Uns intolerantes ao alho, ou até mesmo a prata, outros nem tanto. Uns não podem estar ao sol, outros brilham à exposição do mesmo. Pois é, há vampiros para todos os gostos e não e só de agora que vemos estes “sanguesugas” em video-jogos sempre existiu monstros deste tipo e sempre existirá, é algo que enraizou no mundo gaming. Mas na minha opinião o que me faz gostar ou não, é como a história em volta é explorada. Posso adiantar que a história foi um aspecto bastante ambicioso. Mas é claro tudo depende do gosto dos jogadores, se tiveres uma atracão por jogos numa vertente mais sombria, Vampyr poderá ser uma escolha acertada.

Este jogo é um RPG jogado em terceira pessoa que foi desenvolvido pela Dontnod Entertainment, os criadores de Life is Strange. Em Vampyr a história passa-se numa fase caótica após a 1ª Grande Guerra em que a humanidade lidava com uma pandemia que ficou marcada mundialmente, a conhecida Gripe Espanhola. Pois bem, é neste ambiente dramático que se mistura um mundo de fantasia e de criaturas lendárias tornando assim a história deste jogo muito mais sombria mas ao mesmo tempo empolgante. É no regresso a casa de Jonathan Reid que a história começa.

 

 

Jonathan é um médico cirurgião com especialidade em hematologia de renome que serve as forças militares e quando chegou a Londres, vindo da Guerra, viu a sua vida mudar, não só pela pandemia que existia mas sim pela transformação que lhe aconteceu. A personagem principal de Vampyr é transformada em vampiro e a partir desse momento começa a nossa aventura. Jonathan tem dois objectivos em concreto um deles é dar o melhor tratamento às pessoas infectadas e o outro objectivo, que é mais pessoal, é descobrir como pode controlar a sua vontade de beber sangue. Apesar disto tudo ainda terás que sobreviver às “garras” dos caçadores de vampiros e de outras criaturas que vão aparecendo para dificultar as tuas missões. Dito isto, passado algum tempo de jogo percebemos que estamos perante um jogo com uma história com ideias excepcionais e que podia ser incrivelmente explorada mas peca muito porque muitas vezes torna-se confusa tornando-a fraca para aquilo que podia ter sido. Outro aspecto que torna este jogo mais aborrecido é o facto de existir muito diálogo e não se poder passar à frente, obrigando o jogador a ouvi-los todos.

Sobre ouvir, um ponto positivo que encontramos neste jogo é a  banda sonora de Vampyr. Não é extensa mas funciona muito bem devido a serem músicas com muito mistério e sombrias tal como o ambiente do jogo. Os efeitos sonoros estão muito bons e muito realistas desde o som das armas a infligirem dano ao inimigo ou até o som dos ataques “especiais”. Outro aspecto interessante sobre este ponto são as vozes dos actores  que parecem que estão mesmo a sentir o que dizem mediante a situação que estão a passar.

Graficamente há pouco a falar, encontramos outro ponto deficiente que poderia ser melhorado, os gráficos não estão péssimos, nada disso, mas nota-se que podiam ser mais trabalhados. No que toca ao ambiente do jogo propriamente dito é um ponto positivo porque cumpre muito bem o que o jogo promete, mas infelizmente não passa disso. Vais te deparar com um jogo que está razoável mas podia estar bem melhor a nível visual.

 

 

Vampyr é acompanhado com uns controlos pouco intuitivos mas nada que o tempo de jogo não resolva esse problema. Mas o pior nem são os controlos é mesmo à falta de eficácia na jogabilidade. A câmara do jogo é demasiado instável muitas vezes ficamos sem ver os inimigos e não conseguimos controlar como deveria ser, que tira um pouco do ritmo do jogo. Mas nem tudo é mau em Vampyr, também tem aspectos bastante positivos e muito interessantes. A nossa personagem tem três barras dever ser tomadas em conta, a primeira é a da vida, a segunda é a do vigor e a terceira a do sangue. A primeira é fácil de perceber, quando essa barra chegar ao fim significa que “morremos”, a segunda se terminar faz com que não tenhamos energia para atacar e a do sangue serve para podermos fazer ataques especiais. Sobre o sangue há muita coisa que pode ser feita para o obtermos. A maneira mais fácil é apanharmos os ratos que encontramos no chão a passear, outra maneira “pacifica” é enfeitiçarmos pacientes ou outras pessoas. O “feitiço” que fazemos a essas pessoas é nada mais nada menos que hipnotizar e assim podemos levá-las para uma zona escondida e mordemos o pescoço da nossa vítima. Mais difícil é bebermos o sangue dos inimigos que precisamos de lutar contra eles. Ao bebermos sangue e derrotarmos esses inimigos ganhamos experiência que pode ser convertida em habilidades e truques que Jonathan pode aprender. Essa evolução e feita no hospital ou em lugares específicos.

 

 

Isto leva a um ponto bastante interessante, talvez o ponto que mais me agradou na jogabilidade que é, podemos ser um vampiro mau e grotesco que quer se alimentar do sangue das pessoas indefesas que confiam no médico como podemos ser o contrário, isto é, um vampiro com um lado mais humano que toma conta dos pacientes que estão doentes, tratando-os sem lhes fazer qualquer mal. Resumindo podemos escolher o tipo de moralidade de Jonathan Reid, ou um lado mais humano ou se torna num verdadeiro monstro sanguinário. Caso sigas um caminho mais humano podes cuidar dos pacientes e curá-los das doenças que estes contraíram com medicamentos que tu concebes em bancadas para o efeito.

Veredicto final sobre Vampyr, este é mais um jogo que é ambicioso mas que não se reflecte no produto final. As primeiras horas de jogo podem dar a sensação que estamos perante um jogo com uma narrativa extraordinária mas depois desse tempo dissipa-se e torna-se sem rumo. A frase que caracteriza melhor este jogo da Dontnod Entertainment é: “É um diamante em bruto“. Tinha tudo para ser um jogo para ficar na memória pelos bons motivos, mas infelizmente a parte técnica ficou aquém. Mas os pontos positivos existem e fazem com que o jogo seja igualmente interessante. Apesar de tudo é um jogo que classifico positivamente e que te vai entreter durante muitas horas. Assim sendo aconselho na mesma aos fãs deste tipo de criaturas.

3.0

Sim

  • Efeitos sonoros surpreendentes.
  • Dar para escolher o caminho que Jonathan quer tomar.
  • Ambiente visual sombrio que encaixa perfeitamente neste jogo.

Não

  • História perde o rumo passado poucas horas de jogo.
  • Jogabilidade pouco desenvolvida a nível técnico.
  • Textura das personagens pouco trabalhado.
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