As diversas fases do regresso ao Digimundo

Imaginem esta situação…

Estão vocês, a viver apenas mais um dia normal das vossas vidas, quando decidem ir reviver algumas memórias que passaram com aqueles companheiros do mundo digital… Ainda estão vocês a pensar “espero não ter perdido o jeito” e, de um momento para o outro, são transportados para o Digimundo, sem saberem porque razão.

Perdidos, avistam um WarGreymon e um MetalGarurumon ao longe, quase como se de uma miragem se tratasse. Sem outra solução aparente, aproximam-se… Antes de conseguirem chegar ao pé deles, um ameaçador Machinedramon aparece, e não tem ar de quem quer fazer amigos! Perante o perigo, WarGreymon e MetalGarurumon revelam-se nossos parceiros, e é então que começa o tutorial do jogo, e todo o desenvolvimento da história de Digimon World: Next Order.

Sem querer fazer grandes spoilers para não estragar a diversão a ninguém, a história do jogo constrói-se à volta de um vírus que anda a afectar o Digimundo. Descobrir o porquê de esse vírus existir, por causa de quem e, acima de tudo,  como parar esta crise, será a nossa missão ao longo do jogo. Mas não se preocupem, não estamos sozinhos nesta jornada. Consoante formos avançando na história, iremos conhecer personagens como Jijimon, Kouta ou Himari que nos ajudarão a salvar o mundo digital.

Mas já chega de falar da história. Afinal, não queremos que vão jogar já sabendo tudo o que acontece! Aquilo que, certamente, não ferirá susceptibilidades, é falar da jogabilidade. E essa, acreditem, tem muito que se lhe diga!

Comecemos por falar daquele que será o maior objectivo do jogo (sem contar, claro, com a história principal, mas irão ver que, sem fazer isto, não avançam na história).

Nos momentos iniciais do jogo, somos apresentados a Jijimon, um pequeno Digimon que está preocupado com o estado do Digimundo e que está disposto a ajudar-nos na sua salvação. Jijimon é também o impulsionador de uma pequena comunidade Digimon dentro do Digimundo, que habita numa “cidade” chamada Floatia. Essa pequena cidade (que ficará cada vez maior consoante forem avançando no jogo) servirá como a nossa “base de operações“, digamos assim. É lá que terão lugar as reuniões importantes, o treino, o descanso, algumas recolhas de materiais, enfim, peças fundamentais para o nosso progresso.

Sendo Floatia uma parte tão importante do jogo, um dos grandes objectivos passará por evoluir a cidade, seja em tamanho, seja em recursos ou seja em população. Aquilo que começa por ser uma pequena aldeia com meia dúzia de Digimons vocês terão que transformar numa enorme cidade cheia de recursos e com bastantes “habitantes” para vos ajudarem. E como recrutamos esses habitantes? Em teoria, é bastante simples (já na prática, depende muito, mas eu passo a explicar). Conforme formos explorando o Digimundo fora de Floatia, vamos encontrando Digimons que precisam da nossa ajuda. Caso os ajudemos, eles juntar-se-ão a nós na cidade, o que fará com que esta evolua. Bastante simples, certo? Bem… Não tanto quanto parece. Algumas destas “quests” de recruta são bastante complicadas e exigentes, seja em esforço, paciência ou treino. Mas se fosse tudo fácil, também não teria tanta piada! Vamos ver quem tem a habilidade para recrutar os 118 Digimons disponíveis para recruta (atenção, o jogo tem mais do que 118 Digimons, 118 são os disponíveis para recrutar para Floatia).

A meu ver, esse é um dos grandes pontos a favor de Digimon World: Next Order! O desafio, o termos que lutar pelas coisas, termos que procurar, explorar, evoluir, combater… Para uns pode ser algo “chato”, para outros, algo bastante entusiasmante, mas eu penso que a maioria concordará mais com a segunda hipótese.

Quanto ao mundo que temos para explorar, é bastante vasto!

9 regiões principais, sendo que em cada uma há mini regiões, o que perfaz cerca de 70 regiões no total. Apesar de enorme, o mundo não é “open-world”, existiram mini-loads de região para região, mas não se preocupem, serão bastante rápidos, o suficiente para não chatear ninguém.

Uma coisa que pode gerar alguma divergência de opiniões é o facto de o jogo não ser linear. Passo a explicar o que quero dizer com isto… Não há apenas “um caminho” pelo qual podemos seguir. Ninguém nos proíbe de ir logo para as regiões mais afastadas de Floatia se assim o desejarmos. Claro que, em certas fases do jogo, isso será “limitado” porque, apesar de termos acesso às zonas, os perigos lá existentes serão impossíveis de ultrapassar caso não tenhamos um nível de Digimons suficientemente evoluído. Excepto algumas excepções (devido aos capítulos do jogo em que nos encontramos que, já agora, são 4, sem contar com o “post-game”), todas as áreas estão ao nosso dispor, mas cuidado… Caso contrário, aprenderão da pior maneira que o treino e a evolução são alguns dos segredos do jogo!

