Ao longo de vários anos, os jogos de sobrevivência com uma pitada de terror à mistura, têm vindo a ser cada vez melhor recebidos pelos jogadores e também pela crítica. Além disso, dentro deste género existem jogos de diversos tipos, alguns mais virados para os first person shooters, outros mais virados para o Role Playing Game, outros totalmente de acção frenética. A verdade é que seja qual for a nossa preferência, existe sempre um survival horror que nos enche as medidas e nos faz passar algumas horas de “agonia” a tentar sobreviver com a nossa personagem, e saber qual o fim de determinada história.

Garage foi lançado recentemente no mercado, um exclusivo para a Nintendo Switch que nos chega pelas mãos da Zombie Dynamics e publicado pela tinyBuild Games. Como já devem imaginar, estamos a falar de um jogo indie com um estilo bastante retro e visto totalmente por cima, onde o role playing game se mistura com uma acção bastante interessante para o estilo.

Em Garage a história é contada de uma forma bastante diferente do habitual, o jogo é composto por diversos capítulos, depois de cada capitulo temos um leve toque da sua história, isto é, vamos conhecendo a história deste jogo ao longo do nosso percurso. Para vos dar uma pequena ideia, posso dizer que somos um antigo traficante de drogas que tem como objectivo salvar uma mulher de uma garagem. Obviamente que a história é mais complexa do que apenas isto, mas perdia toda a piada se vos contasse os pormenores, até porque tentar perceber o que se passa em Garage é exactamente um dos pontos que nos faz querer avançar o mais possível neste jogo.

Durante a nossa aventura teremos de enfrentar diversas hordas de monstros, zombies e criaturas de aspecto bastante horripilantes e até guardas prontos para nos fazerem a folha. Nesse particular o jogo está bastante diversificado, não faltando inimigos, assim como muita variedade para nos entreter, cada um com o seu tipo de ataque e com dificuldades variadas.

E já que falamos de monstros e inimigos, não podemos fugir às armas, e neste aspecto a variedade também é grande. Existe um pouco de tudo: machados, pistolas, metralhadoras, caçadeiras e até bazucas. Tudo isto está à vossa disposição, embora no início do jogo a vossa melhor arma sejam os pontapés e os socos que podem dar. Com o avançar do jogo vão encontrando armas e muitas vezes vão até criar as vossas próprias armas. Mas claro, armas precisam de munição, e quanto mais poderosas as armas, mais difícil é encontrar essa munição. Daí que é preciso saber quando usar e como usar as diversas armas que temos ao nosso dispor. É essencial fazerem um uso bastante cuidado e terem alguma estratégia antes de começarem a gastar munição com qualquer tipo de inimigo.

Como devem ter percebido pelo parágrafo anterior, é fundamental fazermos um pouco o papel de detective, investigando cada cantinho que encontramos, e adquirindo tudo o que podemos apanhar. Além de material que nos ajuda a sobreviver, tal como comida e kits médicos, também vão encontrar diversos papeis com informação útil, assim como objectos que podem destruir de forma a revelarem itens para nos ajudar. Pode por vezes acontecer também que, em vez de encontrarmos algo para comer ou munição debaixo de uma caixa, encontrarmos um zombie pronto para nos matar. Por isso, é preciso estar sempre atento.

Provavelmente muitos jogadores vão dizer que Garage tem muito de Hotline: Miami. Desde o nível gráfico, à maneira como o jogo nos é apresentado, sendo que própria perspectiva vista de cima leva a isso. A grande diferença é que Garage consegue transmitir-nos sempre aquele ambiente escuro e até alguma tensão sempre à mistura, e o facto de ser mais virado para a acção nunca nos leva a uma atmosfera de horror, mas a verdade é que estamos sempre em modo sobrevivência enquanto o jogamos.

Todo o jogo é passado na garagem de um centro comercial (como o próprio nome indica), mas a equipa que o desenvolveu conseguiu gerir tudo muito bem. Poucas vezes tive a sensação que já tinha estado em algum local, ou senti a ideia que estava a repetir algo que já se tinha passado. Nesse aspecto tudo foi bastante bem gerido, e a ideia de progressão enquanto o jogamos passa muito bem para o jogador.

A nível gráfico Garage apresenta-se num estilo retro, com uma pixel art excelente. Tem pormenores deliciosos. Lembram-se das velhinhas VHS que por vezes tinham a fita meio estragada (muita gente usava a expressão “a fita está comida”)? Isso acontece enquanto estamos a jogar, por vezes começamos a ver a tela a ficar meio estragada e depois vai voltando ao normal. Foi mesmo um dos pormenores que os developers quiseram acrescentar neste jogo. Quanto à música, é bastante anos 80/90, altura em que os VHS estavam na moda. Todo o som e música do jogo se encaixa perfeitamente nos diversos níveis que temos para jogar.

Concluindo, Garage é um jogo extremamente bem conseguido. No início pode parecer bastante fácil, mas quando começam a avançar e a aparecer monstros e criaturas mais “ferozes” conseguimos perceber que é um jogo de sobrevivência e acção bastante competente. Para quem gosta do género, não se irá arrepender, até porque o jogo funciona na perfeição, tanto no modo dock como em modo portátil. Fugindo um pouco ao que estamos acostumados a encontrar nas consolas da Nintendo, Garage mostra como a Nintendo Switch está pronta para qualquer tipo de jogo. Até em jogos para maiores de 18 anos, como é este o caso.

4.0

Sim

  • Excelente jogabilidade
  • Um survival horror com bastante acção
  • Um estilo retro com um pixel art brilhante

Não

  • História devia ser melhor
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Categories Análises Nintendo
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