Foi com enorme agrado e expectativa que recebemos a notícia de que Warhammer 40,000: Inquisitor – Martyr estava em processo de desenvolvimento, e não era para menos, já que os primeiros detalhes conhecidos indicavam que a NeocoreGames tinha um enorme desafio em mãos.

Desenvolver o primeiro RPG no universo de Warhammer 40K não é tarefa fácil. A responsabilidade era grande. Porém, também o potencial não podia ser mais sedutor, já que era difícil pedir uma maior riqueza em termos de história.

 

 

Warhammer 40K: Inquisitor – Martyr | Release Trailer

 

 

Apesar de serem mais conhecidos por títulos de estratégia, a developer húngara possui já alguma experiência no desenvolvimento de RPG’s, visto que são os autores de The Incredible Adventures of Van Helsing, lançado em 2013, e reunindo críticas bastante positivas na altura.

Warhammer 40,000: Inquisitor – Martyr estreou-se no PC em Junho, e chegou agora à PlayStation 4 e Xbox One, quase três meses depois. Aborda a história de um Inquisitor, enviado para investigar o ressurgimento de Martyr, uma nave-mosteiro que desapareceu sem deixar rasto há algum tempo atrás.

Os Inquisitors são agentes de uma devoção cega ao Império. São juízes, júris e carrascos; soldados cuja reputação tanto é conhecida, como temida, e estão divididos em três classes: Crusader, Assassin e Psyker.

O Crusader é a versão mais robusta, numa vertente de tanque, com preferência por armaduras e armas mais pesadas. O Assassin faz da agilidade a sua principal capacidade, atacando com rapidez, sem deixar que o inimigo consiga sequer reagir. E o Psyker depende essencialmente da distância e dos seus talentos psíquicos, de forma a criar o caos com um leque de recursos para qualquer situação.

Três classes que reflectem o típico que podemos encontrar em qualquer RPG, e que podem ser igualmente personalizadas através das habilidades e dos skill points. No entanto, há uma diferença importante, porque o conjunto de habilidades dependem das duas armas de cada classe, o que significa que mudando a arma, mudam também as skills, à imagem de Guild Wars.

 

 

W40K: Inquisitor – Martyr | Open World Trailer

 

 

É visto numa perspectiva isométrica, com a possibilidade de regular a altura da câmara, e numa atmosfera sempre sombria, bem ao estilo de Warhammer. Os combates são sangrentos, o cenário transborda de inimigos, e o gore encaixa-se perfeitamente neste contexto. Como história é separada por missões que são geralmente de curta duração, torna-se ideal para descomprimir, destruindo tudo e todos, com uma verdadeira sensação de poder.

Faz uso de um sistema de cover, que embora possa ser útil em certas circunstâncias, na grande maioria das vezes é irrelevante, e atrapalha até a fluidez da acção; o mesmo acontecendo com o lock aos inimigos, que raramente selecciona quem pretendemos.

E sendo certo que o tutorial é eficaz a explicar-nos as mecânicas mais básicas do jogo, por outro lado falha naquelas que são mais complexas, obrigando-nos constantemente a recorrer à pausa e a consultar os arquivos do jogo.

A dificuldade é equilibrada, oferecendo um bom desafio, mas sem chegar a ser frustrante. Por vezes alguns bosses demoram tempo a mais para serem derrotados, tornando a estratégia de combate ligeiramente repetitiva, mas compensa depois com o drop de items importantes, na habitual hierarquia de raridade, que vão desde armas, a armaduras.

 

W40K: Inquisitor – Martyr | Feature Trailer

 

 

Graficamente corresponde bem ao que esperamos de um jogo deste género, e particularmente à temática de Warhammer. Não encanta, tem até alguns problemas com as texturas, mas ainda assim a NeocoreGames tem aqui um trabalho bem conseguido, e algo de que se pode orgulhar. Não só visualmente, como também a nível da música e dos efeitos sonoros.

Tem também a aliciante de um multiplayer online e local, incluindo um co-op até 4 jogadores, e até um interessante PvP, que fazem de Warhammer 40,000: Inquisitor – Martyr um jogo cheio de conteúdo.

Ainda que não se vá tornar uma referência dos RPG’s, Warhammer 40,000: Inquisitor – Martyr merece o reconhecimento pela coragem nas ideias implementadas. É um RPG divertido, cheio de acção, e que qualquer amante do estilo vai gostar de jogar.

3.5

Sim

  • Um RPG sólido e com ideias interessantes
  • Conteúdo para todos os gostos
  • Um bom aproveitamento do universo Warhammer

Não

  • Algumas mecânicas não funcionam tão bem
  • Pequenos problemas a nível gráfico
Author Nuno Mendes
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Categories Análises Xbox
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