A série Fire Emblem já faz parte do universo Nintendo há vários anos, mais precisamente, desde Fire Emblem: Ankoku Ryu to Hikari no Tsurugi e lançado em 1990 para a Nintendo Entertainment System (NES). Por incrível que pareça, a maioria das consolas da Nintendo têm recebido desde essa data diversos jogos desta série e quase sempre com bastante sucesso.

Nos últimos anos, esta série tem saído apenas para a família de consolas Nintendo 3DS e desta vez a análise que trazemos é de Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia, que será lançado no próximo dia 19 de Maio. Uma versão reformulada de Fire Emblem Gaiden, lançado em 1992 para a NES, mas que nunca chegou a ser lançado na Europa.

Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia é um role-playing-game (RPG) por turnos, mas essencialmente é um romance passado num tempo medieval, em época de guerra e com algumas tramas religiosas. Passado no continente de Valentia, a introdução mostra-nos os dois personagens principais quando ainda eram crianças – Alm e Celica – e ainda viviam com o avô de Alm, numa pequena aldeia na zona mais a sul do Reino de Zofia. O avô de Alm, Sir Mycen, é um um ex cavaleiro do antigo rei que fora assassinado no reino de Zofia – um dos melhores guerreiros da sua época.

Como é fácil de perceber logo no início da história, Alm e Celica têm uma química muito própria, são dois amigos inseparáveis e podemos até afirmar que nota-se claramente que existe algum romance no ar. Embora Celica e Alm sejam bastante felizes a viver com o seu avô, Celica é levada para longe para viver numa outra ilha, ficando os amigos sem saber se algum dia a voltarão a ver.

Um pormenor que não posso deixar de referir e que nos chama logo a atenção no inicio da história, são as marcas que os dois protagonistas apresentam nas suas mãos. Uma marca parecida com um losango numa das mãos de Alm e outra numa das mãos de Celica e apesar de ambos notarem essa coincidência, não sabem razão da mesma.

Outro dos aspectos que diria essenciais para entender o que se passa em Valentia, é perceber que existem dois deuses irmãos neste continente – Duma e Mila – que cerca de 3400 anos antes desta história travaram uma batalha épica para tentarem conquistar Valentia um ao outro. Contudo, nenhum saiu vencedor e decidiram então dividir o continente entre si – Duma ficaria com a zona norte, enquanto Mila ficaria com a zona sul. Cerca de 3100 anos após essa batalha, o Norte ficou conhecido como o Império Rigel e o Sul como o Reino de Zofia.

A nossa acção no jogo começa anos mais tarde, após a separação que vos falei entre Alm e Celica. Quando um guerreiro chega à aldeia – onde vivem Alm e o seu avô – e pede que Sir Mycen ajude um grupo chamado Deliverance a libertar o Reino de Zofia do tirano Desaix, este recusa a proposta e então Alm decide acompanhar o guerreiro e juntar-se aos Deliverance. Como é fácil de prever, Alm é um guerreiro sem igual, visto que foi durante vários anos treinado pelo seu avô. Enquanto isto acontece, Celica sabe destes acontecimentos e decide voltar ao Reino de Zofia.

Como devem imaginar, é apenas um pequeno resumo do início desta história e na verdade, a parte mais interessante e fascinante vem depois destes acontecimentos, algo que terão de ser vocês a experimentar e testar na vossa Nintendo.

Voltemo-nos então para os pormenores do jogo:

O jogo é composto por Actos – no primeiro acto jogam apenas com o grupo de Alm e no segundo com o grupo de Celica e de aí em diante podem jogar com o grupo que vocês quiserem de forma paralela, bastando seleccionar com qual deles irá jogar. Seja com o grupo de Alm ou com o de Celica, no vosso percurso irão recrutar novos personagens para vos acompanhar e podem ter a certeza que se aceitarem todos os personagens que vos irão aparecer ao longo do percurso, acabarão por ter um grupo muito bem composto para todas as batalhas.

Vários personagens já têm uma determinada classe designada desde o início, mas existem outros que são considerados aldeões, nestes, há a possibilidade de quando chegam a um determinado nível, poderem escolher a sua classe. Existem seis classes base: Mercenário, Cavaleiro, Arqueiro, Cavaleiro Pegasus (onde os cavalos podem voar), Mago e Sacerdotisa. Além dessas classes base, podem ainda chegar a uma classe mais alta e para isso será necessário atingir um determinado nível da sua classe base.

Existem sete atributos muito importantes: o valor do ataque que afecta o dano que dão nos inimigos; a habilidade que afecta a frequência de ataques críticos assim como o se o fosse ataque acerta no inimigo; a velocidade que afecta a quantidade de ataques que dão por turno; a capacidade de nos esquivarmos do ataque do inimigo; a sorte que influencia, por exemplo, os críticos dos adversários; a defesa, que é a vossa defesa a ataques físicos; a resistência que nos defende dos ataques mágicos; e por fim, o movimento que significa a distância máxima que podem percorrer por turnos.

