A Nintendo desde que lançou a Nintendo Switch tem colocado a fasquia bastante alta no que toca a lançamentos de renome. Temos como cabeças de cartaz The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Super Mario Odyssey. Na verdade, não me lembro mesmo de nenhuma consola que no ano do seu lançamento tenha lançado jogos tão brilhantes. Significa por isso que Xenoblade Chronicles 2 chega ao mercado com uma pressão enorme para finalizar o ano em grande.

Como o próprio nome do jogo indica, Xenoblade Chronicles 2 já pertence a uma franquia com alguns anos, mas a verdade é que isso pouco interessa, uma vez que esta sequela é completamente desligada dos jogos anteriores da franquia. Significa por isso que qualquer jogador pode jogá-lo sem sequer conhecer ou ter jogado nenhum dos jogos anteriores. Convém também sublinhar que estamos perante um JRPG, o que se traduz num jogo que tem um inicio bastante mais lento que muitos RPG que conhecemos, mas que o principal está na sua história.

Falando em história, Xenoblade Chronicles 2 é todo passado num mundo de fantasia, mais precisamente em Alrest, um local que tem um enorme oceano de nuvens, e onde as cidades são construídas em cima de Titans, enormes criaturas que habitam na superfície desse oceano gigantesco. Fazendo o paralelo ao nosso planeta, seria como se os Titans fossem os nossos continentes, e o oceano de nuvens os nossos oceanos. O nosso personagem será Rex uma espécie de caçador de tesouros, que passa a vida em busca objectos raros nesses gigantes oceanos de nuvens. Certo dia Rex é convocado para uma reunião e convidado a entrar numa missão com uma equipa, sendo pago com uma enorme quantidade de dinheiro. Obviamente Rex aceita e é aí que começa a nossa história.

Sem entrar em grandes pormenores, durante essa missão, Rex será assassinado por um dos membros dessa equipa por tocar no cristal de uma Blade (já explico o que isso é), e é nesse momento que Rex conhece Pyra uma Blade que lhe ressuscita mas que o faz prometer que lhe levará até Elysuim. E é também quando Rex se torna um Driver. Um Driver é um guerreiro que conseguiu despertar uma Blade, e por seu lado, uma Blade é uma arma que é também é um guerreiro que fica para sempre interligada ao seu Driver; as Blades podem ter forma humana ou de animais. O conceito é um pouco confuso, mas no jogo é facilmente perceptível.

Xenoblade Chronicles 2 tem o condão de ser um jogo extremamente complexo e completo, e não vejam as minhas palavras como negativas, já que é extremamente complexo pois tem diversos sistemas para aprender (felizmente não somos brindados com tudo ao mesmo tempo). A equipa que produziu o jogo teve o cuidado de ir introduzindo todos estes conceitos de forma simples, espaçada e com pequenos tutoriais que nos levam a adquirir de uma forma quase natural. Não vos querendo maçar com demasiada informação sobre estes conceitos do jogo, é importante perceberem que como em qualquer RPG, o nosso personagem vai subindo de nível consoante a experiência que vai adquirindo, também existem os skill points que servem para irmos desbloqueando diversas skills e melhoramentos do nosso personagem; e como não podia deixar de ser, um enorme número de itens que podemos apanhar tanto para o nosso personagem, como também para melhorar as nossas Baldes.

Em relação às Blades, algo que foi bastante interessante de verificar foi que podemos fazer colecção de Blades, podemos adquirir diversas Blades (mas apenas 3 podem andar sempre connosco), e isto é óptimo, até para termos diferentes escolhas consoante os combates que vamos fazendo ao longo do jogo – e são inúmeros – disso não tenham dúvidas. Quanto ao combate, este é um dos pontos muito fortes do jogo, sendo bastante interessantes na maneira como são realizados. Para começar, o nosso personagem basta estar a uma determinada distância para atacar automaticamente, depois existem 4 tipo de skills que podemos usar contra o nosso adversário. Essas skills vão ficando activas consoante vamos atacando o nosso inimigo. Felizmente as skills não são sempre as mesmas, e podem, sempre que entenderem, irem ao vosso personagem e alterar essas skills de ataque.

As próprias Blades, como eu disse anteriormente, podem ser melhoradas e esse é outro ponto a favor do jogo. Existem itens específicos que servem para o melhoramento das nossas Blades, que alteram a sua forma e claro os vários atributos que têm, significando por isso que vamos ficando cada vez mais poderosos, não só em termos de subida de nível do nosso personagem, como a nível de arma de ataque.

