A franquia Dragon Quest é provavelmente uma das mais conceituadas de todo o oriente. Já com cerca de 32 anos, foi ao tornando-se longo dos tempos, e a cada lançamento, um marco nos JRPG. Obviamente que a Square Enix, aproveitou a marca para outro tipo de jogos, e embora tivessem tido bastante sucesso, a verdade é que é na componente JRPG que Dragon Quest mostra a sua verdadeira natureza e qualidade.

Lançado em 2017, no Japão, Dragon Quest XI: Echoes of an Elusive Age, foi o último jogo da franquia. Tendo sido considerado um dos melhores de sempre, chega agora a vez do ocidente recebê-lo e verificar se as críticas altamente positivas, vindas do outro lado do mundo, tinham razão de ser. Depois de diversas horas em que esqueci o mundo, e apenas estive concentrado nesta incrível aventura, a resposta à vossa pergunta é bastante simples: este é um dos melhores JRPG de sempre!

Depois de ficarem a saber o que tanto desejavam, vamos lá começar a falar sobre o que este magnifico jogo nos têm para oferecer. E podemos começar logo pela sua história, que apesar de ser algo previsível, consegue ser bastante boa. Mais uma vez, estamos perante uma luta do bem contra o mal, porém, o seu início começa logo de uma maneira que nos prende ao ecrã, isto é, com a tentativa de assassinato de um bebé, que é a reencarnação do Luminary, sendo nesse momento que a mãe tenta salvar a sua criança numa fuga desenfreada pela floresta, enquanto a transporta num pequeno cesto. Por sorte, a criança é levada pelo rio e salva, quando é encontrada por um velhote que pescava calmamente numa bela manhã de sol.

DRAGON QUEST XI – “A Legend Reborn” (Launch Trailer)

Nesse mesmo momento, o velhote decide ficar com aquela criança, muito devido ao que encontra escrito numa carta que se encontrava dentro do cesto. Com isso passam-se vários anos e o jogo começa quando o personagem principal já é um jovem adulto. Tendo sido sempre criado na aldeia de Cobblestone, o nosso Luminary terá pela frente a tarefa de subir ao alto de uma colina, como sempre aconteceu naquela aldeia quando alguém chegava à idade adulta. Acontecem algumas peripécias nessa pequena aventura, em particular quando a marca da sua mão se acende e cai um enorme raio do céu, salvando a sua vida, sendo nessa altura que o jovem percebe que aquela marca tem algo especial. Quando a sua mãe adoptiva sabe do sucedido, conta-lhe de que ele é a reencarnação do Luminary, e terá de ir falar com o rei e mostrar-lhe um colar que tinha ao pescoço quando foi encontrado. E eis que a nossa aventura começa.

Como é fácil perceber perante este início, opções não faltaram à equipa que escreveu o enredo do jogo. É uma história que permite um pouco de tudo. E posso desde já referir que não vão conseguir fugir de pelo menos 60 horas de jogo – isto caso façam as coisas a pensar apenas na história principal – porque se decidirem (e bem) fazer as missões secundárias, explorar todos os locais que encontram e irem tentado melhorar todo o vosso equipamento, então chegam facilmente às 80 horas de jogo.

Todas essas horas de jogo não serão passadas sozinho, como aconteceu em outros jogos da franquia, porque em Dragon Quest XI iremos ter a companhia de diversos personagens que vamos conhecendo na nossa viagem. Uns mais carismáticos, uns com personalidade forte, outros teimosos, outros sempre prontos para dizer uma pequena piada, e todos eles importantes na nossa aventura. Temos feiticeiros, healers, daggers, fighters, um pouco de tudo, e obviamente, toda esta mistura ajuda-nos numa das partes mais importantes do jogo, na hora do combate. Mas sobre isso falaremos mais à frente.

DRAGON QUEST XI – "Prologue Movie"

Se a história em si já é bastante boa, a sua jogabilidade é sem dúvida a cereja no topo do bolo, e o que fará certamente as delícias dos fãs da série. O nosso personagem pode deslocar-se livremente pelo mapa, saltar, andar a cavalo, mas não só. Os santuários, padres e estátuas continuam a ser as referências que devem procurar para poderem salvar o jogo, se bem que ele vai fazendo um autosaving em diversos locais. Existem também as fogueiras onde podemos descansar e revitalizar as nossas energias, além de também poderem criar equipamentos, armas, armaduras e jóias.

