Steel Division: Normandy 44 é implacável. Um passo em falso e toda a estratégia, todas as movimentações planeadas na nossa cabeça são esmagadas sobre o peso das lagartas de um tanque. É preciso estar em alerta constante e planos A rapidamente se transformam em planos B e C. Se procuram um jogo de estratégia relaxante, este não é o jogo certo. Steel Division é stressante e como a Segunda Guerra Mundial, o conflito que representa, brutal.

No entanto, isto não significa que seja exageradamente complicado. Quem já tenha experiência com a série Wargame vai adaptar-se rapidamente às mecânicas de jogo e mesmo quem chegue pela primeira vez não terá grandes problemas em perceber como o jogar, graças a um tutorial muito competente. Este ensina o jogador todas as táticas necessárias para vencer, de uma forma equilibrada, não atirando demasiadas coisas ao jogador de uma só vez. Isto com missões interessantes e todas elas guiadas por uma voz que nos esclarece quase todos os detalhes do jogo. O suficiente para que o jogador se sinta confiante para comandar as suas tropas pelas próprias mãos em Skirmish ou na campanha.

Cada batalha começa pela escolha das unidades que queremos incluir no nosso Battlegroup. Cada uma destas unidades custa recursos, umas mais que outras, e estes recursos são ganhos à medida que o tempo passa durante a batalha. Mas este não é o único factor a ter em conta, visto que existem três fases em cada batalha. Cada unidade terá uma fase associada, ou seja, um elemento de infantaria poderá ser da fase A, estando portanto disponível logo de início, enquanto que um tanque poderá pertencer apenas à fase C, e será desbloqueado mais tarde na batalha. É necessário portanto, planear de antemão o inicio, meio e fim de cada conflito.

Criam-se assim todas as condições para um RTS diferente. Steel Division: Normandy 44 obriga a um ritmo de jogo mais lento, onde pequenas decisões têm um grande impacto e o posicionamento das tropas é tudo. Criar oportunidades para flanquear e/ou emboscar o inimigo é crucial para vencer cada batalha. O que nem sempre é fácil, porque o jogo não permite visualizar as tropas inimigas por todo o mapa. Existe porém, forma de perceber que zonas estão a ser dominadas pelo nosso adversário, assinaladas como zonas azuis para a nossa linha da frente ou vermelha para a linha de frente do inimigo. Percebendo assim a possível presença de tropas adversárias no mapa.

Mesmo assim, Steel Division: Normandy 44 é tudo menos aborrecido. Frequentemente sentimos a victória a fugir-nos das mãos, com dezenas de eventos a acontecer ao mesmo tempo. E mesmo com a possibilidade de desacelerar o tempo até quase à pausa, nunca estamos em total controlo da situação, se existe um lado do mapa em que um flanqueamento está a correr como tínhamos planeado, existe sempre outro onde estamos a ser completamente dizimados pela artilharia inimiga. Há sempre um certo elemento de caos e surpresa que nos obriga a analisar e a prever cada movimento do inimigo.

O modo single-player oferece três campanhas diferentes, com os Estados Unidos da América, Alemanha e Reino Unido, perfazendo um total de 12 missões. Mas se a campanha não for suficiente, existe um modo Skirmish, com vários mapas disponíveis e uma inteligência artificial devastadora. E claro, para prolongar a vida do titulo, um modo multiplayer que permite combates de um contra um até um caótico 10 contra 10.

Não é fácil criar um RTS tão empolgante como Steel Division: Normandy 44. Por todo o tempo que nos pede para aprender todas as mecânicas do jogo, somos recompensados a dobrar por um sistema de combate elegante e que nos cola à frente ao ecrã. Por cada derrota, cada emboscada falhada, existe momentos onde tudo aquilo que planeamos corre exactamente como queríamos. E é por estas ocasiões que Steel Division: Normandy 44 vai ficar instalado no nosso PC durante muito tempo.

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Redactor

Nascido e criado numa ilha dos Açores, passou os anos formativos dividido entre os sons do gira-discos e do Spectrum 48K. Jogou nas consolas da Nintendo e devorou a era dos 486, Pentiums e Voodoo's em SLI. Ávido consumidor de tudo que é tecnologia, tem no PC a sua arma de eleição.

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