Este foi um ano maravilhoso para a maioria dos jogadores, e não me lembro de nenhum género que não tenha recebido um jogo de excelente qualidade ao longo de 2017. Se bem se lembram, o ano iniciou-se logo com Resident Evil 7, com a Capcom a conseguir oferecer um óptimo produto, e fazendo com que os grandes fãs desta serie voltassem a agarrar com unhas e dentes este renovado Resident Evil. Chegamos agora ao fim do ano e chega-nos Resident Evil 7 – Gold Edition, uma espécie de Complete Edition, que nos traz o jogo e todos os DLC lançados.

Não vou entrar em detalhes no que toca ao jogo original, pois podem ler a análise do mesmo, aqui, feita pelo Pedro Completo. Por isso vou focar-me mais no novo conteúdo do jogo, isto é, os seus DLC (Banned Footage Vol.1 e Vol.2End of Zoe e Not A Hero). Convém referir para quem não sabe, que Not A Hero é um DLC gratuito, por isso mesmo que não tenham versão Gold Edition, nem tenham o Season Pass, podem descarregá-lo sem qualquer problema.

Banned Footage Vol.1 foi o primeiro dos DLC lançados, e oferece-nos três modos de jogo (Bedroom, Nightmare e Ethan Must Die). Bedroom proporciona uma experiência e jogabilidade idêntica ao jogo original. Neste pequeno episódio seremos Clancy (um dos personagens da demo Beggining Hour), e vamos sentir na pele o que é estarmos presos num quarto com a bela Marguerite que, de X em X tempo chega para oferecer-nos os seus fantásticos pratos culinários. Como é fácil de perceber, o objectivo é conseguirmos escapar daquele local sem sermos detectados. Para isso teremos de resolver diversos quebra cabeças, que estão bastante bem estruturados, e onde é preciso estarmos bastante atentos ao que nos rodeia, de maneira a conseguir resolvê-los. Embora curto, é uma excelente experiência para os jogadores.

Nightmare volta a centrar-se em Clancy, mas desta vez oferece uma jogabilidade diferente do jogo original, tratando-se de um modo com mais acção. Este modo passa-se durante a noite e é composto por cinco níveis, sendo que cada um deles representa uma hora da noite até à madrugada. Durante esse tempo o jogador tem de derrotar diversos grupos de inimigos, é possível usar diversas armas e criar itens assim como melhorar o nosso personagem. Um modo muito bem-vindo, que fará felizes os fãs dos modos Mercenaries e Raid de Resident Evils anteriores.

Quanto a Ethan Must Die, é um modo que não é para qualquer jogador, já que é um modo bastante hardcore que tenta separar os meninos dos homens (brincadeira). Como é fácil perceber pelo nome, aqui voltamos a ser Ethan Winters (personagem principal do jogo), e onde começamos sem nada: sem armas, nem itens para nos curar, nada mesmo. Teremos de apanhar recursos, e apanhar a chave que nos faz escapar deste local. Até agora tudo normal, o problema é a maneira como este modo está estruturado, desde diversas armadilhas, a inimigos posicionados em locais estratégicos, e baús protegidos como se fossem uma caixa forte. Como é fácil de perceber, a vida de Ethan não será fácil. Claro que a cereja no topo do bolo, é que caso morram, têm como prémio começar tudo de novo. Será que estão preparados para este desafio?!

 

Chegamos então a Banned Footage Vol.2, o segundo DLC de Resident Evil 7. E este, tal como o primeiro DLC, é composto por três modos de jogo (Daughters, 21, Jack’s 55th Birthday). Daughters é um modo furtivo e um episódio bastante importante deste jogo, é aqui que nos é mostrada a noite em que os Bakers foram dominados por Eveline. Neste seremos Zoe, a filha querida de Jack, e podemos facilmente perceber como os Bakers eram uma família normalíssima, e é praticamente impossível não nos lembrarmos imediatamente do jantar na casa dos Bakers, do jogo original. Aproveito para dizer que aqui existem dois finais, por isso provavelmente deverão jogar este modo no mínimo duas vezes para tentarem desvendar o segundo final.

21 volta a ser diferentes dos outros modos, tratando-se de um jogo de cartas contra Lucas (o filho dos Bakers). Somos mais uma vez Clancy, e as regras do jogo são bastante simples: o objectivo é conseguir o somatório de 21 pontos ou perto disso. Caso vocês passem os 21 pontos e o vosso oponente tenha um valor abaixo disso, já era! Posso desde já dizer que as apostas são feitas com o vosso corpo, isto é, começamos com os 5 dedos da vossa mão, e quando mais nada restar, a vossa própria vida! Bastante interessante não?!? Este é um modo de jogo “divertido”, e que é preciso ter alguma sorte à mistura. Eu que gosto bastante de Blackjack, achei a ideia bastante interessante.

