Se existe jogo que chegou ao mercado e não deixou ninguém indiferente foi Cuphead. O Studio MDHR, que desenvolveu o jogo trouxe-nos uma obra prima como nunca tínhamos visto antes. Não que o género seja novo, nada disso, jogos de plataformas, é o que mais existe no mercado, a diferença de Cuphead está na sua apresentação – mais precisamente no seu conceito gráfico e na sua banda sonora.

E vamos começar por isso mesmo, pela sua apresentação: Cuphead é claramente inspirado nos primeiros desenhos animados da Walt Disney e da Warner Bros, não falo das personagens, mas sim da maneira como eram feitos os desenhos animados naquela altura Estamos a falar dos anos 20 e 30, ainda a preto e branco, onde tudo era desenhado em papel, e onde as folhas corriam a uma velocidade alucinante para nos dar a sensação de movimento. Calma, Cuphead não tem nada de preto e branco, tem até bastante cor, não só os seus gráficos, mas em tudo o que nos transmite – enche-nos a alma ao jogar, é claramente algo diferente e inspirador.

Quando ao som e à sua banda sonora, aqui temos Jazz puro, sempre com um nível de andamento bastante razoável e com uma qualidade excelente. A verdade é que esta banda sonora foi feita à medida para o jogo, e encaixa que nem uma luva em todas as suas fases, ao ponto de por vezes não darmos por ela; tornando os gráficos, a música e a sua jogabilidade uma simbiose perfeita que nos faz entrar naquele mundo e não querer de lá mais sair.

O jogo é composto por diversos mapas, desbloqueados sempre que finalizamos todos os seus níveis. Ao todo são cerca de 26 níveis, e a maioria coloca-nos em lutas contra bosses dos mais variados estilos (iremos aprofundar isso mais à frente), e outros de plataforma. Contudo, não são umas plataformas quaisquer, são níveis com uma dose de insanidade brutal. Eu imagino a piada que deu aos criadores de Cuphead quando acabavam de finalizar cada um desses níveis e pensavam, “como eu gostava de ver os jogadores a tentar bater isto, para me divertir com a frustração que deve causar”. Não julguem que estou a brincar, pois a dificuldade é impiedosa, e podem ter a certeza que dificilmente vão passar seja que nível for à primeira.

Para vossa sorte, não existe quase nada de aleatório nos diversos níveis, o que significa que facilmente conseguem perceber as sequências dos inimigos e com isso superar os vossos problemas. Porém essa é a outra parte que por vezes nos faz desesperar, uma vez que sabemos o que temos de fazer, mas saltamos cedo, ou tarde demais.

Como disse anteriormente, a maioria dos níveis é composta por lutas com bosses, o jogo chegou mesmo a ser pensado para ser apenas assim, algo que depois foi alterado. Se os níveis de plataformas são um tormento, então as lutas com bosses são demoníacas. Temos bosses de todos os jeitos e feitios, onde de tudo nos pode acontecer: sermos esmurrados, espezinhados, bombardeados, entre muitas outras coisas. A verdade é que isto tem de ser vivido, não será nenhum vídeo ou análise que conseguirá trazer a experiência que é jogar Cuphead, é mesmo daqueles para ser testado, experimentado, vivido e entrar diretamente na categoria de culto.

Cuphead pode ser jogado a um ou dois jogadores, sempre em modo local. O que significa que o primeiro jogador irá controlar Cuphead (o nosso personagem tem o mesmo nome do jogo), e o segundo jogador irá controlar Mugman. Se jogado apenas com um jogador é tudo aquilo que descrevi até agora, então com um amigo ao nosso lado torna-se ainda melhor – é diversão a dobrar. Todavia significa também o dobro da frustração, e muita risada à mistura. Posso dizer que tive a oportunidade de jogá-lo com o Pedro Completo e parecíamos dois autênticos miúdos com o brinquedo novo na mão. Jogar Cuphead com alguém, proporcionará momentos memoráveis, disso vós garanto.

FOs bons jogos devem estar à disposição de todos os jogadores, seja qual for a sua plataforma de eleição, e nesse sentido, fico feliz por Cuphead fazer parte do lote Xbox Play Anywhere, porque pelo menos neste caso, tantos os jogadores da Xbox One como do PC terão a possibilidade de se divertirem tanto quanto eu me diverti. Este para mim ficará como um dos melhores do ano, aconteça o que acontecer. Se o ano passado Unravel foi um dos jogos que mais me animou, este ano, Cuphead é sem dúvida o seu sucessor.

Finalizando, Cuphead é um jogo memorável, oferece-nos diversão, superação e claro alguma frustração, mas isso faz parte. É diferente de tudo aquilo que estamos habituados e isso é bom. Numa altura em que os jogos tendem a ser todos bastante semelhantes, Cuphead mostra-nos que afinal ainda se pode fazer coisas diferentes e brilhantes. Um jogo simplesmente imperdível.

5.0

Sim

  • Gráficamente magnifico
  • Banda Sonora genial
  • Uma dificuldade de nível insano (no bom sentido)
  • Uma lufada de ar fresco na industria

Não

  • Alguns níveis podem trazer-vos uma enorme frustração!
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Categories Análises Pc e Mac Xbox
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