Prey, um jogo que dava um filme!

Quando a Bethesda anunciou Prey na E3 de 2016, deixou-nos imediatamente com aquela sensação de provavelmente estar ali um jogo com muito potencial. Claro que como qualquer jogo que é apresentado na E3 – não sei se já repararam – é necessário sempre baixar a um pouco a fasquia, pois sabemos que o apresentado nunca é exactamente o produto final. Seja como for, posso afirmar que Prey é um excelente jogo, arriscaria mesmo dizer, que desde Half Life 2, nenhum outro jogo deste género me deixou tão agarrado ao ecrã, seja pela sua história intrigante, pela jogabilidade e até pelos gráficos.

Caso tenham jogado a demo de Prey, é impossível não vir à memória a série Half Life, especialmente pela chave inglesa que apanhamos no início e que por sinal, será uma companheira inseparável. Não sai Half Life 3? Não tem problema, Prey consegue ser um excelente “antídoto” para todos aqueles que andam “envenenados” à espera de um anúncio de Half Life 3.

Prey passa-se no ano de 2032, com o personagem principal a acordar no seu apartamento dotado de uma vista maravilhosa, recebendo a informação para vestir o seu fato de trabalho e ir apanhar o helicóptero que se encontra à sua espera, de modo a fazer uns testes. Quanto chega ao local, é acautelado pelo irmão – para ter calma nos testes e tudo correrá bem. Entra depois numas das salas onde irá proceder aos testes, ora, é nesse preciso momento que bizarramente assista a uma espécie de criatura atacar um dos cientistas que está a conduzir os testes, matando-o.

Nesse exacto instante, a nossa sala enche-se de um gás verde e provoca o desmaio do protagonista. Quando acordamos, parece que tudo não passou de um sonho, estamos novamente no nosso apartamento e tudo se encontra exactamente no mesmo local. O problema é que tudo o que tinha acontecido não era um sonho e ao vestirmos o nosso fato e sairmos pela porta do nosso apartamento percebemos que nada do que tínhamos vivenciado até aquele momento era real, na verdade tudo o que parecia o nosso apartamento, o helicóptero, e até a bonita paisagem que nos brindava sempre que acordávamos, não passavam de uma encenação, isto é, nós vivamos como uma espécie de rato de laboratório, sem percebermos que o que estávamos a viver não era real.

Pouco depois apercebemo-nos que estamos numa estação espacial chamada Talos I, em orbita à volta da lua. Percebemos também que o ser que tínhamos visto a atacar um dos cientistas era um Typhon, uma espécie que estava a ser estudada na Talos I e que tinha conseguido escapar do laboratório, matando a maioria da tripulação da estação espacial e multiplicando-se a um ritmo alarmante.

No que toca à história, vou ficar por aqui, para evitar os spoils e também porque merece ser experienciada e jogada ao ritmo de cada um. Tudo o que aqui foi contado podia ser visto e jogado na demo do jogo. No entanto, como já devem ter entendido, a história do jogo é excelente e se este é apenas o seu início, devem calcular que fica cada vez mais misteriosa e interessante.

Quanto à jogabilidade de Prey, é simplesmente magnífica e a Arkane Studios está de parabéns neste aspecto. É possível chegar a qualquer ponto que consigamos ver da Talos, seja por caminhos evidentes, como por caminhos “inventados” por nós. Isso mesmo, o jogo está feito para usarem a vossa imaginação e inteligência e tentarem chegar a qualquer local que deseje, por muito impossíveis que pareçam.

Como vos falei há pouco, em Prey é necessário usar a criatividade, isto porque em muitos dos locais gastamos imenso tempo tentando descobrir o código ou o cartão de acesso e contudo, por vezes, basta usar um pouco da nossa imaginação e como alternativa, podemos criar escadas com o nosso GLOO Cannon, simplesmente, ou mesmo conseguir abrir portas trancadas partindo o vidro de uma sala e usando o nosso Huntress Boltcaster de forma a acertar no botão para a abrir. Tudo isto é possível neste jogo, precisam apenas de ter calma e pensar bem em todas as estratégias que podem usar.

