Foi com muita alegria que voltámos ao mundo encantado de O Senhor dos  Anéis, mesmo que num segmento diferente, até porque os acontecimentos relatados neste Middle Earth Shadow of War encontram-se entre O Hobbit, A Irmandade do Anel e é claro o jogo anterior Shadow of Mordor. E começamos por aí mesmo visto que o início desta aventura de mais de 40 horas (sim 40 horas), retrata Celebrimbor a convencer o falecido Talion a forjar um novo anel do poder para impedir a destruição da Terra Média por parte das tribos de Orcs, pelo regresso de Sauron e os seus Nazgûl. No entanto enquanto Talion quer defender o mundo, em especial o seu, o de Gondor, Celebrimbor tem uma ambição maior, quer executar a sua vingança contra Sauron, mesmo que tenha que “morrer”, ele ou ambos. No entanto ao forjar o anel, ele rapidamente é perdido para Shelob, a aranha gigante da trilogia dos filmes, e todos os poderes de Talion juntamente com Celebrimbor desaparecem, e teremos que começar tudo de novo. Eu percebo que seria difícil, para dizer no mínimo, começar com os poderes adquiridos anteriormente, mas pareceu-me algo forçado a forma como a Monolith encontrou uma solução para começarmos do zero e andarmos nas primeiras 10 horas a matar tudo à espadeirada, a aprender o sistema de jogo e a evoluir Talion.

Shadow of War é um jogo muito maior do que o anterior, passámos de de dois pequenos mapas, para cinco pequenos mapas. Pequenos porque comparados a outros jogos o seu tamanho parece-nos reduzido, especialmente sendo mundos abertos, mas pelos menos mantendo o facto de serem 5 mapas em separado, isso melhora e muito a experiência com o sistema Nemesis, onde vamos criar rivalidades com os Orcs que lideram esses pequenos mapas.

Já que referimos o sistema Nemesis, falemos dele um pouco mais, até porque continua a ser a estrela do jogo e ainda hoje estou para perceber como é que nenhuma editora tentou sequer recriar este sistema para os seus jogos, tal é eficaz e recompensador.
Para quem jogou Shadow of Mordor, no início vai parecer muito semelhante, derrotando líderes e criando uma nova árvore do poder entre os Orcs, mas cada Orc tem características próprias e dificilmente vão os conseguir vencer sem encontrar os documentos que identificam essas fraquezas. Não há nada mais compensador do que dominar um Orc porque sabemos que tem medo do fogo ou porque é mais fraco se sofrerem ataques críticos, mas contudo o melhor ainda é fazer com que um Orc mais fraco domine o seu mestre porque tem conhecimento das suas fraquezas. Aliás recordo-me de um rapaz que conseguiu terminar o jogo anterior só com este sistema Nemesis, sem mexer uma palha. Não sei se dará para fazer o mesmo neste, mas isso serve para demonstrar o poder deste sistema.

Existem mais tipos de missões relacionados com este sistema Nemesis, mais formas de controlar os inimigos, mas também mais formas de sermos surpreendidos, como é o caso de um nosso ajudante ter uma ligação com o ajudante de um capitão Orc e então trair-nos pelas costas e lixar-nos à grande. Sim fiquei lixado, mas também disse “porra agora é que me deste a volta oh Monolith”, e fiquei contente porque é isso que faz os jogos serem “grandes”. Se um amigo vosso for lixado desta maneira podem sempre vingá-lo e devo dizer que as recompensas são bem boas se o fizerem.

Para além do Sistema Nemesis, temos agora de conquistar fortalezas de Mordor, e para isso Talion não chega e temos de juntar um pequeno exército para atacar estas zonas super bem defendidas, fazendo um cerco e passando por várias fases, entre as quais o desbloqueio de áreas específicas, o assasinato de capitães ou até mesmo do armamento de defesa dessa fortaleza antes do confronto final com o respectivo Darklord. Este é um dos aspectos mais bem conseguidos da Monolith, porque para além de dar uma maior durabilidade ao jogo, cria circunstâncias para estarmos constantemente activos e atentos também ao que se vai passando no Nemesis porque influencia muito as nossas escolhas, achei que estava muito bem integrado.

No jogo existem várias tribos de Uruk, Marauder, Machine, Dark, Terror, Feral, Mystic e Warmonger, sendo que me parece claro que os DLC vão trazer mais e mais fortalezas. Todas as tribos estão bem desenhadas, mas mais do que isso bem personalizadas, com estéticas diferentes e estilos de vida diferentes. E por aí posso falar da questão gráfica de Shadow of War, apesar de algum cinzentismo constante, todos os detalhes das tribos e das personagens estão muito bem conseguidos, assim como os efeitos visuais das “nossas” personagens, com a possibilidade de jogar em 4K tanto na PlayStation como na Xbox, sendo até um dos jogos que para a Xbox One X terá ainda uma maior definição, como de certo poderão ver no futuro por vocês mesmos.

A nível da jogabilidade, apesar de já termos falado aqui de muitos detalhes, o core do jogo, isto é, andar com Talion e Celebrimbor agarrado, é realmente boa, tal como era em Shadow of Mordor, não consegue ainda chegar ao gosto de Batman Arkham, mas está muito perto, apenas gerando alguma confusão com o salto e o rebolar automático que por vezes pode ser um empecilho. Fora isso temos um skill tree enorme que nos dá a possibilidade de gerir as nossas personagens, até mesmo o nosso exército, e ainda uma parafernália enorme de equipamento e armas para utilizar. E não fiquem preocupados com o lore, porque vão ter mais do que o necessário sem ter de pagar nada para conseguirem o vosso objectivo.

E aqui falo ainda do Social Conquest que tem gerado tanto polémica. Neste modo podemos de forma mais amigável ou não, atacar e invadir fortalezas de outros jogadores. É claro que quanto melhor estiverem equipados mais fácil poderá ser essa conquista, e é aqui que entra a problemáticas das microtransações, é que podem utilizar Mirian para ganharem alguns boosts, mas podem também gastar Gold, comprando-o através destas microtransações, e isso pode ser visto de má forma por muitos jogadores. Eu honestamente não senti que isso fosse necessário para conquistar fortalezas, mas também não fico muito contente por alguém que jogue pouco ou mal tenha andado pelo mapa consiga me roubar a fortaleza, mas talvez ache que não fosse necessário tal como não fiquei muito chateado com isso.

Shadow of War é aquilo que esperávamos depois do galardoado Shadow of Mordor, é um jogo maior, que exige muito mais a nível de tempo e de exigência, traz coisas novas, algumas ideias novas, e um sistema de combate muito eficaz e o excelente Sistema Nemesis. Peca pela falta de narrativa na construção das personagens, de ser mais denso e por vezes interessante, mas é um jogo que não podemos descartar de jogar, porque é de facto único em vários aspectos.

4.5

Sim

  • Sistema Nemesis e toda a sua glória
  • Podermos atacar fortalezas e construir o nosso exército
  • A jogabilidade continua a ser um ponto forte

Não

  • A narrativa das personagens é pouco densa
  • O Social Conquest pode gerar alguma polémica
  • Introdução de microtransações
Published
Views 543