Análise: Rime, ou como o mundo é uma tela

Existem historias que quando contadas têm impactos diferentes em cada geração, RIME, é uma dessas historias onde a versão de quem a joga será sempre diferente de jogador para jogador.

Rime conta-nos a historia de um rapaz naufrago, numa ilha cheia de mistérios, onde ao desvendar alguns segredos encontra uma raposa, que lhe indicará o caminho a seguir. Se substituirmos a ilha por um planeta, e mantivermos a raposa temos uma analogia quase perfeita com o Principezinho de SaintExupéry, ambas as crianças tem uma curiosidade nata de descoberta, algo que ao jogarmos mais e mais o jogo percebemos que não é apenas uma história para crianças, mas sim algo mais. Tal como o livro.

O jogo conta-nos varias facetas humanas como a dor da perda e a esperança do reencontro, sem nunca deixar de ser um título que uma criança verá como uma aventura onde ir para a fase seguinte, o facto de não ter um grande leque de inimigos, que nos obriguem a atacar, permite que este seja um jogo para qualquer idade. É nestas pequenas coisas que comparo o jogo com o livro, pois a cada idade que o mesmo seja jogado (ou lido) a mensagem transmitida será diferente, mas sempre satisfatória.

Em termos de jogabilidade como disse acima não ataques, o jogo é todo ele composto por puzzles que teremos de resolver para evoluir na história. Tudo o que seja utilizável ou que permita alguma interactividade é marcado por uma cor mais garrida, uma linha branca permite a subida numa parede, um brilho azul é uma luz que podemos transportar, ou um forte amarelo um item que precisamos de apanhar. Com este código de cores o jogo torna-se simples de jogar, visto não existirem tutoriais de qualquer tipo, nem para aprender a jogar nem para os puzzles. Neste mundo de Rime apenas usamos a voz numa espécie de canto, uma vez que apesar de ter “voz” o jogo não contem qualquer linha de texto ou frase, fazendo com que toda a historia seja contada pelas acções ou através de quadros ao longo das paredes, e isto aumenta o nível de encanto da obra enquanto peça de arte. A ajudar a transmitir as emoções podemos contar com uma banda sonora que acompanhará a par e passo todas as aventuras do nosso pequeno herói trazendo assim uma nova dimensão a tudo o que se passe neste mundo.

Infelizmente nem tudo pode ser avaliado por arte, e apesar de ser o ponto mais que alto deste jogo, esta concentração toda no aspecto visual, fez com que algumas áreas fossem mais esquecidas. Os mapas apesar de magníficos são algo confusos, e o facto de não ter nenhum painel de informações ou mapa nos menus, fez com que mais que uma vez me sentisse perdido, em busca da raposa para perceber onde ir a seguir. De igual forma o facto de ser um ponto positivo o jogo ser inter-geracional pode ser algo que seja visto como negativo, com o facto de existirem alguns puzzles que não são nada de especial, sendo algo inclusive básicos (a ultima área de jogo por exemplo foi algo que me desiludiu após os mundos mágicos anteriores).

Tirando estes dois pontos que até podem fazer parte do jogo, o mais frustrante foi os contantes frame drops que acabam por quebrar algum do espanto dos mundos (joguei numa PS4 original, sendo que o jogo deverá correr melhor na PRO).

A diversidade dos mundos, separados por temas é algo espantoso, começando na ilha um mundo cheio de vida, onde a cada canto encontramos um animal que queremos fazer uma festa, passando pelo deserto com um mar junto que esconde todo um mundo subterrâneo, passando por uma cidade abandonada e misteriosa, terminando num mundo sombrio onde reina o surrealismo, todos os mundos são cuidados e fontes de inspiração a qualquer fã de arte.

Rime é mais que um jogo, é uma obra de arte, que com a historia que conta se torna intemporal, e inter-geracional. A sua estética única como se de um quadro se tratasse o cuidado dado pela Tequilla Works nota-se a cada cenário como se fosse uma pintura nova, uma nova frase no livro.

 

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Comments (1)

  • sergio
    Junho 7, 2017 at 12:51 pm
    especial, sem dúvida. um jogo a adquirir.

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