Bem tenho de começar esta análise pelo primeiro contacto que tive com o Strikers Edge. Foi no Lisboa Games Week, no Auditório que elaborámos, o saudoso Auditório Salão de Jogos, onde iríamos conversar com o Ivan Barroso (que estava a coordenar a zona dos developers portugueses). Em vez dessa conversa sobre a indústria, o Ivan propôs colocar-mos a malta a jogar o Strikers Edge. Nós, como o costume nunca dizemos que não a um desafio e decidimos tornar aquilo um estádio com o lado esquerdo a torcer por uma equipa e o outro pela outra equipa. Mal nós saberíamos que faríamos mais barulho do que o stand da Asus com o torneio de League of Legends. De facto percebemos rapidamente o potencial do jogo, sem necessitar qualquer apresentação a malta atirou-se aos comandos e vibrava a jogar um jogo tão simples e tão certeiro ao mesmo tempo. Bastava acertar no outro até ele morrer, simples não é?! A malta gritava, vibrava, viam-se esgares de dor quando a sua equipa levava um tiro certeiro na tola e puxava pelo seu favorito, eu no meio a tentar comentar ou relatar o que ali se passava, parecia estar num combate de UFC a decidir o título de campeão de pesos pesados, foi realmente a loucura e uma experiência inesquecível.

Portanto foi fácil de perceber porque é que pouco tempo depois, os developers de Strikers Edge já juntamente com Ricardo Flores da Funpunch Games venceram os Prémios PlayStation Talents. A partir daí foi conquistar a Europa e depois o Mundo a mostrar um jogo com tanto potencial como de divertido. Durante esse tempo o jogo também foi arrecadando diversos prémios e passando por diversas feitas de jogos internacionais. Foram 3 anos a afinar arestas e a preparar o lançamento do jogo PlayStation 4 e Steam.

Foi então no passado dia 30 de Janeiro que Strikers Edge chegou a todos os jogadores, este que é um jogo bastante simples, existem duas equipas, uma que se posiciona do lado direito e a outra do lado esquerdo, podem ser combates de 2 vs 2 ou de 1 vs 1. O objectivo é eliminar o adversário, que está do lado oposto ao nosso. Se quando o conhecemos era apenas um jogo multiplayer local, passámos agora para um jogo multiplayer online com direito a campanha e tudo. O jogo ficou mais composto, mais robusto e com uma longevidade muito maior.

A campanha serve no fundo para perceber as técnicas das nossas personagens, conhecer as suas forças e fraquezas, o seu estilo de jogo, a sua rapidez ou não, a sua defesa ou ataque destrutivo, essa é a sua maior função, o treino para o modo multiplayer. São oito personagens, portanto oito curtas histórias para terem algum contexto dos nossos heróis, se bem que o tutorial nos dá as indicações necessárias para começar, mas a campanha faz-nos compreender os meandros do jogo, as qualidades de cada guerreiro e mais importante do que tudo, perceber que cada cenário tem a sua vantagem e desvantagem. Dizer ainda que a campanha está longe de ser um passeio, especialmente na dificuldade mais acima, vão perceber que Strikers Edge é bem “puxadote”, fazendo-nos lembrar os antigos jogos de computador onde tínhamos que suar e partir comandos para sair vencedor.

Ao todo existem 8 lutadores (ou Strikers), cada um com as suas habilidades, a sua historia e o próprio equipamento ajuda-nos a reconhece-los facilmente. Temos então Eir uma Valquiria, Argalus um Espartano, Urgür um Bárbaro, Laëç uma Arqueira, Galad um Cavaleiro, Bjerg um Viking, Tamsin uma Feiticeira e por fim Haru um Ninja.

A nível de gráficos, contem com um brilhante pixel art detalhado e colorido, com cenários vivos, tanto no movimento do público ou da própria natureza, extremamente fluído e vibrante. Destaque ainda para os momentos de slow motion quando a barra de vida está quase no 0, em que o ataque desferido pode ser o último, ou então conseguimos desviar ou deflectir no último instante, tudo para dar mais emoção à batalha, seja em formato 1 para 1 ou 2 para 2.

A jogabilidade é o centro das atenções, basicamente é um jogo do mata, onde quem sobreviver ganha, e onde vamos andar para cima e para baixo e para os lados a tentar escapar dos ataques dos adversários e acertar mais vezes neles do que eles em nós, simples, basta termos atenção à barra de vida e do vigor para conseguirmos continuar a desferir golpes, sim porque isto aqui não há a tendência para recriar auto-fire, temos mesmo de atacar com conta, peso e medida. É essa gestão de todos estes pormenores enquanto estamos embrulhados numa luta frenética e a gritar na cara do nosso amigo lá em casa: “TOMAAAAA!!!” que torna o Stikers Edge um fenómeno difícil de desgostar. O seu problema apenas se centra, neste momento, na dificuldade de arranjar com quem jogar no modo online, por vezes com alguns minutos de espera, mas acreditamos que isso vá melhorando com o tempo. Destaque ainda para a versão para PC que possui já integração com a plataforma de streaming Twitch. Nesse caso podem ter uma interacção directa entre os streamers e os seus espectadores, podendo mesmo apoiar o seu guerreiro favorito, comentar o evento ou até conceder poderes especiais aos jogadores ou até atirar obejctos para a arena. Parece bem gira esta opção e diferente do comum.

Strikers Edge é uma curtição do caneco, já não divertia tanto há muito tempo a jogar contra um amigo em casa, ou como aconteceu no Lisboa Games Week, com um público a puxar como se tivesse na bola, e de facto, o jogo está feito para isso mesmo, para ser divertido, justo e desafiante ao mesmo tempo, e é a confirmação que o trabalho árduo vale a pena, que Portugal seria campeão em tudo, e que a iniciativa PlayStation Talents dá frutos. Parabéns!

4.5

Sim

  • Viciante e super divertido entre amigos
  • A arte e o grafismo do jogo
  • Controlos super fluídos

Não

  • Match Making a demorar muitos minutos
  • Podia ter mais sumo na campanha
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