Quanto a Jack’s 55th Birthday, seremos Mia, e temos como objectivo dar comida a Jack (não fizesse ele 55 anos). Tudo podia ser normal, caso não fosse termos de procurar comida por todos os lugares da casa, deparando-nos com horríveis criaturas que, por incrível que pareça, estarão bastante “mascaradas”, e a rigor, com belos chapéus para a festa de Jack. A dificuldade neste modo será conseguirmos guardar os vários pratos nos espaços do nosso inventário e, ao mesmo tempo, conseguir ter armas e munição para enfrentarmos estes nossos “amigos”. Para dificultar um pouco mais as coisas, temos de fazer isso num determinado tempo.

Passando agora para End of Zoe (DLC que saiu juntamente com Resident Evil 7 – Gold Edition), será uma prenda a alguns dos jogadores que tiveram imensa pena de deixarem para trás Zoe Baker durante o jogo original. Sem querer estragar a surpresa, neste novo episódio somos Joe, e durante a vossa caminhada vão perceber o porquê de Joe fazer tudo para salvar Zoe. Facilmente pelos trailers lançados pela Capcom verificarão que o protagonista é um “animal”, com uma força bruta incrível, e se na campanha original de pouco servia não termos uma arma, aqui será oposto, basta dois punhos firmes e socar tudo o que nos aparece à frente. Algo bastante engraçado é podermos usar o gatilho esquerdo para a mão esquerda, e o gatilho direito para a mão direita. Além disso, não existirão pistolas, nem caçadeiras (nem facas sequer). O máximo que vão conseguir ter são alguns explosivos e algumas lanças que poderão lançar aos vossos inimigos. Embora este DLC tenha momentos de stealth, a verdade é que está bastante mais virado para a matança, e facilmente se percebe isso em alguns momentos que não podemos avançar sem matar todos os inimigos.

Na verdade, este DLC embora seja divertido, e nos mostre o que irá acontecer a Zoe, deixa ainda mais perguntas sobre Joe. Seja como for, é uma experiência diferente do resto do jogo, nem que seja por não termos de passar todo o tempo com medo do que surgirá na “próxima esquina”, aqui teremos sempre os socos de Joe para nos salvar. Convém referir que este DLC pode ser comprado separadamente.

Por ultimo temos Not A Hero, e este DLC gratuito para todos os jogadores mete-nos na pele de um dos personagens mais importantes de toda a série Resident Evil, Chris Redfield. Ele apresenta um aspecto bastante diferente do que conhecíamos dos anteriores Resident Evil, no entanto é algo que já havia sido revelado no final do jogo original. Quando finalizei este modo de jogo, apercebi-me logo que este serve para abrir as portas a novos jogos da série, e onde ficamos a saber minimamente como a Umbrela mudou a sua postura. Apresentam-nos uma outra empresa que parece ser a “nova Umbrela” (The Connection), e de como tentaram ligar este jogo aos anteriores. Para quem conhece muito bem a história de Resident Evil desde o seu início, percebe que faltaram muitas pontas por ligar, e que existem algumas incoerências, mas também acredito que seria difícil ligar tudo, depois de toda embrulhada criada com Resident Evil 5, 6 e 7.

Passando para o que interessa, este terá com o vilão Lucas, o último sobrevivente da família Baker. Diferente do jogo original, jogar com Redfield é bastante diferente de Ethan, Chris é um soldado altamente treinado, e os diversos monstros que vamos enfrentar são meros problemas do dia a dia. E embora assim seja, continua a existir situações de bastante suspense e de algum medinho à mistura.

Pegando em Resident Evil 7 – Gold Edition a verdade é que esta versão completa do jogo merece todo o nosso respeito. Oferece-nos a experiência de um verdadeiro jogo de terror/survival horror. Consegue trazer aos jogadores algumas explicações que seriam necessárias para a continuação da serie Resident Evil, assim como abre caminho para novos jogos. Facilmente percebemos também que Chris será uma personagem que estará neste “novo reinicio” e é muito bem-vinda, apesar de toda a sua mudança de visual. Se já me tinha rendido ao jogo original, então com todos estes DLC (e muitos deles com excelentes momentos de jogo), posso dizer que este é efectivamente um dos jogos ano. A Capcom conseguiu trazer-nos o que muitos jogadores queriam, e com estes DLC conseguiu convencer tantos os jogadores que gostam de Resident Evil, com mais acção, como os jogadores do primeiros Resident Evil que preferiam bastante mais terror e suspense. Uma obra que ficará na memória de muitos jogadores, e será uma referência no que toca a jogos de terror/survival horror nos próximos tempos.

4.5

Sim

  • Oferece tudo aquilo que queremos de um jogo de terror/survival horror
  • Com os DLC aumenta a oferta no que toca a estilos de jogos
  • Claramente voltou aos grandes tempos de Resident Evil

Não

  • Joe está demasiado OP no DLC End of Zoe
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