Ahhhhhh Devil May Cry, o jogo que talvez mais joguei e repeti. Ainda me lembro das largas noites em que eu e o meu amigo Lemos nos juntávamos lá em casa para virar o jogo de fio a pavio. Naquela altura não saiam tantos jogos como isso nem tinha dinheiro para isso, portanto tínhamos mesmo de fazer tudo na perfeição e várias vezes para desbloquear tudo e foi um autêntico prazer. No entanto nem todos os Devil May Cry tiveram o mesmo impacto na minha vida, talvez porque a história também não puxasse assim tanto, pelo menos até o reboot que apareceu anos mais tarde onde se sentia que aquele frenesim dos combos voltou a sentir-se e a dar a pica do antigamente.

É com este espírito que embarquei na remasterização, que está tão em voga, de Devil May Cry. Aqui a questão é que a remasterização já não é assim tão novidade, já tinha acontecido, então a questão era se é mais um port ou se haviam novidades, especialmente em termos gráficos e de fluidez do jogo. Ora bem nesse campo notam-se várias melhorias nas texturas e trabalho na fluidez do jogo para as resoluções e capacidades das novas máquinas, nomeadamente na que testámos, na Xbox One X. É claro que de jogo para jogo já existiram melhorias significativas, nomeadamente quando chegamos a DMC 3, mas todos levaram um face lift, mas não mais do que isso, não existiu uma reestruturação gráfica.

Não tendo a certeza que todos os que lerem esta análise conhecem o universo de DMC, dizer que o jogo nasce para o mundo em 2001 e tornou-se um sucesso, de tal forma que a Capcom começou logo a trabalhar na sua sequela. O mais curioso é que o jogo surge a partir de um projecto abandonado para o Resident Evil 4 e de um bug que acontecia no Onimusha, onde podíamos basicamente fazer malabarismos com os inimigos, na verdade mal eles sabiam que isso ia ser quase trademark do jogo, os combos no ar e a devastação de ataques sincronizados e sei lá o quê. No entanto dizia eu, a sequela saiu logo dois anos depois, em 2003, e vendeu mais uma vez muito bem, dando seguimento à narrativa do primeiro, mas podendo agora jogar com Lúcia e Trish, esta última só depois de completar o jogo em Hard. O segundo jogo não tem grandes alterações a não ser o botão de “esquiva” e o de troca de armas automáticas sem ter de ir ao menu. Como o DMC 2 vendeu bem, vamos lá ao terceiro né?! Até porque a Capcom sempre foi assim em todas as séries, DMC 3: Dante’s Awakening acaba por ser o primeiro, isto é, a nível temporal da narrativa, pois acontece 10 anos antes do primeiro. Basicamente acompanhamos a história de Dante e do seu irmão gémeo Vergil, com que podemos jogar também, aquando Dante monta o seu negócio de caçador de prémios. O jogo na altura foi criticado pela sua elevada dificuldade, mas acabaria por ser um ponto a favor ao longo do tempo.

Uma das coisas boas desta remasterização é que podemos jogar a trilogia pela ordem correcta dos acontecimentos começando pelo DM3 e depois pelo DMC 1 e 2. Para além disso o jogo conta com alguns extras, nomeadamente a banda sonora de cada um deles e ainda um área repleta de arte conceptual.

Devil May Cry HD Collection acaba por ser obrigatório para aqueles que nunca jogaram a série que foi marcante para a indústria. Para os outros que já tiveram a oportunidade de jogar, até mesmo a remasterização na geração anterior, não vão ter muitas razões para isso, visto que existe uma melhoria gráfica, mas não uma recriação de todo o conteúdo e de todos os grafismos. Para mim fã incondicional, foi óptimo reviver as horas e horas dedicadas a Dante, e por isso mesmo, tá mais do que bom!

4.0

Sim

  • Um clássico obrigatório para quem nunca o jogou
  • Possibilidade de jogar na ordem "correcta"

Não

  • Não traz muito de novo para quem jogou na geração anterior
  • É uma espécie de port e não uma remasterização de raíz
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