Nesta imagem temos o nosso menu, no qual teremos acesso à informação dos nossos parceiros (que, como podem verificar, são 2, mas já lá chegaremos), às nossas informações de “treinador”, aos nossos itens, ao mapa, ao nosso DigiMail (que será onde ficam registados todos os nossos objectivos, o que pode ajudar um pouco na organização do nosso jogo), a informações gerais do jogo, às definições do sistema de jogo e à opção de gravar.

Já falámos da história… Já falámos de objectivos… Já falámos do mapa… Vamos passar aquela que talvez seja a parte mais importante para alguns, o sistema de combate e os nossos parceiros Digimon! E é aqui que começamos a entrar num campo muito “perigoso” neste jogo…

Comecemos pelos nossos parceiros. São-nos atribuídos 2 parceiros, ao contrário do que é habitual no mundo digital, visto que cada “treinador” costuma ter apenas 1 parceiro. A relação com eles funciona como se se tratasse de um Tamagotchi, visto que temos que os alimentar, manter felizes e até mesmo levá-los a fazer as suas necessidades. Além de ter que lhes proporcionar uma vida estável, outra grande tarefa que teremos durante todo o jogo será o treino.

Cada Digimon tem parâmetros que estarão constantemente a mudar consoante as nossas acções. Em termos de relação treinador-Digimon, temos que nos preocupar com:

  • Alimentação: teremos que recolher alimentos, pois os nossos Digimons darão sinal quando a fome apertar, e deixá-los sem comer será prejudicial para o nosso progresso no jogo;
  • Felicidade: este parâmetro será importante para que o nosso Digimon tenha acesso a certas funções do jogo, e para o manter alto, temos que nos preocupar com os seus pedidos, seja cansaço, necessidades ou até o simples facto de os alimentar com a sua comida preferida;
  • Obediência: isto é uma palavra forte, visto que a nossa relação com os Digimons se trata de uma relação de amizade e parceria, mas quando maior for este factor, melhor será a sua resposta aos nossos pedidos e melhor também será a sua reacção em situações de combate;
  • Afinidade: não só entre nós e cada um dos nossos parceiros, mas tamvém entre ambos os parceiros, a afinidade de relação é um factor bastante importante para o nosso progresso.

Este são os parâmetros a ter em conta quando preocupados com a nossa relação com os Digimons. Em termos de treino (ou seja, desempenho em combate), os parâmetros a ter em conta são os seguintes:

  • Vida: como o próprio nome indica, quanto maior for, maior será a nossa barra de vida;
  • Energia: para realizar ataques em situação de combate, as habilidades exigem energia. Cada habilidade gasta um X de energia, pelo que quanto mais energia tivermos, mais habilidades poderemos realizar durante um combate (ou, pelo menos, mais vezes poderemos realizar as que temos disponíveis);
  • Força: quanto maior for, maior será o dano que conseguimos infligir no adversário;
  • Resistência: quanto maior for, melhores serão as nossas defesas e resistência a habilidades adversárias, o que aumentará também a nossa duração em combate;
  • Sabedoria: quanto maior for, menor será o custo de energia das nossas habilidades e a abordagem às situações de combate;
  • Velocidade: Quanto maior for, mais vezes atacaremos e mais rápidos serão os nossos movimentos em situação de combate.

 Um bom treino leva ao que é outro dos grandes pontos fortes deste jogo, o sistema de DigiEvoluções!

Existem 217 Digimons no total, contando com as evoluções. Este sistema de DigiEvoluções funciona como uma balança de frustração-satisfação, já vão perceber porquê…

Basicamente, as DigiEvoluções funcionam por caminhos, como podem ver na imagem acima. Os parâmetros que aparecem são os parâmetros que temos que respeitar de maneira a estarmos aptos a concretizar uma determinada DigiEvolução. Inicialmente, todas as DigiEvoluções mostram os parâmetros a vermelho e com pontos de interrogação, o que significa que estamos “às escuras”. Conforme formos treinando os nossos parceiros, vencendo combates ou trabalhando na nossa relação com eles, alguns parâmetros começam a ficar visíveis, de maneira que podemos treiná-los mais objectivamente. Quando trabalhamos um certo parâmetro o suficiente para cumprir o requisito da DigiEvolução, esse parâmetro fica a verde.

A parte da frustração entra aqui… Nem sempre será fácil conseguir a DigiEvolução pretendida, mais concretamente numa fase inicial do jogo. Certas DigiEvoluções requerem parâmetros mais elevados que outras, mas nem sempre teremos hipótese de elevar esses parâmetros o suficiente, já que as DigiEvoluções ocorrem sem que tenhamos qualquer tipo de controlo. Assim que cumprirmos com os requisitos, poderá acontecer a qualquer momento, e apesar de ser sempre minimamente gratificante ver uma DigiEvolução de um parceiro, tem o seu quê de “amargo ver que não conseguimos a DigiEvolução que queríamos.

