Nenhum outro shooter é tão importante para o conceito do Open World como a saga Far Cry. Um nome que ajudou a desenvolver o género, especialmente a partir do segundo título do franchise, e é hoje uma das referências dominantes. É actualmente impossível pensarmos em jogos que tenham lugar em cenários de mundo aberto e não nos lembrarmos imediatamente de Far Cry, que é também conhecido pela tradição de nos trazer vilões marcantes na história mais recente dos videojogos.

Mas Far Cry tem ainda uma característica muito única, porque além de se manter fiel às origens, tem uma maneira sempre surpreendente de se reinventar. Far Cry 5 não é diferente. Segue a mesma linha de exploração e liberdade, e apresenta-nos ao aterrorizante Joseph Seed, um fanático líder do culto religioso Eden’s Gate.

 

 

O seu intenso começo demonstra isso mesmo. Primeiro com uma breve, mas explícita introdução aos elementos básicos da história, e de seguida empurrando-nos para o mundo aberto de Hope County, em Montana. A experiência que a Ubisoft foi acumulando ao longo dos anos, até noutros jogos que seguem um modelo similar, como Assassin’s Creed, Watch Dogs e The Division, torna os aspectos mais importantes e transversais aos bons jogos, em algo que se vai descobrindo de forma subtil e natural.

Um bom exemplo é o tutorial, que nos vai apresentando sem pressa ao fundamental de Far Cry 5. Tudo cirurgicamente estruturado, para que a aprendizagem se misture discretamente com o desvendar de todas as possibilidades. Desta vez, com a hipótese dessa descoberta ser feita a dois, visto que é possível completar a história em Co-op.

Na história não se pretende criar algo psicadélico, nem tão pouco rocambolesco. Sim, é rebuscado, como qualquer cenário onde tivéssemos de enfrentar maníacos religiosos seria rebuscado, no entanto, o principal objectivo é criar um plano de fundo para que tudo possa funcionar, num mundo que se pretende vivo, complexo e dinâmico.

 

 

A região rural e selvagem de Hope County está dividida em três partes, e cada uma delas entregue a um membro da família Seed, os quais teremos de enfrentar um de cada vez. Para isso, iremos transformar-nos na face da resistência, libertando a população local de um regime que os controla através do medo e do fanatismo. Na verdade, eles esperam desesperadamente que alguém tome a iniciativa e os lidere, e é por isso que se juntam a nós sem qualquer hesitação. A ajuda vem de diferentes formas, e até aí devemos saber escolher conforme a situação e o nosso próprio estilo de jogo, porém, não se resume apenas aos habitantes da região, porque até animais podemos recrutar.

A acção é o normal que podemos encontrar num título Far Cry, contudo, agora mais entrelaçado no ambiente em volta, tornando-se mais imprevisível e caótico. Os perigos estão escondidos, e podem surgir de qualquer lado, onde até a natureza, e nomeadamente os animais selvagens, conseguem ser implacáveis.

 

 

Continua a ser necessário algum reconhecimento do terreno e da localização dos inimigos quando decidimos atacar um Outpost, mas diga-se, esse era um dos aspectos que não podiam faltar, já que sensação de realidade no combate é inseparável da franquia. Todavia, não há uma estratégia certa quando se trata de abordar uma batalha, e tanto há lugar para aqueles que gostam de pensar o assalto com calma, como para os mais impacientes que não querem perder tempo com grandes planos.

Dado que o mapa ainda tem um tamanho considerável, não podiam faltar veículos, e é possível conduzir de tudo um pouco, desde carros, a camiões, motas, barcos, e até avionetas ou helicópteros. Aliás, “variedade” é mesmo a palavra de ordem, e além de um sistema de progressão muito bem construído, que nos permite ir ganhando importantes habilidades, basta olharmos para a enorme quantidade de armas que temos à nossa disposição, e ficamos com uma pequena ideia do esforço que foi feito para nunca nos sentirmos aborrecidos.

Talvez a maior prova disso é o novo modo Arcade. Um editor com um número quase infinito de opções, onde podemos inclusivamente aproveitar diversos elementos de outros jogos da Ubisoft, e que nos deixará jogar em mapas criados e partilhados por outros jogadores, tanto em singleplayer, multiplayer e co-op. Foi a principal novidade desta versão, e o sucesso tem sido evidente.

 

 

Escusado será dizer que Far Cry 5 é uma beldade do ponto de vista gráfico, cujas vistas são geralmente de cortar a respiração. E se o panorama de vegetação selvagem sabe sempre como adoçar o olhar, os efeitos sonoros acompanham igualmente os méritos visuais na perfeição, criando uma envolvência constante, e oferecendo realismo à experiência.

Depois de ter sido acusado de alguma estagnação, a série renasce, demonstrando ainda estar bem viva. O legado era pesado, mas o quinto título da saga sai totalmente vencedor, e dá também o mote para os que se seguem. A jogabilidade é fantástica, e a vontade de levar a história até ao fim é praticamente irresistível.

Na mosca, Ubisoft!

4.5

Sim

  • Um enorme mundo para explorar
  • Graficamente espetacular
  • Bastante variedade

Não

  • Pequenos bugs
Author Nuno Mendes
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