Qualquer jogador que se diga fã de JRPG reconhece facilmente um dos títulos que mais impressionou na geração passada, Ni no Kuni: Wrath of the White Witch. Desenvolvido pela companhia nipónica Level-5, e que já nos habituou a resultados muitíssimo competentes no que toca a JRPG. Embora existam muitos jogadores que veneram este estilo de jogo, a verdade é que apesar de gostarem bastante de RPG, muitos não suportam JRPG. Há diversas razões para isso acontecer, desde acharem as historias um pouco monótonas, ou os diálogos que normalmente são excessivamente longos, ou por vezes os combates não empolgarem o suficiente. Estas são queixas que se ouvem com regularidade de boa parte dos jogadores.

Talvez por essa razão a Level-5 tenha desta vez decidido oferecer-nos algo bastante diferente do que estamos habituados. Ni no Kuni II: Revenant Kingdom é o novo JRPG da companhia e provavelmente um dos jogos mais esperados deste ano por quem teve oportunidade de jogar Ni no Kuni na geração passada. Ni no Kuni II: Revenant Kingdom oferece-nos tudo aquilo que o anterior ofereceu, mas mais, muito mais. Diria mesmo que este é o melhor jogo para apresentar novos jogadores ao estilo JRPG, e digo isto por toda a simplicidade que o jogo nos oferece. Tudo o que existem é de fácil aprendizagem e bastante intuitivo. Não é difícil afirmar que tal como o primeiro jogo, este entrará directamente para as obras de arte que esta geração já recebeu.

Desde o início da história percebemos que estamos perante um conto encantado, daqueles que ouvimos quando somos mais novos antes de irmos para a cama. Tudo começa quando Roland que se dirigia para uma reunião no seu mundo, subitamente depois de uma explosão, aparece no reino de Ding Dong Dell, e mais precisamente no quarto do pequeno rei, Evan Pettiwhisker Tildrum. Por incrível que pareça (não se tratasse de uma história encantada), nessa mesma altura o reino de Ding Dong Dell é atacado por Otto Mausinger, um suposto aliado do reino, que decide conquistar Ding Dong Dell, matar Evan, e tornar-se Rei.

A verdade é que a chegada de Roland àquele reino foi a sorte de Evan, que assim consegue fugir do palácio. É a partir desse momento que começa a nossa aventura. Evan como imaginam é o personagem onde a história se irá centrar. Como é fácil de prever, Evan não desistirá de criar o seu próprio reino, e reconquistar Ding Dong Dell já que este é seu por direito. É bastante interessante a história centrar-se nele, isto porque podemos personificar em Evan grande parte daquilo que se passa quando somos mais pequenos, e mais precisamente, na fé inabalável em nós próprios, na ingenuidade, e pureza.

Ao longo da nossa aventura iremos conhecendo novos personagens que se juntarão a nós para nos ajudar na nossa causa. Além disso, existem também os Higgledies, umas criaturas que conhecemos logo na primeira hora de jogo. Existem diversas delas, andam sempre em grupo e é possível identificar cada grupo por uma determinada cor e habilidade. Durante a nossa aventura serão uma preciosa ajuda, mas onde notarão mesmo a sua presença é nas batalhas. Ou seja: grupos que nos ajudam a regenerar a vida, e outros que têm habilidades especiais no ataque dos nossos adversários. E tudo de uma utilidade extrema no campo de batalha.

Já que falamos de combates, estes são totalmente em tempo real. Podemos usar qualquer um dos personagens do nosso grupo, e podemos ir alternando entre eles. Outra das particularidades em combate é que só somos derrotados caso todo o nosso grupo seja derrotado, caso contrário, mesmo que só tenhamos um elemento vivo, e este consiga derrotar todos os nossos oponentes, sairemos vencedores. O combate é simples e ao mesmo tempo desafiador, todos os comandos respondem sem qualquer problema, o combate é quase sempre bastante fluído, e convém percebermos os ataques dos adversários mais complicados. Digo isto porque a maioria dos combates são geralmente fáceis de vencer, no entanto, existem determinados inimigos que são bastante perigosos e difíceis de derrotar. Convém por isso perceber os seus ataques para o ferir no “contra-golpe”.

Algo que me deixou extremamente animado foi como o tutorial do jogo foi produzido, e digo isto porque apenas nos explicam as coisas da primeira vez que são necessárias. E se na primeira hora de jogo somos brindados com diversos ensinamentos, a verdade é que existe conteúdo que apenas nos é explicado quando já jogámos umas valentes horas. Algo que facilita imenso a aprendizagem sem causar nenhuma confusão. Uma escolha bastante inteligente por parte da Level-5.

