A experiência infantil de jogar às escondidas ou à apanhada são brincadeiras que nos marcam para a vida. Passar isto para um videojogo não é uma tarefa fácil e pode tornar-se  ingrata dado a imaginação de cada um. A primeira vez que me lembro de um jogo destes foi num velhinho “TV Game”, numa consola que trazia vários jogos onde havia lá um a que chamava o “jogo das escondidas”. Era demasiado novo na altura para me lembrar do nome do jogo, mas de alguma maneira foi isso que me lembrei quando joguei pela primeira vez Hello Neighbor: Hide and Seek, onde o objectivo é ir fazendo os desafios enquanto nos mantemos escondidos e evitamos ser apanhados.

Hello Neighbor: Hide & Seek Gameplay Trailer (PC, iOS, Xbox, PS4, Switch)

Os acontecimentos de Hello Neighbor: Hide and Seek passam-se antes do jogo original Hello Neighbor. Para quem jogou o primeiro, vai agora entender algumas das coisas estranhas e bizarras que se passavam na casa do vizinho Theodore Peterson.

Nesta segunda aventura, somos colocados do outro lado da vizinhança para perceber as reacções que esse mesmo Theodore Peterson tem em determinados momentos do primeiro jogo. Se não jogaram Hello Neighbor, não se preocupem. Vão perceber a história deste e se gostarem, podem jogar o jogo original depois. A sequência dos acontecimentos até fica mais correta.

Na casa do vizinho, assistimos ao drama familiar de Theodore, no qual a sua esposa Diane morre e os seus filhos Aaron e Mya começam a ter atitudes estranhas. Sem querer entrar em pormenores para não estragar a surpresa, os acontecimentos que se vão desenvolvendo provocam na família algumas reacções das personagens que tornam o jogo bastante apelativo e que nos faz descobrir mais sobre o que se passou naquela família. Mesmo sem diálogos, as ações que as personagens têm são bastante claras e passam facilmente aquilo que estão a sentir. No entanto, esta é a melhor parte de Hello Neighbor: Hide And Seek que se revela frágil e pouco intuitivo nos níveis que enfrentamos.

Hello Neighbor: Hide and Seek Launch Trailer (Epic Games Store, PS4, Xbox One, Switch, iOS)

O sistema de jogo na primeira pessoa permite-nos andar pelos diversos níveis a encontrar os objectos que precisamos. Cada nível tem pistas e dicas que podemos ativar ou desativar para completar as tarefas que nos pedem. Por vezes, essas pistas não são assim tão visíveis quanto isso, o que torna o jogo às vezes ridículo sem sabermos o que havemos de fazer. Facilmente nos sentimos inúteis no meio de um nível onde não sabemos o que é que andamos ali a fazer.

O desafio de descobrir como se faz aquilo que pretendem é interessante, mas dei por mim, na primeira ligação com o jogo, a passar quase uma hora sem saber o que fazer. Isto cria um clima de desconfiança entre o jogador e o próprio jogo que facilmente pode ser colocado de lado, num momento em que a oferta é muita.

A câmera na primeira pessoa não ajuda quando queremos perceber se é possível chegar, ou não, a determinada zona. A jogabilidade fica assim condicionada e é uma pena porque os níveis até podiam ser bastante interessantes se fossem explorados de outra forma. O som do jogo também deixa a desejar. Não sendo bem a mesma coisa, podiam ter-se inspirado em Outlast e colocar uns efeitos misteriosos que podiam encaixar bem aqui neste mundo. A experiência de jogo não dura muito a partir do momento em que sabemos o que temos para fazer tornando-se até muito repetitivo entre níveis.

A diversão de jogar Hello Neighbor: Hide and Seek não é a que esperava de um jogo onde o objectivo é andar escondido. A oportunidade de juntar uma experiência diferente, do estilo de The Journey, a uma história bem sentimental e familiar ficou perdida no meio do processo. O que nos agarra é mesmo a curiosidade do que é que está a acontecer à família de Theodore Peterson. Se não fosse isso, o jogo era um tremendo flop.

3.0

Sim

  • A misteriosa história
  • As personagens

Não

  • A jogabilidade é fraca
  • A dificuldade em perceber o que o jogo pretende
  • Os efeitos sonoros
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