's Creed Odyssey: O Poder da Escolha

Este peso das escolhas é algo que é extremamente benéfico ao jogo e que na minha opinião dá mais ao jogo e na direcção que ele exigia, do que propriamente outros factores que só aparecem para encher. Não é de hoje que eu acho que a questão da águia funcionar como drone da Antiga Cvilização é despropositado, tem algum sentido, mas é desconexo e desnecessário, especialmente se estamos neste Modo de Exploração que vos falava, menos sentido faz. Muito melhor está a questão da evolução da nossa personagem e da possibilidade de evoluirmos o seu armamento e armadura, para além da velocidade com que evoluímos a nossa personagem parece muito sensata, a quantidade e forma como vão surgindo novos items faz-nos gerir o jogo de uma forma diferente e a convidar a essa exploração e até a algumas escolhas mais dificieis. Por outro lado a questão dos Mercenários para mim é mais um factor desnecessário, para além de ser uma cópia chapada da saga Shadow of Mordor/ Shadow of War, por vezes é só parvo, porque estamos muito bem numa missão, a tentarmos não ser apanhados por ninguém e eis que aparece um Mercenário para dar cabo de tudo o que fizemos e levar-nos ao falhanço total da missão.

Assassin's Creed Odyssey: Ep. 1 – Mecânicas de RPG

Para os amantes do Black Flag, as famosas batalhas de navios estão de volta, para além do mapa ser gigantesco, podendo passar horas a navegar e apenas a andar nessas batalhas, a mecânica está muito mais apurada, a resposta é muito mais veloz e fluída, a capacidade dos nossos navios também melhorou, para além da componente RPG também estar metida nesta componente, isto é, podemos recrutar tenentes para a nossa embarcação que nos dão bónus, para além de que podemos customizar a nossa embarcação e evoluí-la também. Agora não temos é canhões, temos a nossa tripulação a lançar flechas e lanças como seria de prever perante o enquadramento histórico.

Assassin's Creed Odyssey: Ep. 3 – Batalhas Navais

Quando ganhamos a liberdade de movimentos de nos podermos deslocar para qualquer zona do mapa, começamos a ter novas mecânicas, pois cada zona é governada por uma “facção”, se quiserem, e temos então que enfraquecê-la de várias formas até assassinar o líder dessa facção, geralmente passa por destruir os mantimentos, matar vários soldados e depois então andamos atrás do líder e pronto. Existem algumas oscilações mas vai passar sempre por este molde que a certo ponto pode parecer repetitivo, não fosse a história, e o peso das nossas decisões irem alterando os factos e os factores e dar uma dinâmica muito interessante.

Graficamente o jogo é poderoso, seja pela vastidão, pelo tamanho do mapa, pela qualidade em criar um mundo fidedigno e detalhado, seja pela qualidade das ondas do mar, das suas profundezas, dos animais, da natureza. A nível de brilho, de iluminação, com tantas armaduras a brilhar até eu fico com inveja, mas onde a melhoria se nota com mais preponderância é mesmo nas caras, mas expressões faciais dos nossos protagonistas mas também de todos os outros NPC’s que vamos encontrando ao longo do jogo, e a correr na PS4 Pro sentimos que o HDR deu um boost, à beleza natural do jogo.

Assassin's Creed Odyssey: A Caçada pela Medusa – Gameplay

Assassin’s Creed Odissey, deu-nos aquilo que prometia, isto é, uma verdadeira Odisseia, uma aventura cheia de reviravoltas, mas sempre com um sentido histórico muito forte e intrínseco, com um mapa gigante e muito detalhado com todas as mecânicas possíveis e imaginárias, algumas até a mais, mas talvez seja um dos AC mais completos até à data, seja por juntar o RPG ao combate e ao stealth, seja pelas escolhas que podemos ter, quer seja pelo Modo de Exploração que oferece, já para não falar das batalhas navais. Para mim o único senão é mesmo a ligação com o Mundo Real, que continua a não fazer muito sentido e a não ter ligação até com o próprio jogador. A Ubisoft precisa de parar um pouco e pensar nisso.

4.0

Sim

  • O jogo mais completo do AC
  • O poder de escolhas e ver o seu resultado
  • Todas as mecânicas foram apuradas, desde as batalhas navais às de RPG

Não

  • A ligação da história com o "mundo real"
  • A saga começa a ficar algo esgotada
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