Análise: Uncharted – The Lost Legacy

No mínimo arriscado, é assim que começo esta análise. É um passo ousado e arriscado por parte da Naughty Dog em arranjar um “substituto” à altura para a saga Uncharted, e o passo foi ainda mais arriscado porque Nathan Drake é um jovem carismático e já leva uma carrada de jogos em cima. No entanto dentro do rol de personagens que já conhecíamos a escolha, diria eu, foi mais do que acertada. Sendo assim comecemos pela análise à personagem deste The Lost Legacy que não é um DLC mas sim um standalone de Uncharted, um pouco como aconteceu com The Lost Abyss, exclusivo PS Vita.

Chloe Frazer é uma velha conhecida nossa, já dos tempos de Uncharted 2: Among The Thieves onde desenrolou um dos papeis principais, numa espécie de romance Mr Smith com Nathan Drake que preferiu ficar com a doce Elena em vez da rebelde e aventureira Chloe. Talvez até por isso, por ser uma jovem tão carismática nesse mesmo jogo, e por de alguma forma ser a “underdog” num triângulo amoroso é fácil de nos aproximarmos desta personagem. Para facilitar a nossa relação com Chloe, vamos viajar até à sua terra natal, a Indía, na busca do Golden Tusk (Presa Dourada) de Ganesh, um deus Indiano, que leva-nos para a região de Western Ghats, nas ruínas do chamado Império Hoysala, conquistado e saqueado durante as invasões Persas.

É difícil não falar na correlação que existe com Lara Croft, as personagens fisicamente são muito parecidas, apenas o sotaque muda e a sua origem, porque o rabo de cavalo e a constituição física é muito idêntica. E como todos nós sabemos a razão também o mote do jogo é muito semelhante, os aventureiros que procuram descobrir relíquias deste mundo e descobrir os segredos das antigas civilizações, portanto ainda mais o universo os junta e os compara. No entanto também o universo as separa no sentido em que quando ouvimos a excelente interpretação da australiana Claudia Black, percebemos que tanto a sua personalidade como a sua voz em nada se assemelham à de Lara Croft. Depois o próprio jogo se encarrega de as continuar a separar, não existe um lado tão “bélico” e de sobrevivente em Chloe, mas sim mais frágil e por vezes até humano, que nos leva a uma maior realidade, se assim quiserem chamar, que nos coloca de volta ao mundo de Uncharted e à sua forma de estar.

Teremos mais uma vez um mundo aberto, tal como acontecia com o último, onde podemos escolher as missões que queremos fazer, sem uma ordem em particular, mas que depois nos leva para um mundo “fechado”, aí onde a Naughy Dog nos mapeia o que temos que fazer e o seu porquê.

O que nos deslumbra é a qualidade do mundo que nos é apresentado, seja pela representação facial das nossas personagens, seja pela grandiosidade das vastas paisagens pelas quais desbravamos caminho. A representação da realidade, seja a zona de guerra, o mercado indiano, ou as gigantes florestas, tudo é magnânime e supreende sempre. A verdade é que enquanto The Order tentou ser um filme jogável, Uncharted conseguiu sempre ser o filme de acção jogável que todos queremos, a velocidade a que acontecem coisas, a fórmula fácil com que jogamos várias das suas cenas sempre sem perder fluidez ou jogabilidade, continua a ser um encanto. Jogabilidade essa que não difere do último Uncharted, a não ser no facto de termos uma mulher como protagonista e portanto um pouco mais frágil, com movimentos de luta um pouco diferentes e sem a capacidade física para executar tudo o que Nathan Drake fazia, por exemplo não vamos conseguir esburacar veículos à lei da bala, vamos ter de encontrar explosivos para o fazer, seja a roubar de inimigos ou a arrombar caixas, com a grande novidade da nossa personagem que é sacar de um gancho do cabelo para arrombar as fechaduras, aqui temos de rodar o analógico direito até uma certa posição em que vibre para acertar e conseguir abrir as caixas.

O modo multiplayer online é uma das grandes vantagens de Uncharted: Lost Legacy. Podemos jogar os mesmos modos com jogadores que possuem o título anterior da franquia: Uncharted 4. Dessa forma, basta ter apenas um dos jogos. A vantagem é que, desde o lançamento de Lost Legacy, novos itens e personagens estão disponíveis para os dois jogos. O mesmo vale para todas as actualizações do modo multiplayer que já foram lançadas para Uncharted 4. Também há o Modo Sobrevivência no qual os jogadores devem sobreviver a ondas de inimigos. Aqui podemos jogar em modo cooperativo e inclui os personagens apresentados na campanha principal de Uncharted: Lost Legacy.

Apesar de curto, deverá demorar entre as 7 e as 10 horas para concluírem o jogo, Uncharted Lost Legacy é obrigatório para os fãs, é uma excelente abordagem da Naughty Dog, e é caso para dizer que o risco compensou. O modo multiplayer estar embutido no jogo e permitir jogar com outros jogadores de Uncharted 4 foi uma excelente adição. De resto, podem contar com a jogabilidade a que estão habituados e o grafismo impressionante que nos deslumbra sempre.

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