Broken Age – Review – PC

O Tim Schafer é uma lenda. Qualquer jogo criado por ele é um evento para todos aqueles que como nós cresceram a jogar as suas criações durante os anos 90, isto é particularmente verdade das suas aventuras gráficas, como a série Monkey Island, o Full Throttle, Day of the Tentacle, ou no final da década o jogo que deu a machadada que levou ao fim da época de ouro das aventuras gráficas: Grim Fandango.

Ora o Grim Fandango é dos jogos de aventura mais originais, bem escritos, imaginativos e imersivos que alguém alguma vez inventou, na verdade costa geralmente de qualquer lista dos melhores jogos de aventura alguma vez feitos, mas foi a gota de água que quase acabava com um género inteiro de jogos. Foi um jogo caro de fazer e que precisamente devido à sua originalidade pouco vendeu, é muito mais fácil vender mais um jogo de uma franchise conhecida do que convencer o público em geral a interessar-se por jogar no papel de uma estátua de arte tradicional mexicana do dia dos mortos que é também um detective num mundo que mistura o filme noir com a arte tradicional mexicana, habitado por outros esqueletos de papel e piñatas e coisas do género. O falhanço foi tão grande, que não só o género entrou em declínio, mas o próprio Tim Schafer deixou de fazer jogos.

 

O Tim volta à indústria em 2005, 7 anos depois de Grim Fandango com Psychonauts, agora no estilo de plataformas, e por aqui vai seguindo com jogos como Brutal Legend, Costume Quest ou Stacking, jogos que mantêm a originalidade única de Schafer mas sem nunca voltar à aventura gráfica. Agora em 2014 saiu Broken Age! O trauma foi tal que demorou 16 anos a conseguir voltar a fazer um jogo de aventuras, mas agora vez existem coisas como o kickstarter que pagou a produção do jogo através do crowdfunding, ou seja o mercado já existia antes de o jogo existir, e como seria de esperar era um jogo aguardado ansiosamente pelos muitos fãs de jogos de aventura.

Tim Schafer não desaponta. Broken Age é um jogo dividido em 2 episódios tendo o primeiro saído agora, que conta a história de duas personagens, uma masculina e outra feminina, que o jogador pode jogar em qualquer ordem ou até saltar de história em história ao longo do jogo. Escusado será dizer que as histórias estão relacionadas algo de que apenas nos apercebemos no espectacular final deste episódio que faz com que tudo o que jogámos nas horas anteriores passe a ter outro significado completamente diferente daquilo que achávamos que estávamos a fazer. Claro que é essencial evitar spoilers neste género de jogo, mas podemos dizer que é um jogo sobre o processo de crescimento, a passagem da adolescência para a vida adulta, misturando-se com elementos da ficção científica e do fantástico num jogo soberbamente escrito.

 

 Para além de ser uma história que melhora com cada minuto do jogo e que nos deixa extremamente curiosos em relação ao próximo capítulo, os gráficos são qualquer coisa de extraordinário. O jogo parece um livro para crianças animado, algo que se coaduna totalmente com a história que está a ser contada, as ilustrações movimentam-se naturalmente com uma imaginação fantástica. Mas não pensemos por isso que é um jogo para crianças, muitas das piadas e diálogos são claramente para adultos, ou até numa tradição antiga para adultos jogarem com crianças. Crianças essas que não perceberiam, por exemplo, a piada de ter um lenhador (com a voz de Will Wheaton) que tem muito mais de hipster naquilo que diz, do que de lenhador, com a sua barba comprida e a sua camisola aos quadrados. Destaque também para as vozes que para além do Will Wheaton contam também com a participação de Elijah Wood e Jack Black e da grande artista de voz Jennifer Hale (mais conhecida como a Female Shepard da série Mass Effect). Em suma, seria um erro não comprar, jogar, comprar para oferecer aos amigos e anunciar ao mundo que o grande Tim Schafer voltou às aventuras gráficas e está em grande forma.

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