Desde o primeiro Assassin’s Creed que achei fantástica a maneira como a Ubisoft enquadrava os vários jogos nas diversas épocas em que estes se passavam, e dando um exemplo concreto, todos se devem lembrar como personagens reais como César Borgia, Lucrécia Bórgia, Nicolau Maquiavel ou mesmo Leonardo Da Vinci foram colocados nos jogos da saga de Ezio Auditore. Além disso é possível verificar como as várias equipas que estiveram por trás do desenvolvimento do jogo sempre tiveram um cuidado bastante grande de estudar aquelas épocas, isso é fácil ver-se na maneira como os vários NPC se vestem, ou mesmo da maneira como as cidades estão construídas.

Como é fácil de prever, Assassin’s Creed Origins não foge a essa regra. E isso vê-se logo no nosso personagem, Bayek, um Medjai. Para quem não sabe os Medjai eram os habitantes de uma antiga região do Egipto chamada Núbia. Além disso, foram também uma parte muito importante do principal exercito dos faraós, com bastantes habitantes dessa região a serem oficiais desses exércitos. Como podem ver a Ubisoft pegou facilmente nessa parte real da história, e moldou Bayek, sendo fácil a partir deste ponto justificar como temos um guerreiro tão poderoso. E seguindo o exemplo de títulos anteriores, as personagens históricas também não foram esquecidas, basta para isso referir a famosa Cleópatra, que foi última rainha da dinastia de Ptolomeu. E é precisamente nesse período que decorre o mais recente jogo da saga.

O principal objetivo na vida de Bayek passa pela vingança da morte do seu filho, enquanto isso, vai ajudando a acabar com a injustiça de todos aqueles que tratam os habitantes do Egipto como mero escravos. O jogo começa exactamente com Bayek a matar um dos culpados da morte do seu filho, ao que se prolonga num tutorial dos vários comandos do jogo, como atacar, defender, como nos esquivarmos, etc. Durante cerca de 10 a 15m somos brindados com esse tutorial, o que acaba por ser bem-vindo, principalmente para os novos jogadores.

Se jogaram alguns dos anteriores títulos da Ubisoft, não sentirão qualquer dificuldade neste jogo, sendo que Assassin’s Creed Origins pega nas dinâmicas de Farcry Primal e Tom Clancy’s Ghost Recon Wildlands adaptando-as neste novo jogo. Algo que é facilmente perceptível é a impossibilidade do nosso personagem saltar quando quer, basicamente só podemos saltar ou subir obstáculos quando estamos encostados a eles, claro que neste caso esta opção foi adaptada, visto que podemos escalar quase tudo o que se encontra no jogo. Outro dos conteúdos transportados dos títulos referidos anteriormente é a possibilidade de analisarmos o terreno a partir do céu, falo por isso de uma espécie de “drone”, que encontra paralelo em Farcry Primal, dado que tínhamos um mocho para nos fazer esse trabalho, já em Tom Clancy’s Ghost Recon Wildlands era o drone e agora em Assassin’s Creed Origins temos uma águia. Para finalizar estes pontos idênticos entre jogos temos a transformação de uma saga que sempre foi um jogo de acção passar para um RPG puro, mas sempre com bastante acção.

Falando então da águia, esta será uma das principais opções que temos neste Assassin’s Creed Origins, afirmo isto porque certamente que antes da maioria das missões a usarão para analisar o local onde a missão se passará, assim como marcar o local onde se encontram os inimigos e até itens que podem apanhar, ou mesmo pergaminhos com segredos para desvendarmos. Além disso será possível aumentar a utilização da águia ao longo do tempo, desbloqueando opções como meter a nossa águia a atacar os nossos inimigos. Como é fácil perceber, a nossa águia é uma mais valia para a conclusão das nossas missões e uma excelente adição ao jogo.

Um ponto que os fãs da série podem não gostar é alteração do jogo para um RPG, como sabemos os anteriores Assassin’s Creed eram jogos de pura acção, com diversas missões, mas que o que interessava era apenas a nossa habilidade com o comando para concluir o jogo. Com esta alteração, os jogadores são obrigados a melhorar Bayek ao longo da sua jornada.

