Quando os developers da HakJak Productions decidiram criar Guts and Glory provavelmente estariam sob o efeito de alguma substância alucinogéna. Digo isto porque só alguém completamente louco se lembraria de algo tão surreal, mas ao mesmo tempo tão divertido e frustrante. Na verdade, não me lembro de num jogo me rir tanto de morrer e voltar a morrer de maneiras tão incrivelmente parvas.

O objectivo do jogo é bastante simples: tratam-se de diversas pistas onde o desafio é chegar à meta o mais depressa possível, e para isso temos de ultrapassar diversos obstáculos, todos eles mortíferos. Não pensem que será fácil conseguir lá chegar, porque o jogo consegue ser verdadeiramente complicado, e se nos primeiros níveis tudo parece bastante simples, ao longo do jogo vamos tendo pistas que são absurdamente complicadas e tresloucadas.

Como obstáculos nas pistas, temos minas, serras eléctricas rotativas que nos cortam ao meio, bolas de canhão, flechas, troncos repletos de ferros pontiagudo, entre muitas outras coisas. Como podem ver, tudo coisas interessantes, e prontas para nos matarem de imediato. Se termos todos esses objectos espalhados pelos cenários já torna tudo complicado, então a sensibilidade dos controlos também não ajuda. Basta um pequeno toque nos comandos para os nossos personagens responderem imediatamente, tudo muito parecido a um simulador automóvel, em que ao mínimo descuido perdemos o controlo total.

Existem diversos personagens (John e Debra, Earl, A Família Yang, Larry, Jack e Jill, Zoe, Pedro e Júnior), cada um deles da sua classe (A, B, C e F), uns utilizam bicicletas, outros motas, carros, e até uma cadeira de rodas com jactos para voar. Existem pistas que permitem usar qualquer uma das classes, mas a maioria delas está restrita a uma ou duas classes apenas. A própria jogabilidade muda conforme o veículo que estamos a usar, e caso já sejam uns prós a controlarem a bicicleta de Jonh e Debra, quando saltam por exemplo para a bicicleta de Jack e Jill, tudo se torna diferente, para não falar na cadeira de rodas de Larry.

Algo que não podemos deixar de referir é a física que foi implementada em Guts and Glory. Nota-se claramente que foi um dos pontos que a equipa de desenvolvimento tentou aprimorar, oferecendo aos jogadores uma incrível percepção das quedas, lesões ou mortes. Os choques também estão fantásticos, existindo bastante diferença entre aqueles que acontecem a grande velocidade, e o inverso. Por exemplo: os choques a uma velocidade moderada apenas deslocam os membros do nosso personagem, enquanto choques com enorme velocidade podem mesmo fazer-nos saltar um braço ou uma perna, fazendo o sangue jorrar por todo o lado. E obviamente que se o choque for demasiado intenso, a nossa morte é imediata.

Algo que não posso deixar de realçar pela negativa são os tempos de loadings. Se já são exagerados quando estão a carregar a pista que vamos jogar, quando morremos e temos de recomeçar novamente, existe um tempo de loading que é excessivo, fazendo-nos perder toda a imersão do jogo. Devido às imensas vezes que morremos, há pistas que passamos mais tempo nos loadings que propriamente a jogar.

Ocasionalmente também encontramos alguns bugs nos choques, como o nosso personagem ficar preso em alguns locais sem nenhuma razão aparente. Não é algo que aconteça com frequência, mas não nos livramos de por vezes termos a “sorte” de nos depararmos com um desses glitchs.

Graficamente o jogo até está interessante, tudo com um grafismo algo geométrico, mas que oferece o necessário para tornar-se agradável ao nosso olhar. As cores são vivas e com bastante brilho, chamando a atenção dos olhos. Já a componente sonora está competente, mas não oferendo nada de especial.

Como já vem sendo habitual nos jogos lançados pela tinyBuild, a língua portuguesa está entre os diversos idiomas que podemos escolher para jogar Guts and Glory. Embora não seja um jogo onde a língua seja algo importante ou fundamental, a verdade é que devemos dar mérito às companhias que decidem implementá-la.

Concluindo: Guts and Glory é um jogo de desafios extremos, onde o único objectivo é conseguirmos passar por diversos checkpoints até ao final. Um jogo onde vale tudo. Para quem quiser entrar nesta aventura prepare-se para muita frustração, e muita repetição, porque a morte é sempre algo inevitável. Um jogo divertido, mas algo exagerado, e provavelmente alguns jogadores irão fugir dele devido a esse exagero.

3.0

Sim

  • Extremamente desafiante
  • A física dos choques está bastante interessante e engraçada
  • Muitas pistas e vários personagens diferentes

Não

  • Demasiados loadings
  • Tempos de loadings exagerados
  • A dificuldade é tão absurda que facilmente se torna frustrante
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