O sistema de crafting de Dragon Quest XI está incrível. Primeiro precisamos de encontrar as receitas para conseguir fabricar as coisas, mas além disso, é preciso forjá-las à mão, e para isso há um sistema onde temos de ir acertando a temperatura ideal de maneira a conseguir ir criando o objecto desejado. Caso consigamos acertar nos vários locais com as temperaturas ideais, então conseguimos criar sempre equipamento acima da média, e que significam status melhores do que os que poderíamos comprar em qualquer loja. Além disso, é também possível tentar melhorar os nossos equipamentos, e nesse caso o sistema é idêntico ao que acabei de explicar. Claro que para criar equipamento é preciso material, dai ser essencial a exploração no mapa, ou então ter dinheiro suficiente para quando encontrarmos uma loja conseguir comprar os ingredientes necessários.

Já que estamos a falar de um JRPG, não podemos fugir à progressão dos nossos personagens, e aqui posso dizer que todo o jogo está bastante equilibrado. Como é habitual, temos uma barra de progresso onde sempre que atingimos a experiência pretendida subimos de nível, e com isso melhoramos diversas coisas, como vida, mana, força, etc. Recebemos igualmente pontos de habilidade que servem para desbloquear melhoramentos e habilidades na skill tree que podemos encontrar em cada um dos nossos personagens.

DRAGON QUEST XI – “The Legend of the Luminary” (E3 2018 Trailer)

O combate está excelente para um jogo de combate por turnos. Digo isto porque é possível movimentarmos os nossos personagens na área de combate, e escolher o ataque que vamos usar; ou até fazer combinações entre personagens quando estes entram em determinados estados. Esses estados são adquiridos depois de diversos combates e ficam activos durante alguns turnos, aumentando a força e habilidades dos personagens.  Como sempre, podemos ser nós a dar todas as instruções de combate, mas também é possível dar apenas pequenas dicas, sendo o jogo a comandar toda a luta. Para combates simples é bastante útil, mas quando se tratam de bosses, o melhor é mesmo serem vocês a comandar todas as operações.

O próximo ponto em que nos vamos focar é a componente gráfica, e aqui não existe como enganar, já que digo sem grandes problemas que é provavelmente o JRPG que joguei até hoje com melhor qualidade gráficaDragon Quest XI subiu muito a fasquia, apresenta-nos gráficos magníficos, cheios de cor, luz e com detalhes só vistos em filmes de anime. Os monstros estão muito bem desenhados, assim como todos os NPC’s, cidades e locais do mapa. Tudo é simplesmente incrível, para não falar das cutscenes, que são de ver e chorar por mais. Extremamente bem feitas, cujos movimentos dos personagens estão brilhantes. Tudo ao bom estilo anime, não fosse Akira Toriyama (o criador de Dragon Ball) a ter feito todo o trabalho gráfico.

A componente sonora também está muito boa. Os diálogos estão excelentes, a dobragem para inglês ficou muito boa, e até os personagens têm diferentes sotaques. Uns com um sotaque britânico bastante acentuado, outros com um inglês mais genérico, mas nota-se que existiu um esforço enorme para que tudo ficasse perfeito, e a verdade é que isso aconteceu mesmo. Apesar das músicas não serem brilhantes, dão bem conta do recado. Além da principal música do jogo ser transversal a todos os Dragon Quest, mesmo as outras oferecem-nos uma nostalgia que nos lembram facilmente de outros jogos da franquia.

Concluindo, Dragon Quest XI: Echoes of an Elusive Age é um dos melhores JRPG que podem encontrar no mercado. É de longe o melhor jogo do género de 2018 oferecendo uma aventura incrível, com um grafismo brutal, e um combate bastante equilibrado e viciante. É um jogo obrigatório para qualquer fã de Dragon Quest, e para os fãs de JRPG. Seria mesmo um “crime” este jogo passar-vos ao lado.

5.0

Sim

  • Uma aventura extraordinária
  • Um grafismo excelente
  • A jogabilidade como os combates são incríveis

Não

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