Nestes últimos anos temos visto o mercado dos videojogos oferecer-nos cada vez mais jogos indies. Se por um lado é excelente, pois significa que cada vez existe mais estúdios independentes a desenvolver jogos, por outro, o mercado começa a ficar saturado de jogos que por vezes nem nos oferecem os requisitos mínimos de qualidade. Para mim, esse filtro devia ser feito pelas editoras, que antes de publicarem qualquer jogo deviam verificar a sua qualidade. Felizmente existem algumas que obedecem a esse critério, e normalmente os jogos que mandam para o mercado são de excelente qualidade, um desses casos é a tinyBuild Games.

The Final Station é um jogo desenvolvido pela Do My Best Games, que já tinha chegado a todas as plataformas, excepto na Nintendo Switch. No passado dia 27 de Fevereiro chegou finalmente à consola da Nintendo, e para aqueles que conhecem o jogo, fiquem já a saber que continuam perante um jogo extremamente incrivelmente sólido, e que nos deixa agarrados a ele durante imenso tempo. E jogá-lo novamente na Nintendo Switch, fez-me passar outra vez por momentos incríveis.

Para aqueles que passaram ao lado do jogo durante estes anos, podemos começar por dizer que seremos um condutor de locomotivas. Mas vamos por partes, o prólogo do jogo começa com um personagem que não é o nosso, que se encontra armado, e no meio de uma espécie de mundo infestado de criaturas estranhas que matam todos os humanos que apanham à frente. Este prólogo deveria servir como uma espécie de tutorial, embora seja exactamente o oposto que se verifica, já que ali entramos logo em acção. E imediatamente, num verdadeiro caos, toca a tentar descobrir para que serve cada tecla. Isto simultaneamente com diversas criaturas, uma arma; perceber como mover a mira; como disparar para sobrevivermos; e para piorar, quando abrimos uma das muitas portas, um monte de monstros cai em cima de nós, e morremos. No entanto, convêm referir que sempre que colocam o jogo em pausa aparece todas as teclas que podem usar e para que serve.

Depois deste acontecimento, uma tela diz-nos que se passaram bastantes anos entretanto, e é ai que finalmente começamos a jogar com o nosso personagem. Acordamos em sua casa, e lá vamos nós trabalhar depois de umas férias. Ao chegarmos ao local de trabalho, tudo está normal, e começamos a nossa aventura. Neste jogo podemos interagir com diversos elementos do cenário, desde falar com as pessoas que encontramos, apanhar materiais que estão dentro de armários, ler diversas folhas que encontramos, assim como ecrãs de dispositivos. Percebemos também logo no início que para avançarmos para outra estação, será sempre necessário colocar o código de desbloqueio de cada uma delas (cenário perfeito para nos obrigar a explorar).

Se nas duas primeiras estações tudo parece estar minimamente normal, na terceira, as coisas começam a mudar de figura e logo percebemos que o jogo tem uma história realmente bem elaborada. A estação enche-se subitamente de militares armados, e um dos oficiais da operação militar precisa de falar connosco. É aí que nos dizem que teremos de levar o comboio com uma determinada carga para uma estação, e claro, não podemos falhar, uma vez que “eles estão a chegar”. E sem nos informarem de quem são “eles”, mandam-nos seguir viagem, com a carga à nossa responsabilidade.

Sem querer estragar-vos a surpresa, posso dizer que a partir desta estação tudo muda. Compreendemos que nos meteram provavelmente num comboio, e que o nosso destino será a morte. Aqui começa a nossa luta pela sobrevivência. Sempre que chegamos a uma cidade teremos de explorá-la para encontrar o código de desbloqueio para seguir caminho. Mas claro, essa cidade estará infestada dessas criaturas que nos querem aniquilar. Encontraremos também diversos itens, como armas, balas, comida, materiais e também alguns sobreviventes.

