A realidade virtual (VR) é ainda hoje um assunto tabu no mundo dos videojogos, é vista com algum cepticismo por alguns jogadores. A isto deve-se o facto de ser consideravelmente recente, mas também por os jogos ainda encontrarem em processo de evolução. Isto é, a realidade virtual encontra-se ainda numa fase de aceitação por parte dos jogadores. Independente disso a quantidade de jogos VR que tem sido disponibilizada para o mercado tem aumentado a olhos vistos e nota-se uma evolução da sua qualidade. Existem neste momento jogos consideravelmente mais complexos do que outros, mas mesmo os mais simples podem dar que falar.

Moss é um desses casos, estamos a falar de um jogo que foi apresentado pela Sony na E3 do ano passado e que desde esse momento ficou um bocado na sombra. Uma coisa é certa, Moss embora tenha andado nas sombras, a verdade é que é um forte candidato a jogo surpresa, muito sinceramente surpreendeu-me pela positiva devido a tudo o que podemos encontrar nele. Nota-se uma enorme dedicação e o esforço por parte da equipa Polyarc para deixá-lo formidável. Este é um jogo de plataformas bastante simples, tanto na maneira de jogá-lo como na forma como a sua história é contada. Algo que o torna extremamente apelativo, porque embora a sua simplicidade evidente, estamos perante um jogo bastante imersivo, e que por momentos poderás dar por ti e imaginar que estás dentro daquele mundo de fantasia, e a ajudar a pequena Quill.

A protagonista é Quill, uma pequena roedora branca bastante corajosa. Aqui terás de ultrapassar diversos quebra cabeças numa aventura cheia de fantasia e acção. Neste jogo vão envergar dois papeis, primeiro vão controlar Quill direccionando-a e dando-lhe ordens de combate para derrotar as diversas criaturas que vão aparecendo. Ao mesmo tempo vais ser o seu ajudante. Isto é, vai ser preciso terem alguma destreza de dedos, para controlar a nossa heroína e em simultâneo conseguirem ajudá-la. Visualmente estamos perante um jogo que podia perfeitamente ser para crianças bastante novas, mas não, devido à sua complexidade e a alguns desafios que nos obrigam a decifrar os diversos quebra cabeças que encontramos.

No que toca a comandos, é outro ponto bastante simples de aprender pois são bastante familiares, um botão para atacar, outro para saltar, uma combinação de teclas para esquivares das criaturas inimigas e finalmente, os botões traseiros do comando para interagires no jogo.

O nível de interacção neste título é usado de diferentes maneiras, tal como dares energia a Quill, controlares os teus adversários, moveres “peças” nos cenários que a ajudam a avançar nesta aventura. Com o desenrolar da história vais sentir o seu grau de dificuldade a aumentar, o que torna Moss desafiante e nada enfadonho. Outro aspecto que o torna extremamente interessante é a forma como a sua narrativa é contada, tudo é contado como se de um conto de fadas se tratasse, através de um livro ilustrativo e com um narrador a contar-la, levando-te para dentro deste mundo de fantasia.

Graficamente, está simplesmente maravilhoso. Desde o primeiro instante sentimos que estamos dentro dos cenários, quando estamos a ouvir a história somos transportados para dentro de um mosteiro e temos um livro a nossa frente para a acompanharmos. Pessoalmente posso dizer que “perdi” mais tempo a olhar para o que me rodeava do que para as ilustrações do livro. Os cenários estão fantásticos, mesmo tendo um visual muito infantil, tudo o que vemos está desenvolvido de forma eximia. Mas o que me saltou mais à vista neste aspecto, foi a movimentação da nossa roedora de serviço, e fazendo uma pequena confissão pessoal, eu e ratos não fomos feitos para estarmos por perto, é um animal que me deixa um tanto ao quanto arrepiado e há momentos no jogo que me dão esse arrepios, visto que a jovem Quill parece um roedor de verdade devido às suas movimentações.

As boas normas de quando estamos a jogar dizem que devemos fazer uma pausa de quinze minutos a cada hora de jogo. Pois bem, isso é impossível fazer em Moss porque este prende-nos intensamente devido a forma como a sua história é abordada. A imagem geral do jogo está excelente e os quebra-cabeças são desafiantes. Significa por isso que facilmente vais passar bastante tempo a jogá-lo sem dar por este passar. Moss é certamente um exemplo daquilo que pode ser explorado nos jogos VR.

No geral só encontrei um ponto que me desagradou, trata-se da da duração do jogo. É um jogo que após alguma horas o acabas e sentes que esta aventura poderia ser mais longa. Se houvesse mais tempo de aventuras, mais tempo perderias até acabá-lo, porque devido à sua historia, quem o iniciar certamente o irá querer concluir. É uma pena, um jogo desta qualidade estar tão curto. Esperemos que este seja um até já à nossa aventureira Quill.

Resumindo, Moss é um título imprescindível para quem tem PlayStation VR. É uma aventura bastante imersiva e vão perder a noção do tempo facilmente. Moss tem tudo para ser considerado uma das surpresas deste ano. Este título está brilhante em praticamente todos os aspectos, o que permite comprovar que por vezes a simplicidade pode ser uma aposta ganha, e Moss é o exemplo disso. Um trabalho fenomenal por parte da Polyarc.

4.5

Sim

  • Uma história imersiva que é contada excepcionalmente;
  • Os efeitos visuais estão muito bem desenvolvidos;
  • Jogabilidade bastante familiar;
  • Cenários simples mas detalhados;
  • Quebra-cabeças desafiantes.

Não

  • A duração do jogo podia ser maior.
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