Bem, não sei muito bem que idade têm, mas eu sei que no tempo eu era viciado em Micro Machines. Fartava-me de brincar com aquele carrinhos pequeninos e as suas pistas e garagens e tudo mais. A sua portabilidade e poder meter no bolso vários carrinhos fazia com o nosso imaginário explodisse de tantas opções.
Portanto não é de estranhar que quando surgiu um jogo a recriar algumas dessas nossas fantasias o extâse fosse total, e portanto lembro-me bastante bem de jogar Micro Machines com o meu primo no Commodore Amiga.

Ora se gostava de jogar antes vou gostar de jogar este World Series que saiu agora pela Codemasters certo?! Nem tanto, e passo a explicar porquê, na altura não havia tanta concorrência, não havia se calhar Rocket League, não havia tantos jogos a experimentar a mesma fórmula. Algumas opções tomadas também não ajudaram muito como o facto de termos 12 carrinhos numa pista, que recria espaços físicos onde a vossa perícia é colocada à prova, a confusão de carrinhos só prejudica a experiência, em que muitas vezes a sorte é que determina se conseguem vencer ou não uma corrida. Isso e a forte componente online, onde a directiva do jogo se estabeleceu, com os menus quase a dizerem que só podes jogar online nos vários modos e que a diversão tem de passar pela experiência com outros jogadores do mundo virtual.

É claro que existe a componente local até 4 jogadores, o que é óptimo, e aí sim a diversão desses anos 90 volta toda, e é de facto a melhor parte de jogo, sem dúvida alguma. E tudo tem a ver com o facto de serem apenas 4 carrinhos em pista, onde a visão na terceira pessoa isométrica já se consegue assimilar melhor, e conseguimos prever melhor também as intenções dos outros jogadores e ter uma visão mais geral da pista para jogarmos mais e sermos perspicazes do que apenas ter sorte.

O jogo divide-se nas tradicionais corridas, mas também nos modos online de batalha campal, Dois grupos de seis veículos combatem entre si em modos de jogo clássicos como captura de bandeiras ou conquista de sectores. Podem escolher entre doze veículos, cada um com classes, armas e habilidades diferentes. Há tanques, atiradores, furtivos, médicos… portanto basicamente é mais um jogo de batalha campal com carrinhos em miniatura e isso não demonstra o espírito Micro Machines que conhecemos. As pistas até são divertidas, quer dizer, não podemos esconder que sorrimos quando vimos que estávamos no tabuleiro do “Traga Bolas” não é?!, mas não chega apenas isso.

Micro Machines World Series tem um evento que ocorre todos os fins de semana para tentarem ganhar novas loot boxes com carrinhos novos, cores novas ou habilidades, loot boxes que podem ganhar também ao ganharem corridas nos restantes modos online. Há ainda o modo local com o tradicional skirmmish até 4 amigos em ecrã dividido, onde teremos dois modos o Elimination onde quem ficar para trás ou for destruído vai perdendo os rounds, e o free battle onde sobreviver e ser o mais destrutivo é o mais importante. Temos pena que não exista um modo misto, isto é, um modo que permita estarmos com um amigo ou mais em corridas online contra outros jogadores do todo o mundo.
Vão poder por fim ainda gerir a vossa garagem de carrinhos e fazer alguns modificações de estética e ver os carrinhos que foram ganhando nas loot boxes.

Graficamente o jogo está muito giro e dinâmico, aquilo que esperamos das pistas de Micro Machines, a direcção é que não foi a melhor, e a aposta no online e nas loot boxes como longevidade não me pareceu muito atractiva, mas peguem em 4 comandos e façam a festa lá em casa, porque aí sim, Micro Machines é incomparável e era aí que a Codemasters deveria ter apostado em força.

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Fundador do Site - Salão de Jogos, o Commodore Amiga 500 foi o seu melhor amigo durante décadas e ainda hoje sabe de cor a equipa principal do Benfica do Sensible Soccer 94/95. Nos tempos vagos ainda edita as botas dos jogadores do FIFA e do PES.

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