Já que falamos em armas, posso dizer que esta não é uma componente muito forte do jogo, nem poderia ser, já que não faria sentido uma estação espacial estar cheia de armamento. Existem diversas armas: como uma pistola, uma caçadeira, o GLOO Cannon, entre outras e também temos acesso a algo que se pode descrever como bombas, num desígnio futurista e que ajuda bastante a ultrapassarmos os inimigos.

Um aspecto que tenho de destacar é o nosso inventário, não sendo muito vasto, pode ser aumentado ao longo do jogo e é importante apanharmos tudo o que podemos ao longo do caminho, isto porque será possível utilizarem reciclar material para conseguir novos itens. Esses itens podem ser Kits médicos, armas, balas ou até neuromods (que falarei a seguir). Por isso até a casca de banana mais ressequida que virem no chão, levem convosco, valerá a pena!

Outra coisa que não posso deixar de falar é das habilidades, que podem ser ganhas a partir de itens que apanhamos chamados neuromods e estão divididos entre diversas categorias, embora no início apenas tenhamos acesso a 3 delas. Ao avançarem no jogo apareceram novas categorias, com novas habilidades, todas elas muito úteis.

Quanto aos Typhons – nome dado às criaturas – são os piores inimigos que poderiam encontrar – uma raça alienígena que se multiplica de cada vez que mata um ser humano. Existem diversos tipos e como devem prever, cada um mais difícil de ultrapassar do que o outro. Todos têm habilidades diferentes, assim como fraquezas e é importante conhecê-las bem.

O mapa de Prey é um tanto enganador, parece totalmente em mundo aberto e não é bem verdade, sendo que está dividido por diversas zonas e ao entramos noutra zona temos de suportar loadings de cerca de 30 segundos, todavia, nada disto prejudica o jogo. Cada área tem vários locais para explorar, assim com surpresas e muitos perigos à espreita.

São quatro, os níveis de dificuldade (fácil, normal, difícil e pesadelo), podendo revelar que o acabei em modo normal e de uma coisa podem ter a certeza – é um modo que já dá bastante trabalho, uma vez que a abordagem dos combates com os Typhon, tem de ser sempre cautelosa e o melhor método será mesmo tentar apanhá-lo desprevenido e conseguirem assim pensar numa estratégia para o atacar, ou então, evitá-lo discretamente sem que dê conta da nossa presença.

Graficamente o jogo está muito bom, não é o que nos apresentaram na E3, mas continua a ser muito bom. Quanto a esse tipo de comparações, facilmente percebemos que será muito difícil oferecerem um jogo aos jogadores tal como apresentam nas grandes feiras de jogos, isto deve-se à potência das nossas máquinas, sejam consolas ou PC. Claro que alguns PC’s é possível atingir uma melhor qualidade, mas seja como for, os jogos são pensados para chegar ao maior número possível de pessoas e é por isso que as especificações a nível de hardware não podem ser demasiado exigentes, com a consequência do jogo provavelmente nem vir a dar lucro. Por vezes é possível encontrar uma ou outra falha em algumas texturas, mas são muito raras.

Quanto ao som e a banda sonora, esta enquadra-se perfeitamente no jogo, mudando para algo mais assustador quando algum inimigo está por perto e para uma música mais calma quando o ambiente envolvente vai nesse sentido. Os efeitos sonoros são também eles ao nível do resto do jogo, isto é, acima da média.

Concluindo, Prey tem tudo para ser um dos melhores FPS lançados este ano, para não dizer mesmo nos últimos anos. Deixou-me super-entusiasmado e agarrado durante horas a fio até o acabar (além de explorar a Talos I por tudo o que era canto). Para quem gosta deste género, é daqueles jogos que não podem perder nem por nada.

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