Todo este sistema está feito de maneira muito própria e particular. Como podem calcular, todos estes atributos são alterados por escolherem a vossa classe e por subirem de nível. Cada classe é mais forte em determinados atributos, por isso será importante antes de entrarem em combate saberem também a classe do vosso adversário, de forma a determinarem qual a vossa unidade que terá mais vantagem a atacar o inimigo. Este ponto, além de ser importante, poderá ser mesmo vital para determinar quem sai vencedor.

Cada personagem pode carregar um item em combate, que poderá também alterar os vossos atributos. Podem escolher uma arma, um escudo, uma jóia, ou mesmo um consumível, caso a vossa vida esteja nos limites e tudo deverá ser decidido com bastante ponderação. O jogo encaixa todo num sistema estratégico e devem ter sempre isso em mente.

Os combates são previsivelmente por turnos, sendo que em cada um deles, podem atacar com todas as vossas unidades caso estejam a uma distância mínima obrigatória. O jogo funciona num sistema de quadrados e cada personagem pode andar um determinado número de quadrados por turno. Existem diversos terrenos, uns que poderão nos favorecer e outros que até têm efeitos negativos: Nos terrenos pantanosos há a possibilidade de levarmos dano; em locais desérticos o nosso movimento será mais lento; e em locais com arbustos ganhamos vantagem em combate. Como podem ver, tudo é importante e ajuda-nos a definir uma táctica antes de começarmos a atacar. Sempre que um personagem ataca ou é atacado, somos premiados com uma pequena animação correspondente a cada personagem, contudo (algo repetitiva após algum tempo), sendo no entanto possível a opção de as retirar, ou saltar.

Durante os combates, os nossos personagens vão recebendo experiência ao atacarem e eliminarem unidades e é essa experiência que os faz subir de nível como a maioria dos RPG, existindo também a probabilidade de recolhermos alguma das suas armas, assim como itens ou moedas.

O jogo também possui vilas onde conhecemos novas pessoas e por vezes podemos recrutar algumas, tal como locais onde podemos melhorar as nossas armas. Além das vilas existem também Dungeons, estas, ao contrário do que se passa nos combates, são feitas num sistema de 3D na 3º pessoa. É nestas Dungeons que muitas vezes encontram uma estátua de Mila que vos permite alterar a classe dos vossos personagens. Sempre que encontram um inimigo nestas dungeons e eles vos tocam, então voltamos ao sistema de combate por turnos que falei anteriormente.

São-nos apresentadas duas opções, uma para os jogadores clássicos e outra para os jogadores novos ou com menos habilidade neste tipo de jogos (a opção Clássica e a Casual). Na opção Clássica, quando um dos vossos personagens morre em batalha, não pode voltar ao jogo e ficará morto para sempre. Quanto à opção Casual, quando este é morto em batalha apenas não poderá entrar mais no combate que está a decorrer e estará novamente disponível na próxima batalha.

O grafismo do jogo é bastante bom e sabendo nós que estamos a jogar numa Nintendo 2DS/3DS, antes de cada acto somos premiados com algumas cutscenes ou até diálogos entre personagens que nos contam parte da história. Estas cutscenes estão extremamente bem-feitas e enquadram-se perfeitamente no tipo de jogo.

Os diálogos é um dos pontos fortes do jogo e é raro o dialogo que não tem voz, o que nos permite não ter de ler o que está escrito no ecrã. Cada personagem tem a sua própria voz, os diálogos conseguem ser interessantes e ao mesmo tempo um pouco cómicos. É possível também deste modo, conhecer a personalidade de cada um dos personagens, o que nos ajuda também a ganhar mais empatia por uns, em relação a outros.

Quanto à musica que nos acompanha durante a nossa campanha, está de acordo com o jogo em questão, seja em batalhas, nas visitas a aldeias ou mesmo nas dungeons, todas elas encaixam-se muito bem na situação.

Por tudo isto e por muito mais, que só é possível sentir jogando o jogo durante algumas horas, podemos dizer sem problemas que Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia é uma readaptação brilhante de Fire Emblem Gaiden. Deixa-nos presos ao ecrã e garanto que irá ocupar-vos durante bastante tempo. Todo o sistema de combate obriga a uma estratégia e ao posicionamento táctico das nossas personagens como poucos jogos e neste particular, diria mesmo que o sistema está brilhante.

Concluindo, Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia é uma aquisição obrigatória. Seja para quem é fã da série, como para os fãs deste tipo de RPG. Não descansei enquanto não o terminei, uma vez que a sua história e trama está bastante interessante, fazendo o jogador querer sempre continuar a jogar, desvendando assim tudo o que se passa em Valentia.

About The Author

Rui Gonçalves

Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.

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