Tenho de começar esta análise da seguinte forma: Um jogo em que andamos a dar tiros de cadeira de rodas, tem de ser um jogo do catano!!!

Esta frase poderia bem resumir todo o jogo. A Bethesda e MachineGames de facto demonstram que o modo Single Player não está morto quando se é original, se tem uma boa ideia e narrativa e quando se explora todas as fronteiras para fazer um jogo que nos divirta, mas que seja desafiante.

Vamos ao contexto, Wolfenstein 2 New Colossus começa onde o seu predecessor terminou, isto é, como o nosso B.J. Blazkowicz estendido depois do suicídio, com uma granada, do nosso arqui rival do primeiro jogo, o que nos deixou à beira da morte, mas os nossos companheiros da magnífica primeira jornada acabam por o salvar. No entanto a recuperação é lenta e dolorosa, nem que seja a reviver os momentos em que o seu pai batia na mãe e nele, e no cão, já agora, que vamos tentar rebater, mas não só, vamos ainda ter que fazer uma escolha difícil, basicamente um dos nossos vai ter de morrer e a partir daí o arco da narrativa que escolhemos.

Já perceberam nesta pequena introdução que tudo é fora de comum no jogo de First Person Shooter, fazer escolhas?! reviver momentos à Max Payne?! Andar a dar tiros de cadeira de rodas?! Ah é verdade ainda não expliquei isso, mas quando efectivamente acordamos com um estrondo da “invasão nazi” ao nosso submarino, não conseguimos nos mexer mais do que andar de cadeira de rodas. Então o que vamos fazer?! Com uma mão vamos fazer rodar as rodas e com isso perder vida constantemente, e com a outra disparar na tola dos nazis. Então como é que subimos escadas e coisas do género, perguntam vocês?! Sejam inventivos, porque foi isso que a Bethesda fez. Mas fez mais, na mecânica temos dois gatilhos, sim dois gatilhos, um que dispara a arma da esquerda e outro a da direita. Simples?! A ideia pode parecer, mas é genial como podemos ter uma ampla variedade de combinações. Podemos ter uma pistola na mão direita e uma metralhadora automática na esquerda, com tempos de disparo e de recarregar diferentes, sendo que ele não consegue recarregar só com uma mão, portanto vamos recarregar com as duas perdendo o tempo de disparo de uma das mãos. Estão a perceber a complexidade mas também o fascínio?!

Carregando no RB acedem a uma roda de menu das armas e de qual querem colocar em cada mão, mas também podem também escolher usar as duas mãos para segurar uma metralhadora pesada.

Ah mas isto é um jogo de disparar por todo o lado como todos os FPS, dizem vocês, nope! É que temos a possibilidade de ser stealhty’s, usar um pequeno machadão para nos esgueirarmos por detrás dos nossos inimigos, cortar uma perna e matá-los. E também temos alguma estrategia, porque matar os comandantes primeiro faz com que não soem os alarmes, portanto há muito a considerar neste jogo.

Já repararam que ainda nem falei da história?! Pois bem, o contexto de um jogo para o outro já perceberam, mas continuamos na década de 60 numa realidade alternativa onde os nazis ganharam a segunda guerra mundial e dominam o mundo com a sua tecnologia de ponta. Por isso temos naves espaciais, metralhadoras a laser e coisas do género, para além de uma armadura que nos vai acompanhar por razões…algo gore…Mais importante do que isso é o facto de termos uma espécie de Alo Alo, onde o humor negro e bastante sangrento acompanha toda a narrativa e onde nunca fiquei aborrecido no sofá.

Graficamente Wolfenstein 2 também é um mimo a correr a 60 fps, sempre estáveis, com bom detalhe nas texturas, o sangue a escorrer por todo o lado e o efeito das armas e das suas balas e das mãos está simplesmente exemplar. Não encontro pontos fracos neste jogo e não me divertia tanto há muito tempo, especialmente já não me sentia bem com um FPS e o seu modo Single Player há muito, muito tempo.

Wolfenstein 2 New Collossus faz jus ao seu nome, é um novo Colosso a fazer ver a outros franchises que é possível fazer um FPS com uma história que até pode ser completamente desregulada da realidade, mas que com os ingredientes certos e uma atenção muito grande à narrativa e à forma como essa narrativa se articula com a jogabilidade, que o Single Player não está morto e que nem todas as respostas estão em modos online competitivos. E eu digo Thank You Lord!!!

5.0

Sim

  • Uma excelente jogabilidade
  • Uma excelente narrativa, com sentido de humor e que nos deixa sempre presos
  • A prova de que um Single Player pode sobreviver por si só

Não

  • Apenas os tempos de loading
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