Estamos de volta à companhia de Rico Rodríguez num mundo super exagerado deste Rambo mexicano e companhia. Desta feita Rico está à procura de respostas sobre o seu pai, um cientista que trabalhou para uma megacorporação paramilitar chamada Mão Negra, num projecto que envolve engenhos de controlo de situações climatéricas.
É em Sólis, um país fictício da América do Sul que Rico tenta encontrar respostas, e não demora muito até conhecer os seus rivais, liderados pela comandante e nova personagem do jogo, Gabriela Morales, que não deixará que se aproxime a tal arma.

Just Cause 4 – Launch Trailer | PS4

Logo ao início ficamos a perceber que nada mudou, isto é, para quem vem de Just Cause 3, as teclas são as mesmas, as mecânicas são as mesmas, estamos munidos do nosso gancho que nos vai levar praticamente a qualquer lado, o nosso parasuit e o pará-quedas, três artifícios que nos vão fazer facilmente “surfar” num míssil, apanhar a boleia de avião, desafiar todas as leis da gravidade da razoabilidade, que é, no fundo, imagem de marca da série. Portanto obviamente podemos andar, saltar, realizar um ataque físico (bastante limitado), pilotar diversos tipos de veículos, nadar, mirar e atirar.

Então que é Just Cause 4 difere de todos os outros jogos, bem se pensarem na saga Saints Row, a cena Over the Top será bastante reconhecível, mas a verdade é que existe um humor muito próprio, com o Rambo do México e toda essa imagética e de todas as coisas impossíveis que é capaz de fazer, mas por outro lado, existe ainda essa mecânica de tudo ser destrutivo, o mapa ser gigante, representando 1024 km, de todo o design dos níveis e do mapa ser muito rico e uma verdadeira overdose de coisas a acontecer. No entanto neste Just Cause 4 temos uma adição que faz toda a diferença, é que estes eventos catastróficos que são provocados pela Mão Negra, vão mudar por completo a jogabilidade, é que não vamos conseguir fazer o que queremos, vamos ter que improvisar muitas vezes e se achavam que tudo o que acontecia era meio maluco, então multipliquem por 10, com tornados, tempestades de areia ou de neve, tudo graças à nova versão do motor de jogo Apex da Avalanche Studios, e claramente os estúdios quiseram que isso basicamente fosse o seu recreio.

Just Cause 4 – Eye of the Storm Trailer | PS4

O problema é que o objectivo do jogo será conseguir tomar o controle de todos os territórios de Sólis tirando-os do exército da Mão Negra, só que as missões rapidamente se tornam repetitivas, muitas delas apenas envolvem ligar ou desligar um gerador, ou ligar um terminal para ser hackeado, ou escoltar um hacker até a um terminal, sim mais uns quantos puzzles e tal mas pouco mais. E digo pouco mais porque os combates são iguais aos de Just Cause 3 , e portanto o exército parece um grupo desprovido de cérebro, não vão flanquear, não vão fazer manobras, e devem ser estrábicos porque não acertam uma bala de jeito.

O que anima as coisas é precisamente as várias abordagens que podemos ter, porque pensar em prender um helicóptero a um tanque de gasolina e rebentar com tudo, ou surfar num míssil enquanto disparamos um tiro de bazuca, não são, de todo, coisas normais ou usuais, e são situações muito divertidas, mesmo divertidas, e aí de facto os movimentos de Rico são muito fluídos e os controles são rápidos, polidos e definidos.

Just Cause 4 – Deep Dive Trailer | PS4

Graficamente, Just Cause 4 foi uma desilusão, mas ao que percebi a desilusão acontece na PS4 e Xbox One, e mesmo jogando na PS4 Pro, o jogo levou um downgrade gráfico gigante e honestamente incompreensível, porque o design dos níveis, do ambiente, do mapa criado baseado em paisagens reais, até mesmo as montanhas ou florestas estão muito bem criadas, são mesmo as texturas que estão horríveis, com queda de frame rate, com dificuldade do jogo a renderizar as texturas do cenário. Algo que não consigo, repito, entender, até porque no PC os gráficos estão bem melhores.

Just Cause 4 – PC Ultra vs. PS4 vs. Xbox One Graphics Comparison

Just Cause 4 é super divertido e é a melhor experiência over da top na nova geração, e peca apenas por esta inexplicável qualidade gráfica, na PS4, porque tem elementos interessantes e uma abordagem bem diferente, para todos aqueles que procuram uma coisa menos real, mais “Rambesca”, mais filme de acção das tardes da televisão portuguesa. O que é bom, e é preciso, que isto às vezes a realidade é uma verdadeira chatice e pelo menos afasta as mágoas.

3.5

Sim

  • Um bom update ao que era Just Cause 3
  • O novo motor Apex criou efeitos climatéricos muito interessantes
  • Um over top super divertido

Não

  • Não se percebe o downgrade gráfico
  • Missões algo repetitivas
  • Inteligência Artificial muito fraca
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