Estamos claramente na geração das remasterizações, onde as companhias usam e abusam dos seus anteriores sucessos para voltarem a colocar jogos no mercado. A verdade é que parece que os jogadores desta geração gostam disso, e se olharmos para o número de vendas destas reciclagens visuais, verificamos que são um sucesso. E é depois de as jogarmos que percebemos facilmente o porquê disso acontecer: primeiro, os tempos de loadings são muito melhores (graças à potência das consolas desta geração); depois, temos os gráficos melhorados que obviamente tornam os jogos mais atractivos (além do aumento de fps); e por último, a oportunidade de melhorar alguma da jogabilidade, assim como alguns bugs agora corrigidos.

Foi precisamente isso que a From Software fez. Depois do enorme sucesso que Dark Souls 3 teve há cerca de dois anos, não existia melhor altura para voltar a lançar o primeiro jogo da trilogia para a nova geração. Dark Souls Remastered oferece-nos tudo aquilo que enunciei anteriormente, e não é propriamente um jogo para todos. A dificuldade é elevada, a frustração é extrema e só consegue rivalizar com o sentimento de superação. Caso seja a primeira vez que estejam a jogar, provavelmente a mensagem que mais vos aparecerá no ecrã será “You Died”. Mas não desmotivem, Dark Souls funciona como uma dança, e se no inicio parece difícil, onde calcamos os pés da nossa parceira(o), eventualmente aprendemos a seguir o ritmo da música e tudo se torna natural.

Bastante importante é escolhermos a classe que mais se adequa à nossa jogabilidade. Existem 10 classes que podem ser escolhidas, e obviamente as mais conhecidas são Warrior, Knight, Thief, Hunter e Sorcerer. Dark Souls é um RPG onde podemos moldar as características do nosso personagem, o que significa que até podem escolher um Knight no início do jogo para se sentirem mais seguros com as vossas possíveis falhas, devido à sua maior defesa (embora fraca mobilidade). Depois, com o ganhar de experiência de jogo, tentem que o vosso personagem ganhe uma melhor mobilidade. Até nesse sentido Dark Souls sempre foi um jogo bastante interessante.

Todos os inimigos têm algo de único, seja no atacar, no defender, na sua movimentação, enfim, existe sempre algo para nos surpreender. É importante deixá-los mostrar as suas “habilidades”, já que nos ajuda a estudá-los e assim ganhar uma maior confiança para os atacar sem sermos surpreendidos. E estou apenas a falar nos inimigos mais “normais” que vamos encontrando durante a nossa caminhada, porque o pior de Dark Souls são mesmo os Bosses. Estes últimos, têm sempre diversas fases, e tudo continua a depender da sua barra de energia. Se no inicio têm certos ataques, depois de lhes retirarmos alguma parte da energia, preparem-se para eles se tornarem ainda mais ferozes, ao ponto de por vezes nem nos apercebermos como é que fomos derrotados.

A trilogia de Dark Souls, assim como Dark Souls Remastered, oferece-nos uma experiência de jogo única, tanto a nível de jogabilidade, onde somos obrigados a ser pacientes, assim como a nível de aprendizagem. Os cenários que nos são apresentados são quase únicos, cenários medievais com castelos, igrejas e zonas extremamente cinzentas encaixam como uma luva neste jogo. Criaturas com um design único que devem ser apreciadas, mas também odiadas devido às suas vontades obsessivas em nos matarem a qualquer custo.

Caso adquiram o jogo, não se assustem com a escolha da classe e da personalização do vosso personagem, isto porque foi um dos pontos que parece ter ficado esquecido pela equipa que fez a renovação gráfica. Se já no primeiro jogo esta escolha parecia que estava a ser feita a partir de uma consola da geração anterior, em Dark Souls Remastered isso também acontece. Graficamente é o local onde o jogo está pior, texturas fracas, e visualmente pouco atractivo. Para não dizer que qualquer um dos rostos que podemos escolher parece tirada de um filme de terror.

Passada essa parte, e quando entramos no jogo, aí sim, verificamos o extraordinário trabalho que foi feito. Graficamente o jogo está excelente para uma remasterização, obviamente não apresenta gráficos da nova geração, mas chega bastante perto disso. Uma melhoria substancial são os 60 fps estáveis, assim como a possibilidade de upscaling para 4K na Xbox One X e PlayStation Pro. Quanto ao PC, apresenta também os 60 fps, mas tem os 4K nativos.

Algo importante de referir é a adição da expansão Artorias of the Abyss, tornando Dark Souls Remastered numa espécie de versão definitiva do jogo. Sem esquecer os servidores dedicados que esta versão apresenta, permitindo aos jogadores uma experiência online bastante diferente da testada aquando do lançamento do jogo na sua primeira versão.

Dark Souls Remastered é uma daquelas remasterizações extremamente competentes, essencial para quem nunca jogou nenhum jogo da trilogia ou para quem apenas jogou os mais recentes. Para os jogadores que já jogaram o primeiro, é preciso ser muito fã para voltar a “sofrer” com toda a frustração que este jogo nos oferece ao longo da sua jornada. O momento em que conseguimos finalizar Dark Souls deixa-nos com a sensação de dever cumprido.

4.5

Sim

  • Um óptimo trabalho no aspecto gráfico
  • Jogabilidade excelente e extremamente desafiante
  • Adição de Artorias of the Abyss foi muito bem vinda

Não

  • Não é um jogo para qualquer jogador.
  • Cuidado com os comandos partidos!
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