A Square Enix já nos habitou a grandes pérolas no que toca a RPG’s. É provavelmente a companhia que mais e melhores jogos deste género oferece aos jogadores, e basta lembrar alguns dos nomes que já nos trouxe, como Final Fantasy, Chrono Trigger, Kingdom Hearts, I am Setsuna, Dragon Quest, Lost Sphear, entre muitos outros. O mais recente jogo lançado foi Octopath Traveler, um exclusivo para a Nintendo Switch e que oferece aos jogadores um RPG com um estilo bem clássico.

Project Octopath Traveler foi o título inicial do jogo e quando foi anunciado criou um enorme hype entre os jogadores. Os fãs dos RPG clássicos de 16-bit ficaram impressionados com a qualidade que o jogo parecia ter, além de um aspecto visual incrível para o estilo em questão. Embora eu seja um enorme fã de RPG’s, a verdade é que os clássicos não são o meu forte, tanto que o jogo não me entusiasmou inicialmente, e os combates por turnos ainda me tiraram mais esperança de vir a gostar do jogo. Talvez por ter expectativas tão baixas, quando comecei a jogar Octopath Traveler comecei a perceber o quanto estava enganado, e que provavelmente encontrava-me perante uma pérola que tinha tudo para ser um sucesso. E foi desta maneira que me apaixonei por mais um diamante da Square Enix.

Ao todo existem 8 personagens jogáveis, e podem iniciar o jogo com qualquer uma delas sem quaisquer problemas. Cada uma tem a sua própria classe, usa uma arma em especifico e tem a sua própria história que em nada está ligada às outras personagens. No meu caso, tentei seguir a lógica do nome dos personagens para escolher, e por sua vez a ordem das histórias que iria fazer. Comecei com Ophilia, Cyrus, Tressa, Olberic, Primrose, Alfyn, Therion, H’aanit. E caso ainda não tenham percebido a lógica, é só olharem para a letra inicial do nome de cada personagem e vão obter a palavra Octopath. Interessante. Não é?

Comecei por Ophilia e tudo estava a correr como previsto, mas como é costume nos RPG, o estranho foi quando cheguei a Cyrus e percebi que a sua história em nada estava relacionada à de Ophilia. Claro, no início fez-me um pouco de confusão notar que basicamente as equipas servem apenas para os combates, no entanto, não é isto que estraga a experiência do jogo, muito pelo contrario, desta maneira foi possível à equipa de desenvolvimento criar histórias completamente diferentes e desconectadas umas das outras, abrindo assim um maior leque de opções para os personagens, e oferecendo histórias aos jogadores muito mais diversificadas, do que se existisse uma relação directa entre todos.

Outro ponto que torna cada personagem único, além da sua Classe, são as suas habilidades ao interagirem com os NPCs. Temos o caso de Therion, que consegue roubar itens; já Tressa por exemplo consegue fazer-nos pagar muito menos por itens que queiramos comprar; ou Cyrus por exemplo, que é óptimo a interrogar, conseguindo dar-nos informação preciosa para conseguirmos concluir as missões de uma maneira exemplar. Como é fácil perceber, neste sentido todos os personagens são únicos e isso oferece-nos uma panóplia de opções quase nunca vista em outros RPG’s do género.

Octopath Traveler impressionou-me bastante no aspecto que eu pensei que mais detestaria: no combate. Quando penso em jogos com combates por turnos, até me dá um arrepio na espinha (excepção feita a Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia, que nos apresentava uma espécie de tabuleiro e que nos dava a possibilitava termos uma componente mais táctica nos combates). Aqui temos diversas coisas a ter em atenção: as fraquezas dos adversários, a sua defesa, a nossa equipa (que no máximo pode ser de 4 personagens) e o boost de ataque. Mas vamos por partes. No caso da fraqueza dos adversários estamos a falar de determinados ataques que os deixam muito mais frágeis. E é possível ver isso num pequeno rectângulo que aparece junto deles, sabendo os ataques que os fragilizam, têm igualmente de saber a sua defesa, e aí podem ver o número de vezes que têm de atacá-los dessa forma para conseguirem esse efeito (esse número irá aparecer num escudo que indica quantos ataques faltam para que fiquem vulneráveis).

Já no que toca a ter a melhor equipa para os combates, é precisamente por causa das vulnerabilidades dos inimigos, que temos de obter uma equipa equilibrada, e com os ataques necessários. Além disso, é preciso ter em conta personagens que dão Heal ou que fazem ataques de área. Tudo isto deve ser pensado ao pormenor, ou então o power level é inevitável de maneira a ultrapassar determinados Bosses do jogo. Depois temos o boost de ataque, que por cada turno é-nos dado um boost points, e podemos acumular até 5 destes pontos. Esses pontos correspondem a X números de ataques físicos, ou a um incremento de dano nos ataques mágicos. Como tão bem adivinharam, com todas estas componentes existe sempre uma componente estratégica nos combates, além de nos vermos obrigados a dedicar alguma atenção à quantidade de HP e SP que os personagens têm. É um sistema que provavelmente vai impressionar muitos jogadores.

Quanto à duração do jogo, podem contar com imensas horas. Muitas mesmo. Mas ao contrário do que é habitual nestes RPG’s em que notamos que já passávamos um tempo considerável vidrados, devido à portabilidade da Nintendo Switch, o que provavelmente vos vai acontecer é jogarem em todos os tempos livres que tenham, e assim progredirem em muito menos dias do que acontecia quando jogávamos estes jogos em consolas mais convencionais.

Graficamente é fácil afirmar que é provavelmente o melhor pixel art visto até agora. Embora tente sempre recriar o ambiente dos anos 90, a verdade é que devido às cores, brilho, e às texturas altamente bem tratadas, ficamos mesmo com a sensação que estamos perante uma obra de arte. Tudo bastante incrível e bonito. Com uma vista 2.5D, onde tenta oferecer-nos um open world, o incrível mundo de Osterra, tem os caminhos bem definidos e cheios de itens para apanharmos, onde não faltam dungeons e cidades, umas gigantes e outras mais singelas. Importante também sublinhar que é possível fazerem viagens rápidas para determinados locais, o que ajuda bastante para quem gosta de explorar todos os cantos que ficaram por examinar.

A banda sonora é outro dos pontos fortes deste jogo, e nada maçadora como acontece em alguns jogos do género. Encaixa perfeitamente nos vários locais, e cria uma atmosfera fantástica para proporcionar a melhor experiência possível aos jogadores.

Dito isto, se são minimamente fãs de RPG’s, este é um jogo que não vão querer perder. Vale a pena cada minuto gasto, e é uma pérola que vem melhorar ainda mais o incrível catálogo que a Nintendo Switch tem construído desde que foi lançada. A Square Enix fez um trabalho formidável e acertou em cheio na receita para trazer novamente à ribalta um RPG do estilo clássico.

4.5

Sim

  • O sistema de combate está incrível
  • A historia dos personagens são bastante boas
  • Graficamente está soberbo!

Não

  • A falta de ligação entre personagens ao inicio é bastante estranha
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Categories Análises Nintendo
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