Análise: Jak and Daxter

Voltamos a mais uma remasterização no mundo da PlayStation deste ano, depois de Crash bandicoot que analisámos aqui, agora é a vez da primeira mascote da Naughty Dog, os mesmos da série Uncharted, temos Jak and Daxter Collection. Esta remasterização não foi tão longe como Crash Bandicoot com todos os seus níveis refeitos para o propósito, podemos falar de upscalling para 1080p, de um trabalho de refinamento das animações e das cutscenes, mas não mais do que isso.

No entanto a importância desta colecção chegar à PS4 tem muito mais a ver com a própria importância que Jak and Daxter teve como ícone da PlayStation 2, aliás a Naughty Dog e a PlayStation quiserem mesmo que o ecrã inicial arrancasse com o logo da PlayStation da altura como elemento saudosista e como homenagem ao título que tanto deu à companhia da Sony.

Jak and Daxter é tão divertido e empolgante quanto era há uma dezena de anos atrás, com as suas personagens bem dispostas e humoradas, a palete de cores vibrante e a jogabilidade simples mas eficaz, a única estranheza será aos mais novos que podem achar que estão perante um jogo de uma outra consola, tantas são as referências à PS2, seja nos menus, no facto do touchpad fazer a vez do Start e do Select, seja nos saves.
É curioso ver como a Naughty Dog já tinha a fórmula que seria replicada vezes e vezes sem conta, seja pela riqueza do enredo e das personagens, seja pela facilidade como nos envolvemos nos vários objectivos que nos são propostos.

O mesmo acontece ao longo de todos os 3 jogos, onde as plataformas são substituídas por tiroteiros, a complexidade da história e das suas personagens vão se adessando, numa espécie de acompanhamento da Naughty Dog da idade dos seus fãs, mas também da evolução da capacidade de criar para a PS2, que lhes deu a possibilidade de explorar mais a componente de acção, tal como as cinemáticas que são cada vez mais e maiores. O ciclo dia/noite que diria eu, foi para muitos de nós surpreendente, conferiu um verdadeiro sentido de continuidade e até de longevidade. O mundo semi-aberto, porque dá essa sensação apesar de serem zonas interligadas. O segundo jogo é mais adulto, mais negro até, e depois a introdução das armas vem trazer um lado de acção mais adulto, se quiserem, mas também mais desafiante, porque na minha óptica até é o mais difícil da série.

O último jogo desta trilogia que recordo já tinha sido também lançado para a PS3, Jak 3 baseia-se já plenamente na acção acima de tudo, com tiroteiros em grande, com os veículos a percorrer a wasteland em corridas e batalhas, com a mesma jogabilidade divertida e desafiante. Mais uma vez sentimos que Jak and Daxter apenas demonstrou a capacidade da Naughty Dog em aperfeiçoar a construção de narrativas, e em muitos momentos a preparar o terreno, quer na jogabilidade, quer nas narrativas, como dizia, para Uncharted. A narrativa de Jak 3 acaba por ser uma história super refinada, com as personagens já enraizadas em nós, especialmente o humor de Daxter,e com carisma, uma palavra que eu diria que define a Naughty Dog. Este é também o jogo em que graficamente o jogo não deixa, até jogos actuais, em má posição.

Jak and Daxter Trilogy é feito para os saudosistas, mas também é ainda adequado para os mais novos, e apesar de ser mais um remake de um jogo, é pertinente, especialmente para nós para nos lembrarmos aquilo que as editoras fizeram, representaram, e onde chegaram pelo caminho que delinearam. No entanto não posso deixar de dizer, que com cada salto de geração levamos com uma enxurrada de remakes, e com as gerações a tornarem-se cada vez mais curtas, será que fará sentido estar constantemente nisto?! Tem o seu valor, apesar de eu achar que este é um remake de valor pelo trabalho da Naughty Dog, mas Crash Bandicoot foi mais além, e gostava de ter visto isso também nesta trilogia.

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