Durante muitos anos, décadas até, não havia um jogo decente passado no universo da DC com o Batman como personagem principal. Tudo isto mudou em 2009 com o Batman: Arkham Asylum. Esse jogo foi uma total revolução, pela primeira vez podíamos sentir-nos na pele do Batman, com um sistema de combate intuitivo e visualmente impressionante, personagens conhecidas, utilizando as vozes de Kevin Conroy e Mark Hamill como Batman e Joker respectivamente, algo que para os fãs da personagem era muito importante visto serem as vozes da grande série de animação dos anos 90. A seguir a isto apareceu o Arkham City, que adicionou um factor de “open-world” à série, tirando-nos do Arkham Asylum e fazendo-nos pairar de edifício em edifício e continuando a história do jogo anterior.

Agora apareceu Arkham Origins, uma prequela que em nada inova em relação aos jogos anteriores da série, e se alguma coisa de diferente faz é para pior. Mark Hamill deixou-nos como Joker, sendo a voz agora de Troy Baker, que faz um bom papel mas que soa um pouco estranho na difícil tarefa de substituir uma voz que foi a do Joker nos últimos 24 anos, e a cidade parece mais pequena do que em Arkham City, um retrocesso que faz pouco sentido.

Dito isto, continua a ser um bom jogo, mas não deslumbra, sabe a mais do mesmo, quase como uma expansão do Arkham City. A história é aceitável, mas tem o estranho factor de apenas nos apresentar o vilão principal a cerca de metade do jogo, passando a primeira parte a lutar contra vilões que são interessantes, como Black Mask ou Deathstroke mas menores para o público geral que conhece o Batman mais pelos filmes e séries animadas do que através dos comics. A campanha principal demora umas boas horas a terminar e tem um final bastante satisfatório, para além disso há bastantes sidequests que envolvem personagens secundárias às história e que dão algumas vantagens importantes ao jogador se forem terminadas.

Um elemento que já existia antes mas é aqui mais desenvolvido tem a ver com a investigação de cenas onde ocorrem crimes, tentando reconstruir a situação de forma a perceber o que se passou e os passos a tomar a seguir. Esta inovação está bem conseguida e faz um bom trabalho a dar alguma variedade ao jogo, dando uma merecida pausa ao jogador do “beat ‘em up” quase constante do resto do jogo. Infelizmente esta mecânica só é utilizada 3 ou 4 vezes no jogo todo, o que sabe a pouco, visto estar bem feita. A outra parte em que o jogo brilha é nas várias batalhas com bosses e sub-bosses, que conseguem ser excitantes e por vezes frustrantes, como se quer num jogo destes. No entanto, outra vez, essas batalhas não trazem nada de novo. São boas, mas são boas como eram nos jogos anteriores.

Se adoraram os dois outros jogos na série Arkham, então esta é uma boa continuação da mesma coisa, a história acaba ligando de forma directa ao Arkham Asylum, e vale a pena jogar para quem quer mais do mesmo. Se não gostaram dos jogos anteriores, nada aqui vos vai fazer mudar de opinião, é mais do mesmo, bom mas sem nada a acrescentar.

About The Author

É de Lisboa, com um desvio por Évora. A primeira cassette que teve foi o Man-Machine dos Kraftwerk porque gostava do espaço e de robots. Ainda gosta do espaço e de robots, e de comics, e de jogos de computador e de cenas fantásticas e tal... o vulgo "nerd". É Licenciado, Mestrado e Doutorado em Religiões Comparadas pela University of Manchester (onde esteve 9 anos). É Professor de Filosofia das Religiões na Universidade Nova. Ganha sempre ao Trivial Pursuit. Passa demasiado tempo no World of Warcraft. Nunca jogou Fifa nem Pro Evo nem Madden NFL ou lá o que é, e tem orgulho nisso. Uma vez jogou o Itália 90 que tinha numa disquete que lhe emprestaram e que funcionava no Intel 80-88 que tinha na altura.

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