Seria difícil escolher melhor ocasião para lançar um jogo inspirado nos contos de H.P. Lovecraft, do que o Halloween, e Call of Cthulhu chega precisamente com a intenção de ser como uma materialização do oculto.

Desenvolvido pelo Cyanide Studio, Call of Cthulhu facilmente conseguiu provocar a curiosidade do público em geral. Não é um Horror Survival como possam crer, é mais virado para o suspense, e com alguns aspectos de RPG, aproveitando engenhosamente algumas ideias muito felizes que foram imortalizadas em Amnesia.

 

 

Call of Cthulhu – Preview to Madness Trailer

 

 

Desengane-se quem espera por muita acção. Primeiro que tudo, Call of Cthulhu é um título de investigação, e com uma certa tendência em tornar-se num jogo de culto, visto conjugar vários elementos que dificilmente encontraríamos reunidos noutro lado.

Aborda a história de Edward Pierce, em Boston, no ano de 1942, num período da sua vida cheio de dúvidas existenciais, e que é escolhido, como última alternativa, para investigar um caso sensível relativamente a uma família importante de Darkwater. Sendo um jogo que depende essencialmente da história, não vou entrar em muitos pormenores, todavia, poderei revelar que Pierce, desde o início, acorda literalmente de um pesadelo, e mergulha na loucura que é o mundo de Call of Cthulhu.

 

 

Call of Cthulhu – Launch Trailer

 

 

Como é baseado nas histórias de H.P. Lovecraft, tem sempre o místico e o sobrenatural bem presentes, e não podia ter melhor complemento do que a curiosidade provocada pela missão de descortinar a misteriosa morte que está na origem da nossa investigação.

Call of Cthulhu é como mergulhar na loucura e não ter ideia de como sair, e dada a personalidade transtornada e destrutiva de Pierce, é o suficiente para, por vezes, não conseguirmos distinguir o que é real, do que não é.

Tudo tem de ser encarado na base da intuição e da interpretação. A nossa alma de investigador tem de ser inevitavelmente invocada, já que nada acontece ou é dito sem razão. Nesse sentido, desconfiar torna-se uma qualidade valiosa, e para ajudar, como tem uma vertente de RPG, existem pontos que vamos acumulando e podemos usar para melhorar certos atributos; quase todos no âmbito das nossas capacidades intelectuais, tal como a Psicologia, Investigação, Eloquência, Ocultismo, entre outros.

Grande parte dos atributos vão evoluindo conforme a nossa progressão, no entanto, a especialização de outros será adquirida através de livros, e o que torna tudo mais interessante, é que o próprio rumo da história será influenciado por esses mesmos recursos. Uma mistura de estilos que funciona surpreendentemente bem, e quem pretende desempenhar um papel numa história complexa e bem construída, tem aqui uma excelente opção.

 

 

Call of Cthulhu – Gameplay Trailer #2

 

 

Desenvolvido em ambiente Unreal Engine, não é um primor gráfico. Há mesmo alturas que sentimos estar algo datado, isto se compararmos com o que podemos ver nos dias de hoje. Porém, tem ainda assim o seu encanto, especialmente se olharmos para toda a atmosfera criada. Sempre sombrio, o universo visual e sonoro de Call of Cthulhu tem a capacidade de nos deixar constantemente tensos, mas ao mesmo tempo curiosos e desejando saber o que se passará a seguir. Uma autêntica conquista das mentes que imaginaram a envolvência que acompanharia a história.

Call of Cthulhu é um jogo que, acima de tudo, entretém o jogador. É mais apontado a um público que não só procura principalmente preencher-se de uma história com profundidade, mas tem também a necessidade natural de descobrir e explorar. Muitíssimo bem montado, é um jogo que ocupará durante várias horas o mais inquieto e curioso dos espíritos, e que certamente não desiludirá quem procura uma aventura dentro dessa matriz.

4.0

Sim

  • História muito bem construída e interessante
  • A atmosfera é arrepiante e consegue o efeito desejado

Não

  • Podia estar melhor a nível das texturas
Author Nuno Mendes
Published
Categories Análises Pc e Mac
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