Back to the basics…

A saga Need For Speed estava a precisar de um reboot, apesar de Rivals já ter saído na nova geração, e apesar de graficamente ter sido convincente, não era muito motivador de se jogar, faltava “carne” como se costuma dizer na “bola”. Por causa disso, a EA foi beber inspiração a um dos melhores jogos da série, Need For Speed Underground, aquele que tinha mais sumo, que tinha um fio condutor e que mais pica dava de jogar.

No entanto a abordagem foi diferente, e obtiveram o meu respeito por isso, construíram uma história que se baseia em pequenos vídeos, com actores reais que nos acompanham ao longo de todo o jogo, isto é, encarnamos um rapaz que conhece um grupo de amigos que para além de frequentarem muitas festas, adoram carros, desde construir e reparar, acabando nas corridas mais audazes. É com eles que vamos conhecendo a cidade de Ventura Bay que serve de mapa, criando uma ligação com eles, mas também aprendendo as várias técnicas e abordagens de condução que poderemos utilizar. Spike adora velocidade e vai nos convidar para as Sprint Races, Manu que ser o rei do Drift e portanto é com ele que vamos descer montanhas com o carro na horizontal, Amy é a nossa mecânica e quem nos vai fornecer upgrades ao nosso carro, caso nos aventuremos em algumas corridas contra ela, Robyn é a miúda que nos vai sempre fazer “olhinhos” e  Travis é que adora a adrenalina das perseguições.

Será no entanto mais à frente que conheceremos os nossos deuses das corridas, Magnus Walker, Ken Block, Nakai-san, Risky Devil e Morohoshi-san – são as estrelas da cultura automóvel urbana da actualidade e inspiraram histórias por trás da jogabilidade através da forma como se expressam nas ruas todos os dias. Ganha o seu respeito e constrói a tua reputação no percurso para te tornares no derradeiro ícone. São eles que também nos vão influenciar no estilo que vamos adoptar, temos à nossa disposição cinco formas de jogar Velocidade, Estilo, Construção, Grupo e Fora da Lei.

Toda a gente fala destas cinco formas mas ninguém as explica, pois bem, ganhamos pontos em Velocidade, como o nome indica por andarmos depressa, mas não é só a velocidade de ponta que conta, é também andarmos a raziar por entre carros, fazer ultrapassagens e claro ganharmos as Sprint Races. Já no Estilo a conversa é outra, as manobras é que interessam, fazer drifts, saltos ou até algumas manobras para impressionar as raparigas como os famosos donuts é que dão pontos. A nível da Construção, também ganhamos pontos a modificar os nossos carros em todos os aspectos possíveis. Quanto ao Grupo, bem este modo pode ser muito divertido se jogarem com os vossos amigos, basicamente terão que fazer manobras em conjunto, imaginem fazer um Drift Train, onde terão que fazer as curvas todos de lado quase uns ao lado dos outros, bem “awesome”. Por fim o Fora da Lei, basicamente é quando andamos a fugir à polícia, que poderia ser muito mais divertido senão fosse tão fácil de os despistar. Posso dizer-vos que uma vez encostei um carro da polícia à parede e ele ficou lá colado e vim-me embora.

Mas o nosso estilo também se prende é claro com os vários carros disponíveis e toda a personalização que lhes podemos dar, com personalização visual extensiva que inclui marcas pós-venda verdadeiras, actualizações de desempenho, tuning e um novo wrap editor, a verdade é que este Need for Speed permite a personalização mais completa e autêntica alguma vez vista nos 20 anos de história do franchise.

Para fazer uma verdadeiro “Querido, mudei o carro” terão no entanto que ganhar pontos de Reputação suficientes para desbloquear as várias partes do carro onde podem mexer e o material que podem implementar. Mas no entanto é aí que está a chave do jogo, é essa a recompensa para aqueles que jogarem o jogo de forma mais intensiva para desbloquear todos os items e partes, e é uma recompensa mais do que válida, visto que as possibilidades são mais do que muitas, isto para além de podermos escolher qualquer carro, até um mais baratinho para o tornar o nosso carro de eleição.

Pode ser um problema do século passado, mas a verdade é que Need For Speed exige que estejam sempre ligados à internet. Segundo a EA a evolução daquilo que era o Autolog assim o exige. O sistema que compara os tempos e vos coloca lado a lado com outros jogadores de todo o mundo precisa que exista essa constante ligação à internet, mas na verdade muitas poucas vezes encontrámos amigos nossos na nossa Ventura Bay, ou até mesmo outros jogadores. Para além disso podem ainda partilhar as vossas snapshots com os vossos amigos e redes sociais, até porque dar um “Like” ou receber um “Like” dá dinheiro em jogo.

Graficamente Need For Speed dá uso à versão mais recente do Frostbite Engine, o aspecto do jogo é realmente incrível, com os reflexos, as luzes, a água, o “blur”, tudo no sítio certo e com a qualidade que se exige nesta nova geração. A destruição do nosso carro apenas é visível por “arranhões”, não há uma destruição mais massiva do nosso bólide, a não ser a total destruição que depois magicamente coloca o nosso estimado carro outra vez novinho em folha. Não tive qualquer tipo de quebra de Frames durante o jogo, isto na Xbox One.

O online, que podemos encaixar na experiência que falámos à pouco é muito fraquito, pouco mais podemos do que correr contra outras pessoas por Ventura Bay ou convidá-los a participar nos eventos a que vamos jogar.

Need For Speed fez o reboot e mudou a roupagem ao conceito que estava a precisar de uma ideia nova, e em grande parte voltou ao essencial, às corridas frenéticas, ao grafismo e camêras que apelam ao sentido de velocidade. Graficamente impecável e com uma grande panóplia de opções de customização, assim como uma banda sonora à altura, estes acabam por ser os aspectos positivos do jogo. Não tão bem conseguido mas com potencial é a história com a narrativa em primeira pessoa e com pessoas reais, onde apenas pecou por ter pouca profundidade e até ser em parte “boring”. O online muitas vezes passa despercebido e a longevidade não é assim tão grande. Não está no ponto, mas está muito mais perto daquilo que os fãs querem de Need For Speed.

2015-11-24

Published
Categories Análises
Views 86
Ir para a barra de ferramentas