A expectativa tem sido alta nos últimos quatro anos, quando começámos a seguir a evolução de Greedy Guns. Um jogo desenvolvido em Portugal e que foi capaz de atingir a meta de 13.000€ no Kickstarter; e não só é a grande esperança do estúdio indie português Tio Atum, como se tornou também um dos mais recentes símbolos da própria indústria nacional dos vídeojogos.

Greedy Guns pode ter nascido de uma simples ideia, mas foi crescendo, e além de ser hoje um dos projetos mais ambiciosos de videojogos do país, é igualmente um possível abrir de portas, demonstrando claramente que a falta de criatividade e talento nunca foram um problema em Portugal. Greedy Guns é, mais do que um jogo, uma declaração. Uma bandeira.

Mistura várias influências, criando um produto que é, por si só, genuíno. Reúne o que jogos como Contra, Metal Slug e Metroid têm de mais apaixonante e une tudo de forma homogénea, acrescentando ainda o seu cunho pessoal.

Faz regressar uma qualidade muito comum dos jogos da década de 90: a necessidade de observar o comportamento dos inimigos e criar estratégias, uma vez que cada um deles traz desafios diferentes.

Dizer que Greedy Guns é divertido é pouco. Greedy Guns é viciante. Ponto. Implacável, mas viciante. Usa uma mecânica de dual stick, apelando constantemente à destreza que, obrigatoriamente, terá de ser praticada, sendo que a dificuldade é muito acima do normal. Contudo, faz sentido, já que se inspira em clássicos que partilhavam essa mesma característica.

É precisamente por isso, que pensar rápido em Greedy Guns não é importante, é uma inevitabilidade, especialmente na noção do espaço. Somos frequentemente atacados de todos os lados, e muitas vezes simplesmente não temos para onde fugir. Todavia, com o tempo, vamos aprendendo a antecipar melhor as ameaças e de como nos esquivarmos com maior mestria.

Mas um jogo sobre dois mercenários num planeta estranho, que tanto prima pela ação, precisa de armas à altura. Ora, GG não faltou à chamada, e ainda que tenha optado por um caminho diferente dos títulos acima citados, não desilude, antes pelo contrário: rompe para melhor. Deixa para o jogador decidir aquilo que quer comprar, em vez de depender daquilo que o acaso vai deixando cair. E existem também habilidades que quando usadas nos timings certos, traçam a diferença entre a vida e a morte.

Já falei no co-op local? Sim, é verdade, Greedy Guns pode ser jogado a dois, e acreditem, justifica plenamente o significado da palavra “cooperação”. Um assombro.

Graficamente é o que se deve esperar: um motor de jogo em 2D extremamente animado, bem pensado e devidamente elaborado. Os efeitos foram convenientemente escolhidos, tanto visualmente, como a nível do som, e mesmo a banda sonora condiz perfeitamente com o estilo.

Greedy Guns é uma experiência louca e divertida. Faz valer o preço pedido. E apesar de apenas estar disponível para PC, está em cima da mesa chegar à Xbox One, Playstation 4 e Nintendo Switch, dependendo do êxito que obtiver.

Parabéns e boa sorte, Tio Atum.

4.0

Sim

  • Um vício Completo
  • Um co-op praticamente perfeito

Não

  • Ainda não pertencer à tua biblioteca
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Categorias Análises Pc e Mac
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