Outra situação bastante frustrante é a duração de vida dos nossos parceiros. Sim, leram bem. Os nossos parceiros “morrem”. Quando chegarem a uma certa idade, os nossos parceiros voltarão à fase de DigiOvo e todo o progresso de treino/relação com eles será perdido. Acreditem… Ver todo o nosso trabalho e tempo voltar à “estaca zero” vezes e vezes sem conta é revoltante!

Mas nem tudo é mau nisto! Quando re-escolhermos os nossos parceiros (teremos vários DigiOvos à nossa disposição), eles voltarão com os parâmetros minimamente mais elevados, conforme maior for a “geração”. Além disso, o progresso de obtenção de “dados de DigiEvolução” (os tais parâmetros vermelhos passarem a ser visíveis) não será perdido! Da próxima vez, os parâmetros que já desbloqueámos anteriormente continuarão visíveis, o que facilitará a escolha da nossa DigiEvolução.

Por último, mas não menos importante (nada mesmo), o sistema de combate!

Os combates funcionarão com um sistema de inteligência artificial, ou seja, não seremos nós a mover os nossos parceiros. Uma coisa muito importante durante os combates é o “poder de ordem“. Os nossos parceiros atacarão automaticamente, e quando o fizerem, poderemos carregar no botão de “support“, o que aumentará o “poder de ordem” (aumenta mais quando carregado no momento exacto de impacto). Para que serve aumentar o “poder de ordem”? Ora, para que possamos ordenar os nossos parceiros a realizar determinadas habilidades quando queremos (tal como um “finisher”, que exige 150 de “poder de ordem”). Resumidamente, deixem o combate fluir automaticamente e vão somando “poder de ordem”, para que quando acharem conveniente gastarem esse “poder de ordem”, terem essa possibilidade.

No final de cada combate, os nossos parceiros aumentarão os parâmetros em caso de vitória, e também receberão itens. Já em caso de derrota, serão recambiados para Floatia e a sua vida estará por um fio, para além de que podem necessitar de pensos para recuperarem das lesões.

 Em suma, é isto que vos espera em Digimon World: Next Order.

Mas não fiquem a achar que as surpresas acabam aqui!

Existem funcionalidades mais aprofundadas de, por exemplo, DigiEvoluções (tais como a Extra Cross Evolution, uma fusão que os nossos parceiros podem efectuar durante um combate e que será desfeita no final do mesmo, ou a DNA DigiEvolution, uma fusão que os nossos parceiros podem efectuar fora de combates e que é permanente, ficando essa DigiEvolução um dos nossos parceiros e o outro parceiro descendo uma DigiEvolução).

Mas também não teria piada se tudo fosse revelado por escrito. Perderiam a magia de ver alguns “milagres pós-morte” acontecer (fica a dica, não se esqueçam).

No que diz respeito a gráficos, tendo em conta o tipo de jogo que é e a quantidade de “afazeres” nos propõe, o jogo está bastante aceitável. Não esperem grandes gráficos, não é isso que está aqui em causa, mas sendo um jogo com tantas áreas e todas tão diferentes  umas das outras, também não está mau. Já quando se fala das “cutscenes“, a história é outra, pois os gráficos estão bastante bons e fazem jus à acção que representam.

Algo que considero muito bem conseguido é a banda sonora do jogo. Simples e eficaz! Cada região principal tem a sua própria música, algumas com um tom mais negro (tais como a área das Veggie Troops ou a mansão de Myotismon) e outras com um tom mais leve (tais como a região de Server Desert ou a área das Meaty Troops). Áreas como Floatia, na qual não haverá perigo, têm uma musicalidade mais “amigável”, mas áreas de maior acção, como por exemplo, Bony Resort, terão uma ambiência mais agressiva. Já para não falar do tema principal (e de certos “milagres”), que representa na perfeição o trabalho feito na anime.

Em termos de mecânicas de movimento, está fluido mas bastante básico. Com alguns “bugs” (se é que se pode chamar isso) na deslocação dos nossos parceiros, mas nada que meta em causa a qualidade do jogo.

Desenganem-se se acham que Digimon World: Next Order é um “jogo para crianças”! Existe um nível de complexidade neste jogo bastante elevado, e a panóplia de sentimentos constantes que nos causa (seja uma frustração a transformar-se em diversão, seja um cansaço psicológico a transformar-se em vontade de continuar) pode não ser fácil de acartar para todos. Ver que trabalhamos e trabalhamos para ficar mais fortes, mas que não estamos nem perto de muitos dos desafios que o jogo nos propõe (devido, também, à não-linearidade do mesmo) pode ser muito dissuasivo, já que o jogo oferece horas e horas de desafios (muitas horas, mesmo) e, por vezes, parece que estagnamos no nosso progresso. Ainda assim, nada melhor que o sentimento de satisfação e orgulho quando atingimos um objectivo.

Afinal, quanto mais difícil o percurso e a barreira, melhor sabe quando a ultrapassamos.

 

Publicado
Visualizações 394