Brutalmente de volta!

Decidimos demorar um pouco mais na degustação de Mortal Kombat X, para fazer uma análise que lhe fizesse jus, e não apenas uma consideração depois da antevisão a que tivemos acesso no Lisboa Games Week do ano passado.

E fizemos bem, porque algumas actualizações que foram surgindo, resolveram alguns dos problemas iniciais dos servidores onlines e pequenos ajustes que nos poderiam fazer olhar para o jogo de uma outra forma, especialmente nessa componente online em que envolve as facções, mas já lá iremos.

Em equipa que ganha não se mexe, a frase é batida, mas meus amigos, é talvez das que mais razão tem, e neste caso, a NetherRealm Studios e a Warner Bros. Games são essa equipa, mas também a fórmula aplicada já em 2011 em Mortal Kombat 9 e até transposta de alguma forma para Injustice: Gods Among Us, é também ela uma fórmula vencedora. Estamos a falar de um voltar ao plano bidimensional, tendo agora uma profundidade remodelada, o modo história com várias sequências vídeo e uma componente online muito forte.

Comecemos pela história que decorre vários anos após os eventos da narrativa principal de Mortal Kombat. Iremos mais uma vez entrar numa batalha entra a Terra e Outworld, vagueando por eventos que marcaram toda a narrativa, mas tendo sempre um foque muito especial na nova geração de lutadores, como Cassie Cage, filha de Sonya Blade e Johnny Cage, Jacqueline Briggs, filha de Jax, Takashi Takeda, filho de Kenshi, etc. Isto é, poderia ser o Mortal Kombat para os nossos filhos se eles ainda não perguntassem “Pai o que é que aquele senhor está a tirar de dentro da barriga do outro senhor?!”.

O modo de história talvez tenha sido o mais bem conseguido de toda a saga Mortal Kombat, não só pela variedade de acontecimentos, mas pela sua construção. Teremos que jogar com variadas personagens, pois começamos com Johhny Cage, mas no capítulo seguinte já estamos com Kotal Khan e por aí adiante, mas também pelos Quick Time Events que nos vão aparecendo nas sequências de vídeo, onde, como é habitual, temos que acertar num esquema de botões na altura certa.

Se alguém neste momento está a pensar, mas eu quero ser o melhor Scorpion do mundo, calma jovens, vão ter mais do que tempo para isso no tradicional modo Tower e no multiplayer, desfrutem um pouco da maravilhosa história e o vasto leque de personagens que este jogo oferece. Parece que foi esta a ideia da equipa da NetherRealm e eu só posso dizer: Bingo!

O modo Tower é muito semelhante ao que conhecemos do início da saga, escolhemos uma personagem e temos que derrotar vários adversários até chegarmos aos dois últimos Bosses.

Pelo caminho podem escolher um dos desafios disponíveis e das listas online, onde terão que, por exemplo com factores – Test Your Luck – onde um combate poderá ter ausência de bloqueio, a arena pode balançar tipo navio, ou outra coisa bizarra, enquanto que em – Test Your Might – têm que quebrar objectos com um único golpe.

Se são do tipo solitário, ainda terão a hipótese de visitar a cripta. Um modo que já tem sido um habitué dos últimos jogos da saga, e curiosamente um dos mais pedidos pelos fãs. É uma espécie de modo aventura, recheado de desbloqueáveis, onde teremos que percorrer cemitérios e cavernas à procura de tesouros e itens para desbloquear. Para efectivamente desbloquearem esses items, que incluem algumas novas fatalities, terão que usar a moeda do jogo que basicamente ganham em todos os modos.

Entre o modo single player e o modo multiplayer, há a questão das facções que já tinha falado no ínicio, basicamente assim que começamos o jogo, teremos que escolher a nossa facção, isto é, temos que escolher o nosso lado da guerra que é liderada por uma das personagens do jogo, nomeadamente as mais icónicas, como Raiden, Sub Zero ou Scorpion, e depois tudo aquilo que fizermos contará para dar pontos à nossa facção. Se a nossa facção for a melhor durante alguns períodos de tempo, todos aqueles que fazem parte dela vão receber recompensas.

Já no modo online, na componente multiplayer, vão encontar várias opções, como Friendly Matches, combates a contar para a classificação (facção e leaderboard), e o modo King of The Hill, onde vão ter que vencer vários adversários até chegar ao topo (da montanha). Para além disso também há as Tower em formato online, desafiando outros jogadores por esse mundo fora, até com combates de Test Your Luck.

Dos modos de jogo, para o combate em si, vão ter disponíveis 24 personagens ao longo do jogo, mais se comprarem via DLC, cada uma com 3 estilos diferentes, por exemplo Raiden tem o estilo Thunder God, onde todos os ataques eléctricos são mais fortes, o Displacer que dá a possibilidade de utilizarmos ataques de teleporte e o Master of Storms onde podemos colocar armadilhas eléctricas. Para cada personagem os estilos mudam um pouco, mas será sempre nesta componente entre ataques directos, de curto ou largo alcance. Esta adição faz com que tanto o nosso estilo de jogo possa ser diferente de outros que encontraremos com a mesma personagem nos combates online, como nos obriga a treinar as várias variantes de cada personagem.

Se são jogadores mais arcade, talvez mais virados para um Tekken ou Street Fighter vão rapidamente perceber que o foco no combate está mais virado para a força do que para a habilidade, isto é, não vão ver combos a torto e a direito, mas sim a aplicação da força de um golpe bem desferido no tempo certo, a intensidade de cada combate sente-se no golpe e não no espalhafatoso que esse golpe possa ser. Para isso existem os ataques especiais, apelidados de x-ray, onde executamos um movimento especial e a dureza de cada golpe tem direito a vermos nessa visão raio-x, coisas como espinhas a serem partidas ao meio, crânios a desfazerem-se e entre outras coisas do universo mais gore.

E já que falamos de algo mais grotesco, de referir as Fatalities e Brutalities que estão de volta, com todo o jorrar de sangue e entranhas que se pede num jogo Mortal Kombat. As Fatalities com a sua combinação complexa, a lembrar o início de toda esta saga, sendo que os mais jovens (ou inaptos) poderão adquirir uma forma mais fácil de as executar; já as Brutalities, irão acontecer dependendo da aplicação de determinados golpes e do golpe final.

Nota final para o trabalho gráfico que este Mortal Kombat X teve, se já tínhamos ficado de boca aberta para o trailer de apresentação do jogo, nada nos foi tirado dessa ilusão. É verdade que as barras de energia e de ataques especiais estão mais presentes do que nessa altura, mas tudo o que nos foi prometido em termos de ambiente, do cenário ter uma vida própria, de o podermos utilizar para nossa vantagem, e do detalhe apresentado, está lá todo. Mortal Kombat X finalmente recebeu a ode que merecia.

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Categories Análises
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Comments (1)

  • Abril 18, 2016 at 8:42 am
    […] um ano quando o Pedro Moreira Dias, o nosso “chefe”, como geralmente lhe chamamos, escreveu a review de Mortal Kombat X, e uma excelente análise por sinal. Como tal, não iremos repetir o que já foi abordado, mas sim […]

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