Quanto ao mapa do jogo, eis outro ponto bastante engraçado: se durante o combate, ou durante períodos que temos para explorar diversos territórios, o jogo tem uma apresentação totalmente anime, e com um grafismo acima da média, parecendo mesmo que estamos perante uma animação da TV, a verdade é que quando estamos no mapa do jogo a andar com o nosso personagem, o estilo gráfico muda completamente, e passamos a ter um 3D visto de cima, com os nossos personagens representados por uma espécie de caricatura, fazendo-nos lembrar as pop figure que agora estão tão na moda. Neste mesmo mapa existem diversos inimigos espalhados, e quando passamos perto deles, começam a perseguir-nos, e claro, caso nos apanhem teremos de os combater.

Convém referir que existem diversos itens que vamos apanhando, uns que apenas servem para vender e obter dinheiro, e outros que podemos equipar nos nossos personagens (espadas, botas, armadura, etc). Todos esses itens podem ser adquiridos em combate, ou quando espalhados no chão, ou mesmo vasculhando nos baús que existem por todos os mapas do jogo. E se no início até podem achar que não é necessário andar a desviar um pouco o caminho para os adquirir, mais à frente quando quiserem melhorar os equipamentos dos vossos personagens, podem verificar que são bastante úteis.

Outro pormenor bastante importante também reside nos locais para fazermos viagens rápidas, que estão espalhados por todo o mapa, ajudando-nos a voltar para trás e para a frente conforme formos precisando, sem termos de percorrer novamente caminhos desnecessariamente.

Escusado será dizer que como um JRPG que o jogo é, há todo aquele esquema de ganho de XP e subida de nível dos nossos diversos personagens. Mas além de tudo isso, Ni no Kuni II: Revenant Kingdom apresenta-nos algo completamente out of the box no que toca a RPG, digo isto pois quando já tiverem começado a criar o vosso reino, vão ter duas componentes novas muito ao estilo dos jogos RTS, contudo de maneira muito mais simplista: a primeira é a componente de gestão, onde terão de gerir o vosso reino, isto é, terão de construir várias lojas, criação de armamento, criação de magias, entre outras coisas que um reino irá precisar. Também terão de as gerir, mas descansem, não estão sozinhos. Pois podem escolher pessoas para gerir esses locais, e se forem bem sucedidas, o nível dos estabelecimentos irá aumentar, produzindo mais lucro e também melhores itens.

A outra diferença é termos um modo Skirmish, e aqui, de maneira mais simples, somos levados para os RTS de guerra, onde Evan irá comandar os seus exércitos contra os inimigos. É obviamente necessário ter alguma estratégia para vencer os combates, porque só assim conseguimos ter sucesso neste modo. Existem as mais variadas unidades, e cada uma tem a sua especialidade. E sendo que umas são mais indicadas para atacar certos inimigos, será necessário planear muito bem essa parte. Seja como for, esta é uma componente nova mas bastante acessível e divertida.

E acreditem ou não, estas duas componentes, embora simples e divertidas, são uma excelente adição, aumentando o tempo de jogo, e oferendo algo que melhora substancialmente Ni no Kuni II: Revenant Kingdom.

Graficamente o jogo está genial, e como disse anteriormente, tudo parece um anime saído da TV.  Os gráficos são magníficos e facilmente nos fazem esquecer os longos diálogos que por vezes vamos encontrar. A beleza deste jogo está simplesmente magnifica, aliada a isso temos uma banda sonora que foi feita especialmente para o jogo, significando por isso que tudo está pensado ao mínimo pormenor, sendo assim outro dos pontos fortes do jogo. Quanto às animações, além de continuarem a ter um grafismo incrível, apresentam também diálogos com voz, e esses sinceramente são os que melhor encaixam no jogo. Infelizmente, nem sempre isso acontece, existindo igualmente muitos diálogos apenas escritos.

Concluindo, Ni no Kuni II: Revenant Kingdom é sem dúvida uma obra de arte, e quem jogar não vai esquecer tão cedo. Um jogo magnifico, ingénuo e puro ao mesmo tempo, e com uma história e personagens que embora não sejam fascinantes como outros jogos, a verdade é que todas elas têm algo que nos toca e nos deixam interessados conforme as vamos conhecendo. Será sem dúvida nenhuma um dos JRPG do ano. Eu que sou um enorme fã de todo o tipo de RPG a verdade é que me empolgou do início ao fim. Assim vale mesmo a pena.

4.5

Sim

  • Apresenta um grafismo de excelência
  • Um dos melhores JRPG que podem jogar
  • Claramente estamos perante uma obra de arte
  • A introdução das componentes RTS são excelentes

Não

  • Infelizmente nem todos os diálogos têm voz
  • Falta de legendas na Língua Portuguesa
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