Como um bom jogo de sobrevivência, como devem imaginar, os recursos são bastante limitados, e temos de saber gerir tudo: comida, kits médicos, balas, e até objectos, para atirar às horrendas criaturas. Se calhar estão a perguntar o porquê de gerir comida, mas passo a explicar que, todos os personagens do jogo têm fome, tanto nós, como os sobreviventes, e portanto, quando queremos salvar um sobrevivente, se ele estiver ferido ou com fome, teremos de partilhar com eles a nossa comida, e também os nossos kits médicos. Claro que o jogo também permite que vocês não os ajudem, no entanto, como consequência, eles morrerão no vosso comboio à fome, ou com um qualquer problema de saúde, e tudo ficará de acordo com a vossa consciência. Contudo, quando conseguem deixar os sobreviventes na estação que eles pretendem, recebem uma recompensa por cada um deles. Mas existe um porém, porque alguns sobreviventes valem mais que outros. Tudo está nas vossas mãos.

Quanto às armas, há de diversos tipos que vão apanhando durante a vossa aventura, todavia, o grande problema está na quantidade de balas que têm à vossa disposição. E embora possam criar balas no vosso comboio, assim como outras coisas, a verdade é que precisam de materiais para isso, materiais esses que também são limitados. Logo têm de ponderar muito bem se querem gastar esses materiais, ou se acham que vão precisar deles mais tarde. E além de se poderem defender com armas, também podem usar os ataques corpo a corpo, socando os vossos inimigos.

Existem criaturas para todos os gostos, umas mais fracas, outras bastante rápidas, umas mais resistentes, outras com uma espécie de armadura, outras que explodem. Ou seja, tudo bastante interessante e desafiador. E quando tiverem de enfrentar um grupo, preparem-se para por vezes terem mesmo de fugir e pensar bem qual será o melhor plano para as destruir, isto sem que tenham de gastar demasiados recursos.

A jogabilidade de The Final Station está brilhante. A maior dificuldade no início estará em terem total controlo da mira com o analógico direito, algo que depois de algum tempo de jogo ultrapassam sem qualquer problema.

Graficamente o jogo é todo em pixel art, com um estilo retro bastante interessante. As diversas cidades que encontramos são num tom de cinza, para dar aquele ar pós-apocalíptico e até aquela sensação de pânico. Embora seja em pixel art, tudo é apresentado com bastante detalhe e com uma excelente qualidade. É importante também referir que o jogo tem uma vista de lado toda em 2D, e podem subir e descer escadas, partir janelas, abrir portas, abrir armários e interagir com diversas coisas durante o vosso percurso como, já havia dito. The Final Station até a nível gráfico consegue deixar-nos rendidos.

Quanto ao audio também está exemplar, os efeitos de som estão muito bons, assim como as musicas que embora só apareçam de vez em quando, estão muito bem focadas para o tipo de cenário que encontramos durante o nosso jogo.

É importante também referir que esta versão da Nintendo Switch traz a expansão do jogo, The Final Station: The Only Traitor, um DLC bastante mais curto que o jogo principal. Jogamos com outro personagem, um sobrevivente, e mais uma vez, o objectivo é precisamente esse: sobreviver. Se no outro jogo tínhamos de arranjar o código da estação para prosseguir na história, neste as coisas são totalmente diferentes. Primeiro, não somos um maquinista, e o que temos de encontrar nas diversas cidades, não é agora apenas um item, mais sim três (água, comida e gasolina). Irão encontrar aliados e novas criaturas, mas para não vos estragar a experiência, já que o DLC é curto, não me vou alongar mais e prefiro que descubram por vós.

Algo que não quero deixar passar ao lado, e tenho de enaltecer, é a existência de diversos idiomas disponibilizados, entre as quais a Língua Portuguesa, e tanto oferece o Português de Portugal, como Português do Brasil.

Concluindo, The Final Station é uma excelente entrada no catálogo da Nintendo Switch. Um jogo consistente, com uma história interessante, e que nos deixa verdadeiramente vidrados. Se nas outras plataformas, já tinha sido recebido com grandes notas, na Nintendo Switch não deixa de ser igual, oferecendo ainda a parte da portabilidade que é sempre uma mais-valia. A mim agradou-me imenso e deixou-me completamente agarrado à consola. Vale bem a pena jogá-lo e pelo seu preço, atrevo-me a dizer que é mesmo um jogo que não podem deixar passar.

4.5

Sim

  • Uma jogabilidade excelente
  • Um verdadeiro survival!
  • Língua Portuguesa mesmo sendo um jogo indie

Não

  • Gerir a mira com o analógico direito é bastante estranho no inicio
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Categories Análises Nintendo
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