Muitas vezes vamos andar em grupo, mas convém referir que por muito que estejam em grupo, nunca puderão controlar as personagens desse grupo, apenas podem mandar as personagens usarem a sua skill mais poderosa (a de combinação entre Driver e Blade), mas a verdade é que apenas controlarão Rex.

Quanto às diversas missões que podem adquirir durante a vossa caminhada, posso desde já referir que são imensas, desde as principais às secundárias. E se o jogo já é longo, então imaginem se forem como eu que gostam mesmo de “limpar” tudo o que existe para limpar. E como digo sempre, este é mais um RPG que deve ser jogado com bastante calma, de uma maneira que consigam desfrutar do jogo a 100%. A verdade é que não o considero um jogo para qualquer fã de RPGs, é um jogo super evoluído e que devido a alguma complexidade pode levar a alguns jogadores não o acharem tão esplêndido como eu achei.

Não sendo o melhor JRPG que já joguei, tenho de admitir que está num patamar acima da maioria destes jogos. Oferece aos jogadores uma experiência única, e nota-se claramente que esse foi um dos pontos essenciais da equipa de desenvolvimento do jogo, que conseguiu fazer isso com mestria. Obviamente nem tudo é perfeito, e por isso tenho de referir três coisas que considero os pontos negativos deste jogo.

O primeiro de todos é o péssimo mapa que o jogo apresenta, e tratando-se de um JRPG, não pode apresentar um mapa tão fraco como nos é oferecido. Deveria além de ter uma melhor apresentação, ter muito mais escolhas, desde filtros para encontrar os diversos vendedores nas cidades, como outras opções que nos fizessem localizar as referências mais importantes no jogo.

O segundo ponto que deveria estar melhor é o icon, que nos mostra para onde devemos ir durante as missões; quantas vezes dei por mim completamente perdido à procura do local onde tinha de ir, por culpa das más instruções que me eram fornecidas. Um sistema que por vezes nos leva a perder tempo desnecessariamente apenas para encontrar algo que deveria ser básico.

O terceiro, e que não podemos nunca deixar de tocar, é a componente gráfica. Não que os gráficos sejam maus, mas na realidade estava à espera de algo mais refinado. Depois de nos terem chegado imensos títulos da Nintendo Switch que nos deixaram completamente estupefactos, a verdade é que esperava que Xenoblade Chronicles 2 conseguisse chegar lá perto, algo que na realidade não acontece. Por vezes apresenta texturas que deixam bastante a desejar (principalmente no modo portátil), por outro lado, também não posso deixar de referir como os personagens estão bastante detalhados, principalmente certas Blades, mostrando que nesse aspecto, a equipa de desenvolvimento foi bastante meticulosa.

a banda sonora é um dos pontos fortes do jogo, não será por acaso que a versão de coleccionador vem com a banda sonora à parte, para que possamos desfrutar dela, mesmo quando não estamos a jogar. Nota-se que existiu bastante cuidado a colocar as diversas músicas do jogo, digo isto porque enquanto exploramos as diversas áreas, a musica é sempre de uma riqueza que nos faz esquecer tudo o que está à nossa volta, fazendo-nos entrar facilmente no universo de Xenoblade Chronicles 2. Existem diversos tipos de músicas, umas mais calmas nas áreas de exploração (principalmente durante a noite), outras calmas, mas ligeiramente mais mexidas durante o dia, e depois músicas bastante activas enquanto estamos a combater. Como podem verificar nada foi feito ao acaso.

Xenoblade Chronicles 2 apresenta-nos uma boa experiência, com uma história intensa e interessante que nos deixa efectivamente focados no jogo. Não sendo o melhor jogo que chegou para a Nintendo Switch, é uma maneira de acabar o ano em grande com este JRPG que terá seguramente um enorme sucesso. Se não fossem aqueles três pontos mais negativos que referi, provavelmente seria o terceiro melhor jogo que teria chegado até agora para a Nintendo Switch.

4.5

Sim

  • Uma historia intensa e cativante
  • Uma banda sonora excepcional
  • Os combates são um dos pontos fortes do jogo

Não

  • Mapa é bastante fraco
  • Poderia estar bastante melhor gráficamente
Published
Categories Análises Nintendo
Views 208

Leave a Reply

Ir para a barra de ferramentas