Também foram acrescentadas algumas missões secundárias ao jogo, e estou a ser simpático quanto ao termo, porque na realidade as missões secundárias abundam por todo o jogo. E na verdade nem pensem em fugir delas, uma vez que terão de depender delas de modo a subirem o vosso personagem de nível.

Todos os inimigos têm também um nível, e não se achem capazes de atacar inimigos com 8 ou 10 níveis acima de vocês porque é quase um suicídio, o jogo nesse aspeto está bastante equilibrado, e a melhor opção a tomar é no máximo atacar inimigos com 3 ou 4 níveis acima dos vossos. Outra das opções que apareceram com esta alteração é a árvore de habilidades, por cada nível que sobe recebem um ponto de habilidade, e se no inicio esse ponto serve para desbloquear uma habilidade, a verdade é que depois começam a precisar de 3 e 4 pontos de habilidades para desbloquear habilidades mais interessantes. Portanto é importante que escolham exatamente o que querem do vosso personagem.

Assassin’s Creed Origins é um open world de um tamanho gigantesco, segundo a Ubisoft este representa quase por completo o tamanho real do mapa do antigo Egipto. Vão passar imensas horas a percorrê-lo e com diversas missões, entre deserto, cidades (algumas bastante grandes como por exemplo Alexandria), pirâmides (não estivéssemos a falar do Egipto) e até zonas com lagos e rio. Se esperavam que tudo fosse areia, estavam bem enganados. Convêm referir que para se deslocarem neste grandioso mapa podem andar a pé, de cavalo, camelo ou barco. Existem igualmente zonas de viagem rápida, para isso têm apenas de subir aos pontos altos marcados no mapa e fazer a sincronização como sempre aconteceu em todos os Assassin’s Creed. Depois disso irá aparecer-vos tudo o que existe para fazer numa determinada zona do mapa, e no fim, toca de fazer o famoso salto da fé.

Quanto a armas que podemos usar, ainda são algumas, desde bastões, espadas, facas, espadas de duas mãos, ou mesmo vários tipos de arco em flechas. E se estão a pensar se ainda temos a nossa famosa arma de pulso, claro que sim, senão não seria um Assassin’s Creed. Também têm ao vosso dispor escudos e armaduras.

Depois de descrever a maioria das coisas que o jogo nos apresenta, posso dizer que me diverti imenso a jogar Assassin’s Creed Origins, até pela liberdade que este nos oferece: podemos nadar, caminhar, correr, andar a cavalo ou camelo, subir colinas ou edifícios. Os combates estão interessantes, não são demasiado difíceis, mas também não se apresentam demasiado fáceis, acho que estão no ponto. Quanto a missões, temos imensas, com jogo para diversas horas, e se gostam de usufruir de jogos de mundo aberto – como eu gosto – então acreditem que merece ser jogado lentamente e com bastante calma.

Graficamente o jogo está brilhante, ao ponto de já se encontrar preparado para suportar 4K na Xbox One X. As texturas estão excelentes, os movimentos do nosso personagem estão fluidos, e até os monumentos nos deixam impressionados. Quanto aos efeitos sonoros, também estão bastante bons, e a Ubisoft nesse campo raramente tem falhado. Infelizmente aconteceu-me por vezes ficar preso em zonas do cenário, principalmente quando saltava de zonas altas.

Assassin’s Creed Origins, e passe a redundância, mudou bastante em relação à sua origem. Acredito que posso dizer que soube superar-se, trazendo à franquia uma nova maneira de ser jogada e acrescentando alterações bastante interessantes. É provável que nem todos os fãs estejam de acordo comigo, mas outros estarão certamente. Na minha opinião, mudou para melhor, soube evoluir para os novos tempos, e para aquilo que a Ubisoft já nos mostrou que sabe fazer de melhor. Vale a pena pegar neste novo Assassin’s Creed.

4.5

Sim

  • Graficamente está excelente
  • Uma jogabilidade bastante apurada
  • Uma mapa gigantesco com diversas missões
  • A componente RPG do jogo dá-lhe uma nova vida

Não

  • Alguns bugs, por vezes o nosso personagem fica preso no cenário.
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