Análise: Ultra Street Fighter II – The Final Challengers

Há jogos que nos marcaram para sempre, seja por todos os grandes momentos que nos proporcionaram; pela sua excelente história; ou mesmo pelos vários torneios que fizemos com os nossos amigos. Todos os amantes de videojogos passaram por este sentimento em algum momento das suas vidas.

Poderia até chamá-los de “os jogos da nossa vida”, e se assim fosse, Super Street Fighter 2 seria um desses jogos. Lembro-me dos bons momentos que passei com amigos da minha infância a jogá-lo e da “loucura” que era para um rapaz de 10/11 anos entrar num salão de jogos. Mas a verdade é que felizmente entrei bastantes vezes sem me pedirem identificação e lá ia eu, colocar a minha moedinha de 50 escudos (é verdade jovens, Portugal já teve uma moeda chamada escudo!).

No dia 13 de Janeiro, quando a Nintendo e a Capcom anunciaram Ultra Street Fighter II – The Final Challengers para a Nintendo Switch, eu nem queria acreditar no que via. Aquele jogo que tantos bons momentos me trouxe estava de volta, com novos gráficos, a mesma jogabilidade, e a conservar o estilo a que sempre nos habituou. Bem sei que saíram imensos jogos de Street Fighter, e neste momento o mais recente até é Street Fighter V, mas sejamos francos, nenhum teve tanto sucesso e nos divertiu como Street Fighter 2.

Depois de este desabafar de emoções, vamos lá ver o que nos oferece Ultra Street Fighter II – The Final Challengers. Como seria de esperar, o jogo oferece-nos diversos modos, sobressaindo o modo online, que será o que os jogadores provavelmente mais jogarão.

Começando pelo Modo Arcade – o modo história, por assim dizer – tal como em Street Fighter 2, escolhem um lutador entre os 19 existentes (incluindo os novos Evil Ryu e Violent Ken) e terão de passar por 12 rounds, sendo os últimos quatro, como já seria de esperar, Baldrog, Vega, Sagat e o poderoso Mr. Bison. Cada lutador tem o seu final e este é apresentado como na versão original do jogo – duas ou três imagens e um pequeno texto a explicar o que aconteceu depois da luta com Mr. Bison.

O segundo modo é o Buddy Battle e neste modo é um 2 vs 1, ou seja: dois lutadores contra apenas um. A barra de energia é partilhada pelos nossos dois lutadores e a ideia está bastante engraçada, até porque é possível jogarem com o CPU ao vosso lado, ou com um amigo. No entanto, considero que tem uma falha, porque caso vocês percam um combate, ser-nos-ão atribuídas duas derrotas e como consequência teremos de começar o jogo todo de novo. Ora, se só existe uma barra de energia, à partida já seria o bastante. Duas derrotas é claramente um exagero e espero honestamente que seja alterado num próximo update.

Depois temos o modo Versus, que nos apresenta quatro opções: as lutas de jogador vs jogador, jogador vs cpu, cpu vs cpu (será que esta opção será usada alguma vez?!), e por fim, a local battle, que permite a dois jogadores jogarem um contra o outro a partir de duas consolas diferentes.

Há também o modo Online, mas ainda não tivemos oportunidade de o experimentar visto que recebemos o jogo em acesso antecipado e este modo ainda não estava desbloqueado.

Depois temos o modo de treino, que como é fácil imaginar, escolhem dois lutadores e irão para uma das arenas de forma a treinarem tudo o que quiserem, (ficando o adversário totalmente imóvel). Sem dúvida o melhor modo para se aprender e ganhar o jeito das famosas técnicas de cada lutador.

Há ainda um modo completamente novo em qualquer jogo da serie Street Fighter, falo de Way of the Hado. Um modo onde os jogadores jogam com Ryu na primeira pessoa e a partir das Joy-Cons terão os seus golpes clássicos. São apenas possíveis quatro golpes: Hadoken, Shoryuken, Tatsumaki Senpukyaku, Shinku Hadoken e também o movimento de defender. Por isso, se estão à espera de ver Ryu incluir socos ou pontapés, esqueçam, aqui ele só usará os seus golpes mais poderosos.

Este modo apresenta-nos três opções: a Stage Battle, com três níveis de dificuldade (Beginner, Standard e Expert) e onde temos alguns grupos de soldados que teremos de derrotar, a culminar num Boss de extrema dificuldade. O outro modo é o Endless Battle, em que teremos vagas de inimigos a chegar quase interminavelmente. E também o modo treino, onde podemos treinar os golpes com as Joy-Cons.

Acredito sinceramente que muitos de vocês estejam realmente entusiasmados para testarem este modo, mas acalmem-se – não é como parece nos vídeos. É necessário colocar os joy-cons de forma quase perfeita para os golpes saírem, sendo que a margem de erro é bastante curta e obviamente causando alguma frustração, superando até o próprio divertimento. O modo tem potencial, mas terá de ser ainda bastante melhorado.

Além dos modos jogáveis, existem também alguns bónus, como o modo Gallery, onde somos brindados com as ilustrações de “Street Fighter Artworks: Supremacy“, que se encontram na sua versão original, inclusivamente com os textos em japonês. São diversas imagens dos vários lutadores. Algo bastante interessante e que raramente nos é oferecido num jogo, a não ser que compremos a sua versão de coleccionador, uma boa surpresa.

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Outro modo que pode ser divertido para alguns é o Color Editor. Aqui podemos alterar as cores dos diversos lutadores e com três secções: podemos alterar cor da pele, cor do fato e cor do cabelo ou fita (no caso de Ryu por exemplo).

Por último temos o Player Data onde são mostrada as vossas estatísticas e recordes pessoais. O jogo inclui também as opções e o manual do jogo. Como podem ver, não são poucas as opções que têm à vossa disposição.

Quanto à sua jogabilidade, é claramente o ponto forte do jogo e idêntica (ou muito parecida) com a versão original. Os comandos estão “refinados”, pois respondem na sua plenitude, os golpes especiais fluem bem, sem termos de nos esforçar muito para que sejam conseguidos. Na verdade, quando peguei no jogo pela primeira vez, fui capaz de finalizá-lo logo com três ou quatro lutadores, que por acaso, ainda me lembrava dos seus principais golpes.

Outra das opções interessantes, está na possibilidade de alterarmos tanto os gráficos como os sons. Passo a explicar: podemos jogar com os gráficos e os sons originais, ou com os gráficos totalmente em HD e os novos sons melhorados. Quanto aos novos gráficos e aos novos sons estes estão fantásticos, mantendo a mesma essência dos originais. Diria que a Capcom neste aspecto em particular esteve perfeita.

O jogo apresenta-nos algumas linguagens, Inglesa, Francesa, Espanhola, Alemã e Italiana. Infelizmente não temos a nossa língua, mas também não é preocupante, neste tipo de jogos as expressões inglesas usadas são universais.

Como conclusão, podemos dizer que a Capcom trouxe-nos uma obra de arte. Era um título que já merecia ter de novo este protagonismo e chegou da melhor maneira possível – na Nintendo Switchque permite que a levem para qualquer lado e possam desfrutar dos combates com os vossos amigos. Na minha opinião, será a par de Zelda um daqueles títulos que estará sempre nos favoritos. Se são fãs de Street Fighter, este é um daqueles jogos que não podem perder.

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Categories Análises Nintendo
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