Stellaris é um daqueles jogos que já ocupou imensas horas do meu tempo. Tem várias componentes das quais gosto particularmente em jogo de estratégia: desde diplomacia, guerras, conquistas, além de uma exploração espacial bastante interessante. A verdade é que a Paradox Interactive, para continuar a conseguir agarrar os jogadores ao jogo, de tempos em tempos, lança um novo DLC. Desta vez foi Synthetic Dawn. Neste novo pacote vamos ter a oportunidade de jogar com diversos tipos de facções robóticas, ou contra eles.

Por um lado, é bastante benéfico para os jogadores que já se encontram no jogo, mas para novos jogadores que iniciam a sua jornada em Stellaris, poderá ser bastante complicado. Isto porque se o jogo sem DLCs já tem uma complexidade grande, então com todos os DLCs a coisa torna-se mesmo hardcore.

Synthetic Dawn é como um novo condimento para adicionar ao jogo original. Trás um pouco mais de história, nomeadamente dos novos robôs adicionados ao jogo. São três as facções robóticas que podemos encontrar: uma que detesta tudo o que seja organismos vivos; outra que tenta imitar esses mesmos organismos vivos; e outra é meio cá, meio lá (se é que me faço entender). Claro que, como é habitual, caso queiram iniciar-se nesta robotização, poderão escolher os atributos dos vossos robôs como sempre foi possível fazer ao criar uma nova civilização em Stellaris.

No entanto, quando apontamos para algo que fazia sentido existir em Stellaris, e se falarmos principalmente de exploração espacial, automaticamente temos de pensar em tecnologia. Ora, falando em tecnologia avançada, facilmente chegamos a robôs, o que nos leva depois a inteligência artificial avançada. Juntando todas estas componentes podemos chegar a “civilizações” robotizadas e até à luta de seres vivos contra máquinas. Daí este DLC fazer todo o sentido.

Se pensam que o jogo continua exactamente na mesma, e que a novidade se encontra somente sob a forma destas três facções robóticas, então desenganem-se.

Pensem comigo:

Como seria se estivessem no vosso território, e soubessem de um momento para o outro, que logo ao lado estaria uma facção robótica com a particularidade de detestar humanos? Qual seria a vossa reacção? Desatar a atacar? Questionarem-se de modo quase obsessivo relativamente ao dia que finalmente vos iriam atacar? Simplesmente fugir? Ou melhor: imaginem o inverso – uma entidade que detesta tudo o que se possa considerar como organismo vivo. O que fariam? O extermínio? Ou simplesmente ignoravam até existir um confronto inevitável?

Outra das novidades de jogar com estas máquinas é a preocupação com os materiais. Alguns passam a ser quase irrelevantes, enquanto outros têm uma importância extrema. Dando um exemplo: se os alimentos pouco valor têm, os minérios e a energia, pelo contrário, têm um peso fundamental.

E aqui está um ponto que não posso deixar de tocar, e mais precisamente, a forma aleatória como os mapas são gerados, Caso esteja enganado e estes não sejam aleatórios, então, algo está muito errado no código do jogo. Isto porque ao fazer três a quatro campanhas com facções robóticas, notei que em alguns casos, os planetas à minha volta abundavam com materiais dos quais precisava, fazendo com que crescesse rapidamente, e dominando sem grande dificuldade tudo o que se encontrava ao meu redor. Noutros casos, os planetas mais próximos eram quase como grãos de poeira: não tinham materiais de relevo, e os que tinham era em pouca quantidade. Isto é, levou-me ao fracasso por não conseguir evoluir tão depressa como as civilizações vizinhas. O resultado pode tornar-se verdadeiramente frustrante, visto ser um jogo onde gastamos imenso tempo nos pormenores.

No final, a verdade é que Synthetic Dawn sabe a pouco. Fica a sensação de que algo ficou esquecido, ou na gaveta. Graficamente continua fantástico, mas isso já é conhecido de quem possui ou viu imagens ou vídeos do jogo. Contudo, se querem seduzir os jogadores, é necessário algo mais entusiasmante. E tocando num ponto extremamente complexo, principalmente em jogos com esta dimensão, a Inteligência Artificial, especialmente no que toca à diplomacia, começa a ser demasiado curta para um jogo que já leva tantos conteúdos novos.

Os jogadores precisam de complexidade a esse nível, notar que as diversas civilizações “pensam” mesmo. Em suma, algo mais vivo. Faltam pactos interessantes. Ou melhor: falta dinâmica e interacção entre as civilizações.

Concluindo, Synthetic Dawn é um conteúdo interessante e que fazia bastante falta ao jogo. Na minha opinião, tudo o que este DLC trás é bastante bom, o problema está, na realidade, naquilo que não trouxe.

3.5

Sim

  • Faz todo o sentido existirem facções robóticas
  • A diferença de recursos usados entre robôs e espécies vivas
  • Graficamente continua fabuloso

Não

  • Já se sente falta de uma IA melhorada nas partes diplomáticas
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Categories Análises Pc e Mac
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