Botões e maminhas a mais, explicações a menos

Sejamos sinceros: os jogos de luta não são para toda a gente. Afinal, a menos que sejamos mestres na arte do combo, o período de frustração pode facilmente escalar a barreira do aceitável. Posto isto, Skullgirls 2nd Encore para a PlayStation4 oferece uma experiência de jogo que pode não ser ideal para todos os gostos.

À primeira vista, o jogo é um encanto. Os gráficos são refinados, com um estilo muito próprio – uma espécie de cruzamento de manga com banda desenhada ocidental com elementos gore que parece deliciar até os gostos mais requintados. Contudo, num jogo onde a maior parte das personagens é do sexo feminino, é um pouco escusado o excesso de maminhas que invade constantemente o ecrã – embora não seja particularmente pior do que outros jogos semelhantes, como Dead or Alive. Já os menus não deixam a desejar. Polidos e bem estruturados, tornam a navegação pelo jogo bastante agradável.

Sendo um jogo de luta mais perto de Street Fighter do que de Tekken, onde os combos garantem combates mais aliciantes, seria naturalmente aconselhável dedicar algum tempo aos tutoriais. Infelizmente, estes são difíceis de acompanhar e pouco intuitivos, apresentando as configurações de um suposto joystick de arcada em vez dos comando da PS4 como padrão. Isto torna a tarefa muito mais complicada do que o inicialmente previsto, com uma curva de aprendizagem demasiado íngreme para jogadores menos experientes. Aliás, mesmo para jogadores com mais experiência, o exercício pode tornar-se rapidamente um fracasso, já que as explicações são muitas vezes confusas e praticamente indecifráveis. Caso os tutoriais sejam demasiado para a paciência do jogador, a verdade é que dá para vencer uma boa parte dos combates sem grande conhecimento técnico. Basicamente, o velho button mash funciona sem problemas de maior, o que não é necessariamente desafiante.

Skullgirls 2nd Encore_20150831112003 Skullgirls 2nd Encore_20150831112413

É bom ver que, sem grandes invenções, o título oferece os modos esperados para um jogo deste tipo: história (que de história pouco ou nada tem), arcada, sobrevivência, versus e online. Por um lado, é até bastante conveniente que a história seja, vá, pouco relevante – afinal, é impossível pausar as respectivas cenas, mesmo com o botão PS. Pressionar o botão Options, que noutro jogo qualquer serviria para pausa, aqui serve para saltar as cenas sem qualquer aviso prévio. Durante os combates, no entanto, serve o propósito previsto.

Sem glitches nem bugs de maior, Skullgirls 2nd Encore podia ser uma alternativa consistente e divertida a alguns jogos de luta mais populares. No entanto, a falta de uma história que faça sentido em relação ao jogo e de um sistema de aprendizagem decente torna tudo um bocado confuso e, muitas vezes, simplesmente frustrante. Se não se preocupam nem com uma coisa nem outra, pode ser que este seja o jogo de luta que andavam à procura.

Apenas como nota final: se não quiserem jogar algo em Português do Brasil, o melhor é mudarem o idioma da consola antes de começarem.

 

 

Author Rute Correia
Published
Categories Análises
Views 88
Ir para a barra de ferramentas