De um estúdio recém chegado ao mundo dos video-jogo denominado por Phantom 8, chega-nos o seu primeiro trabalho. Past Cure, segundo a Phantom 8, é um jogo cinematográfico que mistura várias vertentes, thriller, terror e acção. Fruto dessa decisão, foi premiado com dois prémios, um na categoria Best Story Telling e o outro na categoria Public’s Choice, ambos de 2017. Para além destes dois prémios, Past Cure foi também nomeado a arrecadar o prémio Best Indie Game e foi finalista do prémio Best Art/Narrative. Estes prémios mostraram à comunidade gamer que estávamos perante um projecto que poderia dar muito que falar, pois provaram que esta equipa têm qualidade para fazer um jogo num nível superior.

 

 

Os trailers que foram aparecendo cativaram desde o primeiro instante, com uma história super entusiasmante com muito suspense e acção, algo que chama logo a atenção a quem os assistiu.Principalmente porque estamos a falar do primeiro jogo deste estúdio independente. Desde o dia que assisti aos trailers de Past Cure, fiquei com uma vontade enorme de jogá-lo, infelizmente fiquei desapontado talvez muito por culpa das extraordinárias imagens que foram transmitidas nos trailers, criando assim uma expectativa muito alta.

Apesar da minha opinião ter mudado após jogar Past Cure não quero dizer que ache injusto ou algo semelhante sobre os prémios ganhos, nada disso porque o ponto forte está na sua historia. A narrativa do jogo pode lembrar alguns grandes jogos que já pudemos jogar no inicio do século, mas foi muito bem modificada dando assim uma narrativa muito própria e contada de uma forma impecável. Serás Ian um ex-militar Americano que tal como muitos casos, Ian ficou com algumas sequelas psicológicas devido ao que vivenciou e às experiências com que foi alvo durante esse período conturbado. Depois de se ter retirado da vida militar, Ian e o irmão foram viver juntos numa casa luxuosa longe da confusão. Algo que se tornou irrelevante pois o estado clínico de Ian começou a piorar, as alucinações tornaram-se mais frequentes e cada vez mais reais. Com isso a narrativa anda muito à roda deste distúrbio do protagonista.

A nível gráfico (o causador principal da minha frustração), as cinemáticas estão fantásticas isso é um facto, algo que foi bem trabalhado, sem dúvida alguma. Mas quando passamos para o jogo propriamente dito, o que vais visualizar não é tão agradável. A existência de glitches é enorme, como inimigos sem vida ficarem “pendurados” em barreiras invisíveis ou até mesmo ficarem com metade do corpo dentro das paredes. Outro aspecto que visualmente poderia estar afinado, e a questão de renderização das texturas que por vezes conseguimos ver a texturas dos cenários a aparecerem. É por isso que digo que este tópico causou-me alguma frustração, a expectativa era bastante elevada, confesso, e honestamente tinha apostado muito neste jogo e tinha a esperança que Past Cure iria ser falado pelos melhores motivos. Ainda sobre esta assunto, os efeitos visuais também têm as suas limitações. Por exemplo os efeitos quando disparas estão básicos e até o impacto da bala no corpo do inimigo é inexistente, quero eu dizer que se te aproximares do corpo caído do inimigo e “espreitares” para o mesmo, não encontras marcas de disparo. Mas independente dessa vertente menos boa (que pode ser facilmente resolvido através de um update), os gráficos estão satisfatórios.

 

 

Passando à jogabilidade, este título é jogado na terceira pessoa e como já referi vais te familiarizar com alguns títulos que foram um sucesso como o famoso Max Payne. Tal como nesse jogo de 2001, Past Cure também tem um efeito de Slow Motion mas que funciona de maneira diferente. Enquanto em Max Payne, este efeito afectava tudo, no título da Phantom 8 esta habilidade afecta tudo o que rodeia Ian, sem este ser afectado. Ian tem outra habilidade que serve para andar pelo mapa como se um drone estivesse-mos a manipular e a sua duração depende da sanidade mental do protagonista. Esta patologia é melhorada com uns comprimidos que encontras nos cenários. No que diz respeito aos comandos do jogo vais perceber que são muito familiares quando comparado com jogos do mesmo estilo e assim sendo adapta-te bastante bem.

Em suma, estamos perante um jogo com algumas limitações mas que não podemos esquecer que se trata do primeiro trabalho desta produtora independente. Poderá existir quem pense que este projecto foi demasiado ambicioso, mas honestamente não acho isso. Até porque se o jogo tiver algumas actualizações nos aspectos menos bons, certamente que melhorará bastaste. A narrativa de Past Cure está bem elaborada e até cativante, devido ao mistério que nela existe. É um jogo, que sem dúvida alguma mereceu os prémios que ganhou, igualmente às nomeações. Foi uma aposta grande para esta equipa independente.

3.0

Sim

  • A história e a maneira como é contada faz o jogador querer conhecer o desfecho do protagonista.
  • Uma jogabilidade bastante familiar e de fácil adaptação.

Não

  • Muitos problemas visuais.
  • Renderização demasiado lenta.
  • As vozes das personagens sem sentimento.
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