Na minha adolescência era completamente louco por uma colecção de livros com o nome de Aventuras Fantásticas, e ainda podem encontrar alguns à venda, porém já é raro. Estes livros tinham a particularidade de sermos nós a construir a própria historia, e passo a explicar. Ao longo do livro eram-nos dadas opções, que ao escolhermos teríamos de ir até uma página específica e continuar a ler a partir desse ponto. Até combates existiam, que eram feitos através de dois dados, condicionados por alguns valores base do protagonista, e que fazia com que se tornasse um pouco uma questão de sorte ou azar. A verdade é que se pensarmos bem, era muito mais um jogo em forma de livro, com tudo imaginado por nós, até mesmo a imagem do nosso personagem.

Os videojogos vieram trazer exactamente isso: a possibilidade de termos tudo isso no ecrã; não precisarmos de dados; e de ser o jogo em si a gerir todas as partes que tinham de ser feitas manualmente neste tipo de livros. Parascientific Escape: Crossing at the Farthest Horizon trouxe-me um pouco das Aventuras Fantásticas, mas em modo de videojogo. A própria  editora do jogo chama-lhe “visual novel adventure game”, significa por isso que nesta aventura a história já está estipulada como se vai passar, no entanto ainda com muitas escolhas para fazer, nem que seja nas nossas investigações.

Mais de 80% do jogo é passado em leitura, quase sempre através de conversas entre os personagens, e para quem gosta de histórias, assim como conhecer todos os pormenores, acaba por tornar-se bastante interessante; contudo, para outros jogadores pode transformar-se uma tortura de aborrecimento. Convém também referir que este é o terceiro jogo da trilogia, ou seja, o final da história. Os dois primeiros jogos são Parascientific Escape – Cruise in the Distant Seas Parascientific Escape – Gear Detective.

Para quem já conhecia os dois títulos anteriores, não ficarão surpreendidos com os protagonistas do terceiro, pois Hitomi Akeneno e o detective Kyosuke Ayana estão de volta. Para quem não faz ideia do que estes dois são capazes, podemos dar umas dicas: Hitomi é uma menina com poderes psíquicos, e que se encontra em Zena, um laboratório de pesquisa psíquica com a ambição de melhorar e aumentar os seus poderes. Quanto a Kyosuke, é um detective com um braço artificial e com o poder de conseguir voltar a trás no tempo num determinado espaço.

Claro que esta dupla não se junta por acaso, uma vez que se encontram na mesma cidade devido a acontecimentos relacionados com os jogos anteriores. O jogo funciona tal como os antecessores: alguns puzzles para se resolver e algumas pistas para recolher. A história está dividida por capítulos e cada um dura aproximadamente 2 horas.

Quanto aos puzzles, achei-os bastante simples. Pode ser por adorar jogos com quebra-cabeças, ou talvez sejam mesmo simples por natureza.

Relativamente à história, poderá ser um pouco complicado de entender exactamente tudo se não tivermos jogado os anteriores. Claro que ainda é possível finalizar o jogo, contudo será sempre mais fácil e esclarecedor para quem conhece a história de Parascientific Escape.

Graficamente o jogo não é nada de especial, tirando as personagens em estilo anime bastante bem desenhadas. Não existem vozes, apenas texto, e as músicas e sons são do mais básico que podemos encontrar.

Seja como for, o jogo cumpre o seu propósito. Não sendo um grande jogo para a Nintendo 3DS, quem gostar deste estilo, irá certamente divertir-se.

2.5

Sim

  • Personagens com um estilo anime
  • O final da trilogia

Não

  • Gráficos ficam muito aquém do desejado
  • Os quebra-cabeças são demasiado simples
  • Audio é simples e fraco
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Categories Análises Nintendo
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