Graveyard Keeper é daqueles jogos que consegue mostrar o porquê de o sector indie dos videojogos ser tão especial. Como é uma área da indústria que não está tão dependente do lucro como empresas com maior reputação no mercado, há outra liberdade para criar produtos que, para além de originais, abrem portas a novas ideias.

 

 

Graveyard Keeper Launch Trailer – PC Xbox One Mac Linux

 

 

Graveyard Keeper pode ter um nome estranho, e ajusta-se, porque toda a conjuntura do jogo segue o caminho do bizarro. Como um primo cómico e sinistro de Stardew Valley.

Um bom exemplo do insólito que é Graveyard Keeper pode ser encontrado logo no seu começo, quando temos uma breve explicação da história. Tem início no presente, revelando um trágico acidente envolvendo o protagonista, e quando este acorda, vê-se com enorme surpresa transportado para os tempos medievais, agora com a responsabilidade de gerir um cemitério.

Acreditem, não é mais estranho para nós do que será para ele, e não melhora quando conhece Gerry, uma caveira voadora que irá apresentá-lo às funções mais básicas do seu novo ofício. Todavia, é um destino que ele aceita com resignação.

 

 

 

 

É um jogo de gestão, e um RPG, simultaneamente. Os diálogos, além de inusitados, são por vezes completamente hilariantes, abordando a sátira de uma maneira que só seria possível em Graveyard Keeper. No fundo, é algo que pode mesmo ser entendido como um dos principais elementos deste jogo, e encarado de forma muito pessoal pelos developers da Lazy Bear Games.

As tarefas são do mais variado que possam imaginar, isto é, podemos recolher recursos, estabelecer relações comerciais com outros personagens, craftar materiais, decorar o cemitério, e claro, enterrar corpos. A liberdade só é igualada pela sua complexidade. Quem olha para Graveyard Keeper e julga que é um jogo simples, não podia estar mais enganado. O sistema de crafting, a forma como ganhamos experiência, e mesmo as tech trees; é tudo tão profundo, que correm até o perigo de desencorajar quem pretende algo mais acessível.

Porém, quando perdemos o tempo necessário para aprender sobre as possibilidades, nunca mais ficaremos aborrecidos. Na verdade, difícil será ter mãos para todas os afazeres, porque afinal de contas, a rotina de um coveiro é dura. Ainda assim, a diversão é garantida, e as horas passam sem darmos por elas, sempre acompanhados por um irresistível humor negro, que oferece uma alma única ao jogo.

 

 

 

 

Como em quase todos os RPG’s, há uma história central que vamos completando, e outras acções paralelas que usamos para subir o nível do personagem. Não é a parte mais excitante, mas tolera-se, uma vez que a variedade e a nossa própria perplexidade perante a situação, proporcionam-nos uma sensação de descoberta constante.

Não é uma obra prima em termos gráficos, mas dentro do pixel art que é cada vez mais comum em jogos indie, está realmente bem desenhado. A música escolhida é de modo geral calma, e tenta fundamentalmente manter-nos distraídos, com os efeitos sonoros a mostrarem ser a parte menos trabalhada.

É difícil prever que impacto terá no mundo dos videojogos. Mas olhando para o sucesso de Stardew Valley, acho que ninguém ficará surpreendido se Graveyard Keeper chegar onde bem merece. É um clássico instantâneo, diferente de tudo o que conhecemos, e adorável à sua maneira.

3.5

Sim

  • Original, criativo e divertido

Não

  • Por vezes falta uma melhor explicação de certas mecânicas
Author Nuno Mendes
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Categories Análises Pc e Mac Xbox
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