Foi um passo arriscado por parte da Creative Assembly, quando em 2016, se afastou do modelo tradicional de Total War, para se aventurar na fantasia de Warhammer; contrastando claramente com a aproximação ao realismo histórico pelo qual Total War sempre foi reconhecido.

Mas o êxito está à vista de todos: eis que 18 meses depois, aí está a continuação. 

No fundo, Total War: Warhammer 2 é uma expansão em formato standalone, não oferecendo uma grande transformação em comparação com o produto do ano passado. Pelo contrário. Aproveita o que teve sucesso no primeiro, adiciona uma campanha completamente nova, algumas novidades, e tenta corrigir o que não correu tão bem. E o melhor exemplo é que, se tiverem ambos os títulos, existe a opção de no futuro, quando for lançado o DLC gratuito Mortal Empires, fundirem os dois jogos, num mapa e campanha combinados, com 117 facções.

A série Total War: Warhammer vai buscar inspiração jogo de tabuleiro Warhammer Fantasy Battle, comercializado em 1983, e que imediatamente se tornou um clássico. Na verdade, sente-se a cada momento a preocupação em conservar aquela sensação característica dos tabletops. Apenas faltam os dados.

Funciona por turnos e consiste essencialmente no planeamento militar, na diplomacia, e na gestão social e económica. Para os amantes dos RTS, da estratégia, e também apaixonados pelo universo Warhammer – difícil era pedir mais.

A história centra-se num misterioso Vortex, cuja energia é cobiçada para empoderar os propósitos e as intenções – umas mais perversas do que outras – das quatro raças existentes em Total War: Warhammer 2.

Começando pelos High Elfs, no alto do seu estatuto de moralidade e dever, têm um exército bastante composto, primando especialmente pela versatilidade. A artilharia não é das mais eficientes, mas têm os Phoenix Guards, uma das melhores infantarias de elite que iremos ter o prazer de comandar. Claro, e os temíveis Star Dragons, capazes de dizimar pelotões inteiros numa questão de segundos.

Como versão mais sombria dos High Elfs, temos os Dark Elfs, os seus arqui-inimigos. Outrora do mesmo sangue, uma disputa de poder esteve na origem da guerra civil, causando a inevitável separação. O principal objectivo é capturar a Scroll of Hekarti e ganhar o controlo do Vortex.

 A sede de guerra é mesmo uma necessidade dos Dark Elfs, tendo influência directa na maneira como estabelecemos relações e ganhamos o respeito dos nossos aliados. Com os escravos a desempenharem um papel importante na economia, mais do que em qualquer outra raça.

É nas Black Arks que podemos encontrar uma das grandes vantagens dos Dark Elfs. Uma espécie de acampamento móvel, que acrescenta opções determinantes às tropas, caso estas precisem de suporte. Com uma referência para os Darkshard, poderosa infantaria no ataque à distância.

Depois temos os Lizardmen, que apesar da aparência, os seus princípios são nobres. Possuem uma das infantarias mais fortes, com o particular de poderem ainda montar dinossauros. Têm uma evolução inicial ligeiramente lenta, que compensa depois com um end game fortíssimo.

Por fim, os Skaven. Ratos, literalmente. Daí viverem underground. Com uma capacidade incrível para resistir às situações mais adversas, usam da corrupção para contaminar e dividir. As terríveis pragas são a arma preferida desta raça, enfraquecendo e espalhando o horror pelos exércitos inimigos. Uma vez que o custo de produção das suas unidades mais básicas é barato, no começo, são obrigados a confiar nos números para prevalecer no campo de batalha. Porém, quando os Ogres se erguem, tudo muda. A artilharia é sólida, nomeadamente as Plagueclaw Catapults e os Warp-Lightning Cannons, enaltecendo de forma evidente a flexibilidade dos Skaven.

Os combates continuam fiéis ao que caracteriza Total War, no entanto, com a mitologia de Warhammer, conquista um lugar especial na saga. Às vezes é até difícil resistir à vontade de entrar em batalha por todo e qualquer motivo. Contudo, convém estar devidamente preparado. O terreno, a organização, o timing, e o conhecimento da força inimiga, são pormenores que farão a diferença, a curto e a longo prazo.

Com uma banda sonora de excelência e uma notável representação gráfica, a boa optimização também ajuda, sem que haja uma queda visível de FPS quando os mapas estão mais lotados. E sim, é possível jogar em 4K.

Total War: Warhammer 2 está entre os melhores títulos da série, e quando surgir a opção de se fundir com o anterior, arrisco a dizer que ganhará o pódio como o Total War mais completo e extenso já feito. Para os fãs da estratégia, este é daqueles que não vão querer perder.

4.5

Sim

  • Uma excelente campanha
  • Batalhas do melhor que se pode encontrar em jogos de estratégia

Não

  • Alguns problemas para conseguirmos controlar a camera de modo mais prático
Author Nuno Mendes
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Categories Análises Pc e Mac
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